Gravataí calcula perdas e se anima com retomada da GM

Município gaúcho espera arrecadação de impostos 20% menor no ano por causa da paralisação da fábrica

Por BRUNO DE OLIVEIRA, AB
  • 13/08/2021 - 12:05
  • | Atualizado há 1 mês
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    A retomada da produção na fábrica de Gravataí (RS), agendada para a próxima segunda-feira, 16, depois de cinco meses interrompida , representa mais do que um respiro para a General Motors. Configura também alívio para os trabalhadores e para o município gaúcho, que vinha enfrentando redução da arrecadação de tributos por causa da paralisação da unidade desde o ano passado.

    "No ano passado a cidade registrou queda de 15% dos tributos municipais por causa das interrupções que ocorreram na fábrica logo após o início da pandemia. Para este ano, a nossa expectativa é de que a paralisação que durou cinco meses representará redução de 20% da arrecadação tributária", explicou o prefeito Luiz Zaffalon à Automotive Business.

    Ele afirmou que a montadora é responsável por cerca de 45% de toda a arrecadação do município, que também é sede de parte dos fornecedores que atendem à produção local da GM, dentre outras indústrias. O anúncio da retomada na unidade "mexeu com os ânimos da cidade", disse o prefeito, citando reflexos percebidos por interlocutores no comércio e na rede hoteleira local.

    "Ainda que seja o retorno de apenas um turno já representa um grande avanço depois de cinco meses de incertezas para a montadora e todas as demais empresas que giram em torno da sua produção", contou Zaffalon.

    O prefeito disse também que a montadora manteve contato constante durante o período de inatividade, atualizando as informações acerca da situação envolvendo o abastecimento de componentes, principal razão pela qual a empresa decidiu paralisar as linhas do Chevrolet Onix. A última informação a esse respeito, afirmou Zaffalon, é de que há normalização.

    "O FUNCIONÁRIO SE QUESTIONAVA SE A FÁBRICA VOLTARIA"

    Pelo lado dos trabalhadores, de acordo com Edson Dornelles, diretor jurídico do sindicato dos metalúrgicos local, o sentimento da categoria é de alívio: "Cinco meses é muito tempo, o funcionário começa a questionar se a fábrica iria voltar mesmo, se o emprego estava garantido, se era hora de buscar outra ocupação. Parte do quadro optou por deixar a empresa diante deste cenário".

    Na semana passada, de acordo com o sindicato local dos metalúrgicos, foram feitas vistorias na unidade para avaliar possíveis processos de manutenção e para verificação de melhorias feitas na linha. De acordo com Dornelles, a montadora promoveu modificações na ergonomia dos processos de montagem, um pleito antigo dos trabalhadores.

    Parte das empresas sistemistas que operam dentro do condomínio industrial da GM iniciaram a produção de componentes na unidade nesta semana como forma de preparar o abastecimento das linhas para a segunda-feira.

    Com a volta da produção a GM na próxima semana , tentará retomar a participação de mercado perdida durante o tempo em que a fábrica esteve inativa e, por isso, levou a uma drástica diminuição da oferta do Chevrolet Onix na distribuição de veículos. A queda do modelo na lista dos mais vendidos abriu espaço para os veículos Stellantis ocuparem a ponta do mercado nos últimos meses.