Great Wall precisa de preço e rede para dar certo no Brasil

Analistas avaliam os riscos da montadora chinesa no segmento de SUV, o mais concorrido do País

Por BRUNO DE OLIVEIRA, AB
  • 19/08/2021 - 18:57
  • | Atualizado há 2 semanas, 3 dias
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    A Great Wall chega ao mercado brasileiro para disputar participação no segmento mais concorrido do mercado, o dos SUVs, com modelos da marca Haval, sob um investimento estimado em R$ 4 bilhões. Na briga com as demais marcas que têm modelos nesta categoria, apontam analistas, conta a favor da companhia a equação preço-produto ajustada às pretensões do consumidor local. Pesam contra, porém, as incógnitas acerca da distribuição no País.

    "Com o aumento do teto do valor dos compactos, o consumo se direciona para categorias acima, como é o caso dos SUVs. Nesse sentido, se a Great Wall mantiver o histórico das empresas chinesas que conseguem reproduzir aqui um preço competitivo em modelos mais equipados, é provável que consigam boa abertura no mercado", disse Marcus Ayres, consultor da Roland Berger.



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    Os modelos SUV detêm a maior fatia do mercado brasileiro, apontam os dados da Fenabrave. No acumulado do ano até julho a fatia do segmento foi de 39,94%. No ano passado, em igual período, a fatia era de 31%, o que indica o aumento do interesse do consumidor de veículos novos pelos utilitários. Os modelos hatches compactos detêm a segunda maior fatia até julho, 23,5%.

    Na América Latina, os SUVs responderam por 30% do total vendido até maio, apontou levantamento da Nyvus. A preferência desses veículos nos mercados vizinhos representa boa notícia para a GW, que considera em seu planejamento utilizar a fábrica de Iracemápolis (SP) como plataforma exportadora no continente.

    Caso venha a se confirmar a presença do Haval H6 na oferta da montadora no País, ele chegaria, em tese e considerando proporções, para disputar mercado com o já consagrado Jeep Compass e o Volkswagen Taos, este lançado recentemente no Brasil. "Mais uma vez o preço praticado poderá definir a posição do modelo GW entre esses dois. De qualquer forma, será difícil desbancar um best-seller como o Compass em um primeiro momento", disse Ayres.

    Até julho o maior SUV da oferta Stellantis – enquanto não chegar o Jeep Commander – foi o segundo veículo mais vendido da categoria, com 39,2 mil unidades licenciadas. O Taos, por sua vez, teve 1,4 mil unidades licenciadas em igual período, ficando em 30º na lista dos mais vendidos.

    Para o analista, os modelos Great Wall deverão trilhar caminho semelhante aos percorridos pelos SUVs da Caoa Chery, principalmente o Tiggo 5X, o mais vendido da montadora e seu modelo mais bem posicionado na lista de vendas da Fenabrave: 13ª posição. "Foram veículos que chegaram com nível melhor de acabamento, de preço, com o consumidor mais aberto ao produto de origem chinesa".

    Embora os Caoa Chery tenham conseguido se estabelecer no mercado – ao contrário do que aconteceu com os espartanos veículos Chery da oferta pré-sociedade com a Caoa –, ainda será necessário à Great Wall despender esforços e recursos importantes na construção de rede e na divulgação dos seus produtos, da mesma forma desempenhada pela montadora conterrânea.

    "Mesmo com o momento propício às vendas de SUVs, a montadora terá um longo caminho pela frente em termos de reconhecimento e conquista do consumidor local. Ainda há resistência aos modelos chineses e eles terão de trabalhar para contornar isso nos próximos dois ou três anos por meio da rede de concessionários", disse Marcelo Pereira, diretor da consultoria Ipsos.

    O êxito nesse sentido, continuou o analista, se dará por meio da costura de parcerias com os grandes grupos econômicos da distribuição de veículos, empresas que já conhecem e atuam há muito tempo no mercado. "As marcas chinesas que vieram antes recorreram a esse modelo de negócio, deverá ser o caso da Great Wall também."