Opinião 

Por que não há futuro para uma montadora sem ser digital ou neutra em CO2

O negócio automotivo passa por reinvenção e, diante de tantas dúvidas, a direção da mudança está clara

Artigo-Priscilla
Priscilla Cortezze
  • 15/09/2021 - 18:09
  • 2 minutos de leitura

    A indústria automobilística vive um momento de transformação profunda dominado por duas grandes forças estratégicas: a descarbonização e a digitalização. Estes dois temas estão levando o setor a rever conceitos em todas as frentes de seus negócios, implementar mudanças na estratégia e desenvolver soluções em prol de uma sociedade e mobilidade cada vez mais sustentável. 

    É fato que a nossa indústria gradativamente se aproxima da de tecnologia. Há tempos que inovação e conectividade deixaram de ser somente palavras que remetem ao futuro. Existe uma visão 360º para o tema, olhando a digitalização em todas as faces do nosso negócio, do desenvolvimento e produção dos carros, à comunicação, vendas e pós-venda. Para citar um exemplo aqui na Volkswagen, com o VW Nivus, pela primeira vez na história, conseguimos conceber um modelo de forma 100% digital, quebrando o paradigma de ser desenvolvido sem a necessidade de um protótipo físico. Isso resultou em uma economia de 65% em custos e redução de 10 meses no tempo de desenvolvimento em relação a projetos anteriores. 

    É preciso digitalizar até mesmo a comunicação

    Uma revolução também ocorre na maneira como nos comunicamos. Foi também com o VW Nivus que adotamos um lançamento totalmente digital. Partimos dos grandes eventos de lançamentos físicos que sempre marcaram o nosso setor para o mundo das lives. Temos atualmente um estúdio próprio para transmissão de eventos em nossa fábrica na Anchieta. Diversas marcas tiveram que adaptar ou acelerar os planos para eventos digitais. Ainda que todos sintam a falta do contato físico, as lives trazem uma escala nunca antes vista para a comunicação com os mais diversos públicos e não há dúvida de que vieram para ficar.  

    A digitalização também abre um leque de novos modelos de negócios para a indústria, um exemplo são os carros por assinatura (nós temos o VW Sign&Drive), onde o cliente prefere a conveniência de assinar um serviço e não comprar um bem. 

    A jornada para reinventar uma indústria rumo à neutralidade de CO2

    Mas comparando as duas forças, a descarbonização é sem dúvida a força vital. As mudanças climáticas serão o maior desafio para a humanidade nas próximas décadas e a indústria caminha a passos largos para a descarbonização da cadeia automotiva seguindo um roteiro para uma efetiva proteção do clima, com claro e ambicioso objetivo: neutralizar as emissões de CO2. O setor de transporte responde por 16% das emissões globais de CO2, que decorre principalmente da queima de cerca de dois terços do consumo mundial de petróleo.

    Aqui na Volkswagen anunciamos globalmente investimentos de € 14 bilhões no programa Way to Zero, um amplo pacote de medidas para acelerar a descarbonização da empresa e de seus produtos tendo como meta neutralizar as emissões de carbono até 2050. No foco principal está a transição para a mobilidade sustentável e elétrica, a descarbonização da cadeia de suprimentos e de produção, e garantir fontes de energia limpas.

    Os desafios são enormes: queremos reduzir já em 2025 as emissões por veículo produzido em 50% e ter até 2030 mais de 70% dos nossos carros vendidos na Europa e 50% na China e EUA sendo elétricos. 

    No Brasil, o uso de biocombustíveis como o etanol mostra-se uma estratégia complementar à eletrificação para ajudar a neutralizar as emissões de carbono. O etanol é um caminho a ser seguido considerando que em termos de emissões e analisando todo o ciclo de vida, é tão eficiente quanto um veículo elétrico. 

    Fica claro que temos uma excelente oportunidade com os biocombustíveis e podemos ser um centro de excelência em desenvolvimento de biocombustíveis para países emergentes. O recém-anunciado Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Biocombustíveis da Volkswagen vai atuar em parceria com governo, universidades e a agroindústria para que possamos trabalhar com o que há de melhor e mais inovador para o futuro da mobilidade.

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    Priscilla Cortezze é diretora de comunicação e sustentabilidade e membro do board da Volkswagen América Latina.

    *Este texto traz a opinião do autor e não reflete, necessariamente, o posicionamento editorial de Automotive Business