EUA investigam Tesla por 11 acidentes com piloto automático

Sistema semiautônomo pode apresentar problemas à noite em situação com luzes piscando. Se o defeito for confirmado, montadora terá de fazer recall

Por REDAÇÃO AB
  • 16/08/2021 - 18:39
  • | Atualizado há 2 semanas, 1 dia
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    Autoridades americanas anunciaram nesta segunda-feira, 16, que abriram uma investigação para analisar possíveis problemas envolvendo o sistema de condução semiautônomo dos automóveis da Tesla, que poderia ser responsável por 11 acidentes.

    A investigação foi aberta pela NHTSA (Agência Nacional de Segurança no Trânsito, em inglês) e abrange os modelos Tesla Y, S, X e 3 das linhas 2014 a 2021, o que poderia afetar cerca de 765 mil carros.

    Segundo um relatório produzido pelo órgão, foram analisadas 11 colisões desde janeiro de 2018 que provocaram uma morte e 17 feridos, todas ocorridas no mesmo tipo de situação: à noite e um cenário com luzes de emergência piscando, o que poderia ter confundido o sistema que permite que o carro possa ser conduzido sozinho, sem auxílio do motorista, embora a prática não seja recomendada pela empresa.

    "A maioria dos incidentes ocorreu depois do anoitecer e as cenas de acidente encontradas incluíram medidas de controle, como luzes de veículos de emergência, sinalizadores, placa de direção iluminada e cones de alerta", explica o relatório NHTSA. A agência também disse que em todos os casos foram confirmados o funcionamento do recurso de piloto automático ou de controle de cruzeiro com reconhecimento de tráfego antes dos acidentes.

    Em abril passado, um Tesla Model S 2019 bateu e pegou fogo, matando dois homens no Texas (EUA). O acidente repercutiu na imprensa americana porque os bombeiros relataram não ter encontrado ninguém sentado no banco do motorista, o que levantou a possibilidade de que o automóvel elétrico poderia estar usando o sistema semiautônomo de direção.

    A NHTSA também tem pelo menos outras 30 investigações de carros da Tesla em andamento envolvendo 10 mortes desde 2016 nas quais há a suspeita do uso de equipamentos avançados de condução. Por essa razão, a agência exigiu em junho que todos os fabricantes ou condutores de veículos equipados com sistemas como esse, que é o caso do Autopilot da Tesla, sejam obrigados a reportar acidentes nos quais esse recurso foi acionado durante ou imediatamente antes da colisão.

    Durante a investigação desse caso, as autoridades de segurança americanas vão avaliar como todos os sistemas dos carros da Tesla atuam enquanto o recurso semiautônomo está ativado e como eles agem depois de identificar possíveis obstáculos na estrada. Ao final da avaliação, se for detectado algum risco à segurança dos ocupantes, a NHTSA tem o poder de exigir que a Tesla faça um recall corrigindo o defeito.