Produção de motos em Manaus será a melhor em seis anos

Nova projeção dos fabricantes prevê 1,22 milhão de unidades e crescimento de 26,8% sobre 2020

Por MÁRIO CURCIO, PARA AB
  • 11/08/2021 - 17:22
  • | Atualizado há 1 mês
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    A produção nacional de motos em 2021 deve alcançar 1,22 milhão de unidades, o que será o melhor resultado desde 2015, quando o País fabricou 1,26 milhão de motocicletas. O número foi divulgado na quarta-feira, 11, pela Abraciclo, associação que reúne os fabricantes do setor de duas rodas. Se o dado se confirmar, haverá um crescimento de 26,8% sobre 2020, quando a pandemia de Covid-19 interrompeu as linhas de montagem da Honda (líder de mercado) por 60 dias consecutivos e da Yamaha (vice-líder) por outros 30, derrubando a produção anual do segmento para apenas 962 mil unidades.

    A produção de julho foi impactada por férias coletivas de dez dias, mas ainda assim registrou 95 mil motos. Esse volume foi 9,9% menor que o de junho. O acumulado dos sete meses atingiu 663,9 mil unidades, anotando alta de 35,4% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, as fábricas instaladas em Manaus (AM) correm agora para tentar reduzir as filas de espera. No início do ano havia uma demanda reprimida estimada entre 150 mil e 200 mil unidades, gerando espera superior a três meses para alguns modelos.

    “Acreditamos que esse número esteja agora em 50 mil unidades. As produções de agosto, setembro e outubro devem atenuar essa fila”, estima Fermanian.



    “Temos interesse em recuperar esse volume perdido, mas a necessidade de manter o distanciamento numa linha de montagem acaba impactando os volumes”, diz. Fermanian admite que houve dificuldades pontuais no abastecimento de componentes em Manaus, como o que afetou a produção da Yamaha em maio, mas garante que até agora não ocorreu uma “situação endêmica” (como na indústria automobilística) e não há essa perspectiva no horizonte.

    A revisão das projeções foi puxada pelo mercado interno, que acumulou nestes sete meses 629,9 mil motos zero-quilômetro emplacadas, 44,7% a mais que no mesmo intervalo de 2020. A procura elevada para os serviços de entrega e o crédito favorável movimentam o setor. Somente em julho foram entregues 112,6 mil motos, o melhor resultado mensal não só deste ano como também desde dezembro de 2015.

    Assim, a projeção inicial de 980 mil unidades feita pela Abraciclo para o mercado interno foi elevada para 1,14 milhão de unidades, 24,6% a mais que em 2020. O Brasil terminou o ano passado como sétimo produtor mundial de motos, atrás da Índia (21 milhões de unidades), China (16,8 milhões), Indonésia (4,36 milhões), Vietnã (2,87 milhões), Tailândia (1,62 milhão) e Taiwan (1,2 milhão). Fermanian ressalta o potencial do Brasil para estar no ranking dos cinco maiores, já que em 2011 o País superou 2,1 milhões de unidades.

    EXPORTAÇÃO CRESCERÁ ACIMA DE 50% ESTE ANO



    A melhora no mercado externo também levou a Abraciclo a rever para cima as vendas externas. Em vez de 40 mil, a associação prevê agora 51 mil motos, o que resultará em alta de 51,1% sobre o ano passado. O novo número também será melhor que o total de 2019 (38,6 mil).

    Em julho de 2021 o Brasil enviou ao mercado externo 6 mil motos, 36,7% a mais que em junho. O acumulado do ano teve 32,3 mil unidades. O volume é 115,4% mais alto pela comparação interanual. A Argentina absorveu nestes sete meses 9,4 mil motos, quase um terço do total. Na sequência ficaram Colômbia (7 mil) e Estados Unidos (6,6 mil).

    O patamar atual de exportações ainda é bem baixo quando comparado a anos anteriores. Em 2013 o Brasil enviou 105,8 mil motos ao mercado externo, três vezes mais que a nova projeção para 2021. O melhor ano da história foi 2005, com 184,6 mil embarques. Nos anos mais recentes até 2017 as exportações ainda serviam como uma espécie de 13º mês de vendas, mas a partir de 2018 os volumes caíram abaixo das 70 mil unidades. Naquele mesmo 2018, a média mensal de emplacamentos superou as 78 mil unidades e em 2019 ficou próxima a 90 mil motos. As dificuldades logísticas na Amazônia, o custo Brasil e as legislações nacionais para emissões e segurança mais rigorosas que em outros mercados regionais comprometem a competitividade das motocicletas fabricadas em Manaus.

    VENDAS PARA A REDE CRESCEM 33,4%



    As vendas no atacado, aquelas feitas entre as montadoras e suas concessionárias, alcançaram em julho quase 90 mil unidades. Como consequência das férias coletivas, o resultado foi 17,7% menor que o anotado em junho. Já o acumulado do ano indica alta de 33,4%, com 625 mil motos distribuídas para a rede nestes sete meses.