Montadoras projetam oscilação de market share por causa dos semicondutores

Paralisação das fábricas deverá promover mudanças na participação das fabricantes de veículos

Por BRUNO DE OLIVEIRA, AB
  • 04/08/2021 - 12:49
  • | Atualizado há 1 mês, 1 semana
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    A crise dos semicondutores não apenas produziu reflexos no fluxo logístico das montadoras e seus fornecedores como deixará marcas ainda mais profundas nas operações destas empresas até o próximo ano. Uma delas é a mudança de market share entre as montadoras, conclui pesquisa realizada pela Roland Berger apresentada durante o ABPlan 2021, realizado por Automotive Business na terça-feira, 3.

    O levantamento, que ouviu montadoras e sistemistas no segundo trimestre, mostrou que 43% do contingente entrevistado, a maior fatia, acredita que o principal impacto da paralisação das fábricas ocorrida por causa da falta dos componentes eletrônicos, que já atingiu no Brasil 14 plantas de oito fabricantes, é a diminuição ou aumento da participação das montadoras no mercado.

    Isso, de fato, já vem ocorrendo – a General Motors, que produzia o então best-seller Chevrolet Onix, viu sua posição no ranking de vendas despencar a partir do momento em que paralisou a produção do modelo compacto em Gravataí (RS). A lacuna deixada pelo veículo no mercado foi ocupada por modelos da Fiat, uma vez que a Stellantis, controladora da marca, seguiu com as linhas de montagem em marcha e, assim, manteve sua oferta disponível na rede.

    A marca, inclusive, poderá ter o crescimento da participação no mercado afetado a partir desta segunda-feira, dia 2, quando decidiu paralisar parte do quadro da fábrica de Betim (MG) por causa da falta de componentes, cenário que corrobora aquele traçado pelos resultados da pesquisa.

    "Haverá mudanças não apenas na participação de cada montadora, mas no desenho do fluxo logístico, com uma maior busca por localização de componentes como medida para diminuir a exposição das empresas aos riscos de um corte de abastecimento como ocorre agora", disse Marcus Ayres, consultor da Roland Berger, durante transmissão online.

    Para 2022, as tendências mais prováveis de serem vistas no setor automotivo, segundo as projeções da consultoria, serão a revisão ou renovação da oferta de produtos, no âmbito da estratégia, e a modernização das linhas de produção visando o corte de custos, no âmbito da manufatura.

    "Também há expectativa em torno dos cortes de custos e redução dos investimentos em projetos de inovação", completou Ayres.