Mercedes-Benz confirma venda da fábrica para Great Wall

Marca chinesa diz que planta de Iracemápolis (SP) vai gerar 2 mil empregos e terá capacidade para 100 mil carros/ano

Por REDAÇÃO AB
  • 18/08/2021 - 11:14
  • | Atualizado há 2 semanas, 1 dia
  • 3 minutos de leitura

    A Mercedes-Benz do Brasil confirmou nesta quarta-feira, 18, que vendeu sua fábrica desativada em Iracemápolis (SP) para a chinesa Great Wall Motors (GWM), que ainda não tem uma operação oficial de comércio de veículos no País.

    De acordo com o comunicado divulgado para a imprensa, a negociação incluiu o terreno de 1,2 milhão de metros quadrados, juntamente com todos os prédios e os equipamentos de produção. A fábrica da Mercedes na cidade paulista começou sua produção em 2016, com a montagem dos automóveis Classe C e GLA, até que em dezembro do ano passado a empresa decidiu encerrar suas atividades, devido à queda nas vendas.

    Logo após o comunicado da Mercedes, a Great Wall também fez sua declaração oficial, na qual promete que "a entrega da fábrica está prevista para ser concluída antes do final de 2021 e a capacidade de produção anual da fábrica chegará a 100 mil unidades após a atualização, criando cerca de 2 mil empregos locais”.



    LEIA TAMBÉM:
    > Iracemápolis garante incentivos fiscais à Great Wall por 20 anos
    > Mercedes desmembrou terreno da fábrica antes da venda



    O grupo chinês afirmou que vai transformar a nova fábrica em uma de suas bases mundiais de produção inteligente de automóveis para centros urbanos, introduzindo conceitos avançados de produção, gestão de qualidade, proteção ambiental e gestão de informações seguindo os padrões globais da GWM, para atender tanto o mercado brasileiro quanto os demais da América do Sul.

    “Consideramos o Brasil um mercado estratégico no plano global de internacionalização. Dentro deste plano, nos dedicamos a estudar as preferências dos consumidores locais e o desenvolvimento e mudanças do mercado automobilístico. O investimento da Great Wall Motor trará uma experiência de mobilidade inteligente, segura e de alta qualidade para os usuários. Também criará mais empregos diretos e indiretos na região. Além disso, impulsionará o desenvolvimento de P&D local e de indústrias relacionadas, promovendo a transformação e atualização da estrutura industrial local e contribuindo com mais lucros e impostos para o governo brasileiro", disse Liu Xiangshang, vice-presidente da Great Wall.

    A Mercedes informou que a venda da fábrica paulista faz parte da estratégia da empresa alemã para otimizar sua rede de produção no mundo. “Com a transformação da companhia e o realinhamento da capacidade produtiva da nossa rede global de produção, estamos aumentando de forma sustentável a nossa eficiência produtiva. Com a Great Wall Motors, encontramos um comprador que dará à fábrica de Iracemápolis e região uma nova perspectiva para o futuro”, explicou Jörg Burzer, membro do conselho de administração da Mercedes-Benz AG, responsável pela gestão da cadeia de produção e abastecimento.

    Além da fábrica de Iracemápolis, a Great Wall também estava em negociação para adquirir o complexo industrial da Ford em Camaçari (BA), cujas atividades foram encerradas após a marca americana anunciar em janeiro o fechamento de suas fábricas no Brasil. Com isso, o governo baiano criou um grupo de trabalho para atrair compradores para a unidade de Camaçari e confirmou que fez contato com a embaixada da China no País para fomentar o interesse de montadoras chinesas.

    Apesar da venda, o campo de provas da Mercedes-Benz e seu centro de testes, que está sendo construído em parceria com a Bosch, ambos em Iracemápolis, não serão afetados. Com isso, a montadora alemã segue estabelecida em território brasileiro com suas unidades de São Bernardo do Campo (onde produz caminhões, chassis de ônibus e agregados) e Campinas (peças, serviços e treinamento), em São Paulo, e a fábrica de Juiz de Fora (onde monta cabines de caminhões), em Minas Gerais.


    A picape da Série P é um dos modelos da Great Wall que já têm desenho registrado no Brasil

    A montadora chinesa deve investir cerca de US$ 300 milhões para iniciar sua operação no mercado brasileiro, segundo informações da Reuters. Esse valor viria de um aporte de US$ 1 bilhão inicialmente destinado à Índia, mas que agora será parcialmente realocado para o Brasil em função de uma disputa diplomática entre os dois países asiáticos.

    Com a aquisição da fábrica paulista, a Great Wall dá início ao seu plano de ter produção própria de veículos no mercado brasileiro. O País é um antigo sonho da Great Wall, que pretende firmar uma base nesse que é o maior mercado da América do Sul.

    Na região, a fabricante mantém hoje uma pequena linha de montagem no Equador e vende seus carros em diversos países, como Uruguai, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile – este último onde atualmente faz seu maior volume regional, com 2,4 mil veículos vendidos. No mundo, a Great Wall vendeu 1,1 milhão de veículos no ano passado, a maior parte no mercado chinês.

    Ainda não se sabe oficialmente quais modelos da Great Wall serão comercializados no Brasil, mas a empresa já chegou a registrar dois modelos no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI): o SUV médio Haval H6 e a picape média Série P. A previsão que a marca deve começar a vender veículos importados da China no início de 2022, ficando a produção local para uma segunda fase do projeto.