
FIAT
AUTO ANUNCIA INVESTIMENTOS NO BRASIL
A maioria das mudanças promovidas pela Fiat em sua estrutura no mundo,
especialmente na Europa, não atinge o Brasil, onde a marca irá
investir cerca de R$ 3 bilhões entre 2002 e 2006. O anúncio
foi feito em Belo Horizonte pelo superintendente mundial da Fiat Auto, Giancarlo
Boschetti, juntamente com o superintendente da Fiat Automóveis, Alberto
Ghiglieno. A Fiat Automóveis fechou o primeiro semestre na liderança
de vendas no mercado atacado de automóveis e comerciais leves, com
176.250 unidades comercializadas (26% de participação).
Uma parte
dos investimentos destinados ao Brasil já vem sendo realizada em
2002. Este ano, a Fiat vem investindo em sua unidade industrial de Betim
R$ 500 milhões, sendo R$ 100 milhões somente no desenvolvimento
de novos produtos, como o Fiat Stilo, que chega às revendas do
País neste segundo semestre. Durante a entrevista, a trajetória
de sucesso da Fiat no mercado brasileiro foi várias vezes citada
pelo superintendente da Fiat como exemplo de resultado a ser alcançado
pela marca no mundo.
Sobre a situação
enfrentada pela marca na Europa, Boschetti rejeitou, com firmeza, os rumores
de uma possível venda da divisão de carros para a GM em
2004 - prazo, na sua opinião, mais do que suficiente para que a
situação atual seja inteiramente revertida.
O superintendente
da Fiat explicou aos jornalistas brasileiros a reorganização
interna da divisão automotiva do grupo mundial. Em fevereiro último,
a Fiat Auto iniciou um radical e profundo processo de reorganização
interna, estruturando-se em quatro Unidades de Negócios: Fiat/Lancia/Veículos
Comerciais; Alfa Romeo; Desenvolvimentos Internacionais e Serviços
para o Cliente. "Entre os pontos-chave da estratégia pela
qual a Fiat Auto pretende sair da situação atual, que atinge
o mercado de carros de toda Europa, o mais especial será o que
trata do mercado italiano, cujo declínio contribuiu para deixar
a Fiat naturalmente mais evidenciada, já que 60% das vendas da
marca dizem respeito ao seu mercado doméstico", observa Boschetti.
A primeira
fase da estratégia da Fiat Auto foi dedicada à identificação
das áreas de intervenção prioritária, como
o mix dos canais de venda e a própria rede de venda, a estrutura
dos custos e a gama dos modelos. "Serão investidos 450 milhões
de euro nos próximos três anos e daremos prioridade às
50 maiores áreas metropolitanas da Europa, que representam 40%
do mercado", afirma o superintendente da Fiat Auto, acrescentando
que, no que se refere à estrutura de custos, uma política
de contenção com resultados imediatos será adotada.
Boschetti explicou outra questão importante enfrentada pela Fiat
Auto: o excesso de capacidade produtiva.
"Hoje
nossas fábricas utilizam apenas 70% de sua possibilidade, mas podemos
otimizar isso, por meio da redução das linhas de produção,
mantendo obviamente inalterada a gama de produtos e versões",
afirma, lembrando a já anunciada decisão de recorrer aos
instrumentos necessários para operar uma redução
de pessoal, de cerca de 2.400 unidades, correspondendo a 7% da força
de trabalho européia. "A elas devem ser acrescentadas outras
600 pessoas pertencentes a empresas de serviços do Grupo Fiat.
Estas medidas não implicam, porém, em fechamento de instalações",
ressaltou o superintendente da Fiat Auto.
O acordo
Fiat-GM, que em 2000 uniu as áreas de compras e de fabricação
de motopropulsores (motor e câmbio) das duas montadoras, também
foi lembrado por Boschetti como uma forte ajuda através das sinergias
- que quando estiverem em pleno funcionamento siginificarão a economia
de 1 bilhão de euro por ano.
"Teremos
50% dos componentes em comum e o objetivo mínimo no âmbito
da redução dos custos é diminuir o custo pleno do
produto em cerca de 5%", prevê o superintendente da Fiat Auto,
observando contudo, que "o desafio, mais uma vez, estará no
plano dos produtos e na revitalização das marcas".
De acordo
com Boschetti, o plano mundial de lançamentos da Fiat Auto prevê
a introdução no mercado de 20 novos modelos até 2005,
incluindo durante o período uma progressiva renovação
das motorizações. Além da Fiat e da Lancia, os investimentos
atingirão a marca Alfa Romeo, cuja volta ao mercado dos EUA está
prevista para 2005. "Vamos dedicar grande atenção também
aos veículos comerciais com uma política de renovação
dos modelos que vai atingir toda a gama, além de poder contar com
o Ducato, o modelo que sempre desempenhou o papel de 'ponta da lança'
nesta categoria de veículos", acrescentou Boschetti.
Outro ponto
importante da estratégia de reestruturação da Fiat
Auto, apresentada pelo superintendente da Fiat Auto, é a inteira
dedicação ao produto durante todo seu ciclo de vida. Investindo
com força na política comercial de varejo e no planejamento
do próprio produto, a Fiat objetiva garantir que os produtos disponíveis
nos próximos anos serão fortemente competitivos - do ponto
de vista de qualidade do produto, das vendas e do serviço de assistência
no pós venda.
O superintendente
da Fiat Auto informou, ao final do encontro com a imprensa, que o plano
industrial da estratégia de reestruturação prevê
investimentos de 2,4 bilhões de euro ao ano. "A Fiat Auto
trabalha intensamente para a contenção dos custos e para
projetar os futuros modelos, mantendo sempre no centro de nossa atenção
o cliente e o mercado. Contamos com produtos que sem dúvida estão
alinhados com a melhor concorrência, contamos com uma melhor qualidade
da venda como único sistema para levar à rentabilidade,
sem viver a quota de mercado como o pesadelo de todos os meses",
finalizou o executivo.
Quem é
Giancarlo Boschetti
Natural de Turim, onde nasceu em 14 de novembro de 1939, Giancarlo Boschetti
é formado em Economia e Comércio pela Universidade de Turim,
graduado em 1963. Entrou para o Grupo Fiat em 1964, no Departamento Financeiro
e Contábil da Fiat Auto. Posteriormente passou pelo Departamento
de Planejamento e Marketing, Departamento de Programação
e Departamento de Planejamento Econômico e Controle.
Em 1975,
tornou-se chefe do Departamento de Marketing e Desenvolvimento do Setor
de Componentes da Fiat. Em 1976 ingressou na Iveco como Diretor de Planejamento,
onde permaneceu até 1979, quando foi nomeado Diretor Gerente da
IVI, uma companhia produtora de tintas da Fiat.
Em 1981 retornou
à Iveco como Diretor de Compras, e entre 1982 e 1991 foi o responsável
pelas Operações Comerciais da Iveco. Em 1992 assumiu o cargo
de Chief Executive Officer da Iveco até assumir o cargo de Chief
Executive Officer da Fiat Auto em 10 de dezembro de 2001.
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