Matrizes das montadoras receberam menos lucros do Brasil em 2021

Remessa dos ganhos gerados pelas subsidiárias brasileiras caiu mais do que pela metade no primeiro semestre

Por BRUNO DE OLIVEIRA, AB
  • 13/08/2021 - 11:25
  • | Atualizado há 1 mês
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    As remessas de lucros e dividendos que as empresas brasileiras do setor automotivo enviam para suas casas matrizes caíram mais da metade no primeiro semestre. Montadoras e autopeças multinacionais instaladas no Brasil remeteram até junho US$ 150 milhões às suas sedes, um valor 57% menor do que aquele remetido no janeiro-junho do ano passado, que foi de US$ 351 milhões.

    Para o consultor Osmair Garcia, o resultado é fruto da pandemia e seus efeitos sentidos na produção de veículos, "que enfrentou paralisações e limitou a oferta de modelos na distribuição, nos fornecedores, que viram os pedidos diminuírem no período, e no mercado de veículos, que ainda tenta recuperar os volumes".

    Por outro lado, disse Garcia, é preciso considerar que o Brasil tem representado nos últimos anos um mercado de baixa lucratividade para parte das empresas que compõem o setor automotivo regional. A General Motors, por exemplo, cogitou sair do País por esta razão, assim como a a Ford, de fato, encerrou sua produção local.

    Dados do Banco Central mostram que as remessas de lucros deixaram a casa dos bilhões de dólares a partir de 2014, quando o volume enviado às matrizes no ano foi de US$ 819 milhões. Em 2016, caiu para US$ 114 milhões e, desde então, vinha apresentando perfil de crescimento até desabar, de novo, em 2020 por causa da Covid-19.

    O investimento direto das matrizes, por meio dos empréstimos intracompany, também caiu no primeiro semestre. Os dados do BC mostram que foram injetados nas montadoras e autopeças instaladas no país US$ 3,696 bilhões até junho, valor 30% inferior àquele investido no primeiro semestre do ano passado.

    Neste caso, comenta Garcia, ainda que o valor seja inferior, os recursos desta vez chegam de fato para financiar a operação local e, também, novos projetos. No ano passado, por outro lado, os recursos que foram injetados nas empresas tinham caráter exclusivo de socorro financeiro às subsidiárias, que passaram a apresentar problemas no fluxo de caixa e no pagamento aos fornecedores.

    "As montadoras, apesar da crise que ainda perdura, estão se recuperando. Há melhora nas margens por veículo vendido por meio do reajuste de preços. O forte processo de corte de custos também deverá refletir no desempenho operacional daqui para frente, o que pode viabilizar remessas de lucros maiores a partir do ano que vem", disse Garcia, que foi vice-presidente financeiro da Volkswagen.