Mercedes-Benz escreve história do transporte de passageiros no Brasil

Com longa tradição na produção de ônibus desde sua chegada ao País, fabricante é hoje referência global no desenvolvimento e na produção de chassis

Por WILSON TOUME, PARA AB
  • 27/08/2021 - 11:00
  • | Atualizado há 2 semanas, 1 dia
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    A trajetória de 65 anos da Mercedes-Benz no Brasil merece um capítulo inteiro dedicado aos ônibus produzidos pela empresa aqui, pois eles escreveram grande parte da história do transporte coletivo no País. Afinal, ônibus foi o primeiro produto da fabricante alemã montado em solo brasileiro, antes mesmo da inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), no início dos anos 1950, quando o polonês Alfred Jurzykowski importou os primeiros chassis da Alemanha para montar sobre eles as carrocerias “jardineiras” (Como já foi contado aqui).



    Este texto integra a cobertura especial dos 65 anos da primeira fábrica da Mercedes-Benz no Brasil
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    Jardineira com carroceria montada sobre chassi do caminhão L-312 importado da Alemanha: primeiro produto Mercedes-Benz montado no Brasil

    A fábrica de São Bernardo iniciou suas atividades em setembro de 1956 produzindo um caminhão (L 312) e um chassi de ônibus (LP 312), que eram praticamente o mesmo modelo – o segundo possuía suspensão traseira adaptada para o transporte de passageiros e posição adiantada do motorista, ao lado do motor. Desde então, a empresa já produziu no País 739 mil ônibus, somando chassis e monoblocos com carroceria completa, e já exportou 241 mil unidades deles para mais de 50 países nessas mais de seis décadas.


    Os primeiros veículos exportados pela Mercedes-Benz do Brasil foram o ônibus monobloco O-321H

    Operando quase sem concorrência, o domínio do mercado brasileiro de ônibus começou já no segundo ano de operação da fábrica, para nunca mais ser perdido. A liderança do segmento já dura impressionantes 64 anos, com participação que variou de mais de 90% a 50% recentemente. O resultado de tantos anos no topo é a comercialização de meio milhão de unidades no País, onde seis de cada dez ônibus em circulação têm chassis Mercedes-Benz, equivalente a uma frota circulante de 233,4 mil veículos.

    Para se ter ideia da importância que o segmento de ônibus ganhou na subsidiária brasileira da Mercedes-Benz, em 1979 a empresa abriu uma linha adicional em Campinas (SP), onde foram montados os monoblocos da marca até 1996, quando a Mercedes decidiu parar de fabricar carrocerias completas, e seguiu produzindo apenas chassis até 1999, ano em que a produção voltou a ser centralizada apenas em São Bernardo.


    Produção do monobloco O 362, nos anos 1970

    CINCO DÉCADAS DE SUCESSO




    O monobloco O-321H tinha chassi e carroceria produzidos pela Mercedes-Benz: lançado em 1958 com nacionalização de 82%, foi o primeiro com motor traseiro no Brasil

    A Mercedes-Benz ganhou fama e prestígio no segmento de transporte de passageiros graças a diversos modelos de ônibus, com destaque para o O-321H lançado em 1958, um dos projetos prometidos ao governo brasileiro três anos antes, que nasceu com impressionante índice de nacionalização inicial de 82,2%. Foi o primeiro ônibus completo produzido pela empresa no País, que inovou com o conceito monobloco e motor traseiro, até então com conforto inédito nas ruas e estradas do País. Era um veículo tão avançado que também foi o primeiro produto exportado pela unidade brasileira. Foi em 1961, quando um lote de 561 unidades foi enviado para a Argentina.

    Outro sucesso foi o O-326, lançado em 1968, apresentou aos brasileiros o estilo que se tornaria quase padrão em ônibus, com visual tão moderno que foi mantido durante anos, recebendo apenas atualizações. Mas foi em 1971 que a empresa apresentou aquele que se tornaria o seu produto de maior sucesso até hoje: o chassi OF 1721 (originalmente lançado como OF 1313), que segue em produção até hoje após diversas atualizações. “Esse é o nosso ‘pãozinho quente’”, definiu Maria Brito, gerente sênior de desenvolvimento da Engenharia de Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, referindo-se a enorme aceitação do veículo.


    Ônibus urbano com chassi OF 1721: maio sucesso de vendas da Mercedes-Benz no Brasil

    Para se ter ideia da importância do modelo, basta lembrar que foram emplacadas mais de 256 mil unidades do chassi OF no País ao longo dos últimos 50 anos, o que significa mais de 5 mil veículos por ano. Deste total, o OF 1721 responde por mais de 99 mil exemplares, o que faz desse chassi o campeão de vendas do segmento no mercado nacional.

    “Esse produto possui uma fama justificada e se consagrou junto aos nossos clientes por conseguir combinar versatilidade, simplicidade, robustez e eficiência”, afirma Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil. “Nesses 50 anos, muitas empresas nasceram, cresceram e se consolidaram no transporte urbano e rodoviário utilizando esta família de veículos da nossa marca em suas frotas”, acrescentou.

    A cada geração da linha OF, a fabricante foi agregando valor aos modelos em qualidade, eficiência e rentabilidade para os clientes, além de mais segurança para os passageiros e motoristas. Durante esse período, os chassis da gama evoluíram em Peso Bruto Total (PBT) e potência, além de receber inovações como a motorização eletrônica com menor consumo e menores índices de emissões, freio com ABS, retarder e a exclusiva suspensão pneumática dianteira e traseira para os modelos 1721 e 1724.

    REFERÊNCIA MUNDIAL EM CHASSIS DE ÔNIBUS




    Articulado O 500 UA: Brasil é centro de referência global no desenvolvimento e produção de chassis de ônibus do Grupo Daimler

    Com desempenho no setor superior ao da matriz na Alemanha, em 2004 a Mercedes-Benz do Brasil passou a ser o centro mundial de competência de desenvolvimento de chassis de ônibus do Grupo Daimler. “Se uma empresa do Egito for instalar uma carroceria sobre um chassi de ônibus produzido no Brasil ou na Índia, por exemplo, seremos nós os responsáveis para que esse encarroçador tenha todas as informações necessárias para realizar o serviço”, explicou Maria Brito.

    A gerente sênior lembra ainda que o Brasil foi escolhido para centralizar o desenvolvimento de chassis de ônibus em seu Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), localizado na planta de São Bernardo do Campo, pelo fato de ser o maior mercado da marca para esse produto em todo o mundo e também pela especialização dos profissionais brasileiros. Além disso, a centralização das operações no País garante mais qualidade e agilidade nos processos para os clientes.

    “O CDT brasileiro é responsável por tudo em termos de chassis de ônibus rodoviários para Brasil, México, Índia e Argentina. Em todo o mundo onde há chassis de ônibus Mercedes-Benz, os responsáveis pelo projeto estão no Brasil”, destaca Maria Brito.



    É importante destacar ainda que desde setembro de 2020 a produção de chassis dentro do complexo de São Bernardo passou a ser a mais moderna e tecnológica do segmento em operação no País, com a inauguração da nova linha 4.0, em 2020, que recebeu investimentos de pouco mais de R$ 100 milhões. Com isso, a empresa passou a utilizar novos processos e tecnologias de última geração, que proporcionam ainda mais qualidade, segurança e confiabilidade aos veículos – tanto para os destinados ao mercado local quanto aos exportados para países da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio.


    Nova linha de montagem de chassis em São Bernardo: investimento de R$ 107 milhões para adotar processos de manufatura digital da indústria 4.0

    DE OLHO NO FUTURO



    A Mercedes-Benz do Brasil vem modernizando seus projetos de chassis de ônibus para consolidar sua longeva liderança no segmento com foco em oferecer alternativas para a mobilidade com mais sustentabilidade, segurança e redução de emissões.

    No campo da segurança, a fabricante foi a pioneira no País a introduzir em ônibus sistemas eletrônicos de assistência ao motorista já presentes em alguns automóveis. Fazem parte desta iniciativa o controlador de velocidade de cruzeiro adaptativo (ACC, na sigla em inglês) disponível para modelos de ônibus rodoviários O500. Esses veículos também dispõem de pacote de itens de tecnologia e de conforto, que inclui frenagem automática de emergência (AEBS), monitor de permanência em faixa (LDWS), monitoramento de pressão e de temperatura dos pneus (TPMS), assistente de partida em rampa, sistema auxiliar de frenagem Retarder, freio-motor auxiliar Top Brake, suspensão com sistema antitombamento, freios com ABS, controle de tração (ASR), distribuidor eletrônico da pressão dos freios (EBS), suspensão pneumática com controle eletrônico (ECAS), eixo direcional (ERA) e sistema Power Mode, que garante maior segurança nas ultrapassagens.

    A Mercedes-Benz também trabalha já há algum tempo com combustíveis alternativos, com seus motores já aptos a trabalhar com biodiesel, diesel de cana, HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado, em inglês), que é um biocombustível de segunda geração.


    O chassi eO500U: primeiro ônibus padron elétrico do País

    O último lance dessa evolução foi a apresentação do seu primeiro chassi de ônibus elétrico, o eO500U, projetado para receber carrocerias de transporte urbano do tipo padron, de 13,2 metros, com capacidade para 83 passageiros, autonomia de 250 km a 300 km e tempo de recarga de duas horas e meia. A novidade chega ao mercado brasileiro em 2022.


    Mercedes-Benz tem hoje portfólio completo de chassis para todos os tipos de ônibus urbanos e rodoviários

    Hoje, o portfólio de chassis de ônibus da Mercedes-Benz é o mais completo do País, composto pelos modelos LO (micro-ônibus) e OF com motor dianteiro, OH e linha O500 com propulsor traseiro, que podem receber carrocerias de ônibus urbanos convencionais, padron, superpadron, articulados e superarticulados para diversos tipos de operações. Na linha rodoviária, há opções para curtas, médias e longas distâncias, assim como para fretamento e turismo. A empresa também fornece chassis para atender licitações públicas, como o programa Caminho da Escola do governo federal.