Fornecedor de chips alerta: crise continuará em 2022

Responsável em abastecer Toyota, Honda e Ford, fabricante japonês diz que não deverá entregar os pedidos previstos para o ano que vem

Por REDAÇÃO AB
  • 27/08/2021 - 16:56
  • | Atualizado há 3 semanas
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    A fabricante japonesa de microchips Rohm, um dos principais fornecedores para a indústria automotiva, alertou nesta semana que a falta de semicondutores deverá permanecer ao longo de todo o ano que vem.

    A informação foi confirmada por Matsumoto, CEO da empresa sediada em Kyoto, durante uma entrevista coletiva na qual explica que a companhia foi prejudicada por uma grande escassez de materiais essenciais para a produção dos chips e pela entrega de equipamentos.



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    Um dos maiores fornecedores de Toyota, Honda e Ford, a Rohm começou a aumentar sua capacidade instalada no segundo semestre do ano passado e ainda vai investir mais de US$ 600 milhões até o final deste ano fiscal (que termina em março). Mesmo assim, o aumento efetivo da produção ainda vai demorar a acontecer por causa da demora na chegada das máquinas que serão usadas na fabricação dos componentes.

    “Todas nossas linhas de produção estão operando na capacidade máxima desde setembro do ano passado, mas o volume de pedidos dos clientes é gigantesco. Não acho que possamos cumprir toda a agenda de pedidos do próximo ano”, disse Matsumoto, de acordo com a agência Bloomberg.

    A crise dos semicondutores começou em 2020, quando a pandemia provocou o isolamento dos consumidores do mundo todo, o que fez aumentar as vendas de aparelhos eletrônicos.

    Como na época grande parte das montadoras reduziu seu volume de compras ao mesmo tempo em que houve o excesso repentino da demanda global de microchips para celulares, laptops, videogames e outros equipamentos voltados ao entretenimento ou aos cuidados domésticos, faltou o insumo para outros setores. E nessa briga pelos chips a indústria mais afetada foi a automotiva.

    Para piorar o cenário, nas últimas semanas vários fabricantes de componentes eletrônicos do sudeste asiático tiveram que parar sua produção devido a um novo surto de contágio pela variante Delta da Covid-19.

    O CENÁRIO PODE SER AINDA PIOR



    A previsão da Rohm se junta a outros sinais de uma segunda onda da crise de semicondutores que se abateu sobre a indústria nos últimos dias, o que provocou fechamento ou redução de ritmo das principais montadoras globais. Na semana passada, a Toyota anunciou que vai reduzir em 40% o volume de produção mundial para este ano. Nesta semana, Volkswagen, Ford, GM, Stellantis e Volvo paralisaram suas fábricas ou reduziram o ritmo da linha de montagem.

    O cenário ainda pode ser pior do que espera, pois algumas empresas já trabalham com a possibilidade de que a escassez de semicondutores só seja normalizada em 2023, como é o caso do fabricante de chips Intel e da montadora Stellantis.