
MOTIVAÇÃO,
RECONHECIMENTO E RECOMPENSA
Riane Pontarelli*
O crescimento
do setor automobilístico no ano passado deixou um otimismo pairando
no ar. O volume de vendas em 2005, maior que em 2004 (10% contra 8,7%),
e o número de emplacamentos superior em nove meses do ano passado
(se comparado aos mesmos meses nos anos anteriores) foram comemorados
no segmento. As boas notícias continuam. De acordo com a Anfavea
(Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores), as vendas durante o primeiro trimestre de 2006 totalizaram
417.600 veículos, representando um incremento de 12,6% quando comparado
ao mesmo período de 2005.
Especialistas
atribuem os bons resultados ao aumento da disponibilidade de crédito
e aos prazos de financiamento. Entretanto, com previsões de oscilações
na economia para este ano eleitoral, além dos tradicionais investimentos
em publicidade e propaganda, uma sugestão é investir em
outra ferramenta que tem se mostrado muito eficiente quando o assunto
é alavancar vendas. Trata-se do marketing de incentivo.
O que vem
a ser, entretanto, o marketing de incentivo? É uma ferramenta que
se sustenta no tripé: motivação, reconhecimento e
recompensa. Normalmente, as ações de incentivo visam aos
objetivos do negócio. No segmento automotivo podem ser utilizadas
para: aproximar a equipe de vendas dos concessionários à
fabrica; incrementar as vendas de determinados modelos; promover lançamentos
de novos veículos; melhorar a qualidade no atendimento ao cliente;
refinar a área de pós-venda e aumentar o faturamento, por
exemplo. Os resultados, na maioria das vezes, estão sempre atrelados
a metas. Ou seja, a idéia fundamental de uma campanha de incentivo
é alinhar o objetivo do negócio (aumentar vendas, diminuir
custos etc.) com as pessoas que trabalharão para isso.
Para concretizar
o uso desta estratégia é necessário, primeiramente,
uma campanha. O primeiro passo é fazer um levantamento dos fatores
que propiciam a ação, além de um mapeamento do público
que irá participar dela. Pode-se, por exemplo, fazer um levantamento
dos acessórios (para equipar carro) que tem menor procura, descobrir
os motivos das baixas vendas e fazer uma campanha de incentivo voltada
aos vendedores deste setor. Posteriormente, antes da campanha ser lançada,
são definidos: público-alvo, objetivos, metas, regulamento,
premiação, métricas de avaliação, estratégias
de comunicação e criação. É preciso
cautela nesta etapa. Definir metas possíveis de serem alcançadas,
estabelecer regulamento e métricas de avaliação claros,
além de escolher prêmios adequados ao perfil do público
é fundamental para o sucesso da ação. No setor automobilístico,
fatores. como disponibilidade de crédito e prazos de financiamento
oferecidos no período devem ser considerados. Outro passo decisivo
é o lançamento da campanha, momento de “engajar”
os participantes e fazê-los perceber que a empresa valoriza sua
equipe. Durante os meses em que ocorre a ação, é
necessário dar feed-back aos participantes, apresentando ranking,
comportamento do mercado e resultados alcançados. No final, o encerramento
merece a mesma atenção do lançamento, com a entrega
dos prêmios e reconhecimento dos destaques. A temática escolhida,
que será utilizada durante toda a campanha, precisa ser bem pensada.
É fundamental trabalhar com idéias que estejam ligadas ao
dia-a-dia dos participantes. Ao fazer uma campanha para incrementar as
vendas de carros, pode-se trabalhar com o conceito de velocidade, por
exemplo.
As opções
para premiar ou reconhecer os talentos são variadas, e dependem
do perfil e da disponibilidade de recursos de cada empresa. Há
cartões de premiação que permitem sacar determinada
quantia em dinheiro em agências bancárias ou fazer compras
em estabelecimentos credenciados. Algumas empresas premiam também
com viagens, que podem ser oferecidas por meio de um vale-viagem, ou organizadas
pela própria empresa para o grupo de vencedores. Vale tudo na hora
de incentivar, até mesmo prêmios mais tradicionais, como
eletrodomésticos e carros. No caso das montadoras, ao se optar
por premiar com carros, os custos com a campanha ficam ainda menor.
Por que investir
no marketing de incentivo? – Algumas máximas justificam o
investimento nesta ferramenta, como a frase que diz: “Coloque a
sua equipe em primeiro lugar e ela colocará os clientes em primeiro
lugar”. A conquista e a satisfação do cliente dependem
da atuação direta do fator humano, afinal há uma
concorrência muito grande, os produtos estão cada vez melhores
e o que diferencia uma companhia da outra é o atendimento.
Além
dos colaboradores se sentirem motivados durante a ação e
não medirem seus esforços na hora de batalhar pelos prêmios,
há também o efeito residual, ou seja, mesmo depois da premiação
e da campanha, os funcionários continuam fiéis à
empresa. Pesquisas comprovam que quem ganha uma viagem de incentivo, por
exemplo, chega a lembrar dela por dez anos.
Outra vantagem
é que o marketing de incentivo é praticamente autopagável.
A empresa só terá o investimento em premiações
(que representa de 70 a 80% do valor total investido) depois que as metas
propostas forem atingidas, seja aumentando lucros ou diminuindo custos.
Além disso, o ganho em produtividade é muito superior ao
gasto em recompensas.
Ações
de incentivo no segmento automotivo – O primeiro cliente da Incentive
House, há mais de duas décadas, foi uma grande montadora
para quem a empresa criou a campanha denominada “Shogun”,
voltada para a rede de concessionários e atrelada a todas as áreas
da autorizada, objetivando o aumento de faturamento.
Campanhas
também podem ser desenvolvidas com o objetivo de aproximar as equipes
de vendas dos concessionários à fábrica. Neste caso,
é necessária uma tecnologia para montar um banco de dados
para identificar quem são esses vendedores, o que eles pensam,
o que eles querem. Para isso, os participantes podem entrar em um site
gerenciador e escolher os prêmios que desejam, entre um rol de opções,
por exemplo. A montadora pode definir uma meta para cada concessionária
e o número deve ser dividido pelos vendedores de cada autorizada.
Ao alcançar seus objetivos, o profissional deve ser recompensado
com prêmios por esse resultado, e no final, ocorre uma grande premiação.
Com campanhas como essa é possível trazer a relação
fábrica – vendedores para o lado emocional. Além disso,
outros objetivos podem ser atrelados, como vendas com qualidade, produtividade
e alcance dos resultados.
Em uma campanha
como a descrita acima, a tecnologia desempenha um papel fundamental. No
passado, quando havia uma ação desse tipo, o vendedor tinha
que enviar uma cópia da nota fiscal para a fábrica. Agora,
pode ser elaborado um sistema em que o vendedor pontua, através
da Internet, os chassis que vendeu, o que confere mais agilidade na apuração.
Criar novos
caminhos para ampliar os resultados das empresas é uma excelente
opção para auxiliar os gestores a alcançarem os resultados
pretendidos. Com certeza, o marketing de incentivo pode ser uma criativa
e satisfatória ferramenta a ser utilizada pelos empresários
para aumentar a sua competitividade.
* Riane Pontarelli
é diretora de planejamento e criação da Incentive
House, empresa de marketing de relacionamento pertencente à Accentiv´,
marca mundial do Grupo Accor nos segmentos de incentivo, fidelização,
eventos, viagens de incentivo e produtos de premiação.
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