
Chegamos à era da
tensão criativa
Uma das principais aplicações está no uso de telefones
de bordo. Estatísticas em países do Hemisfério Norte
mostram que 63% dos usuários de celulares falam enquanto dirigem,
independente de leis, gerando mais de 350 milhões de minutos de
conversação por semana. Apesar de teses difundidas no Brasil
e abraçadas pelo Denatran, não houve aumento preocupante
de acidentes. Mas um sistema prático e barato de comandos de voz
é desejável também para vários outros usos.
Inclusive em sistemas de navegação por satélite previstos
para integrar em curto prazo uma frota de 30 milhões de veículos
no mundo, menos no Brasil, pelas miopias de sempre dos regulamentadores
de trânsito.
A combinação de entretenimento e informação
é tendência irreversível pelo tempo que as pessoas
gastam a bordo de veículos. Os rádios digitais terrestres
e por satélite crescerão bastante, mas no Brasil falta infra-estrutura
e provedores de serviços, o que preocupa a comunidade tecnológica
principalmente nesse campo.
Outros avanços ainda dependem de reduções
de custos, como os freios elétricos que eliminarão fluidos,
cabos e servos, proporcionando refinamento de esforço no pedal,
auxílio de partida em rampas e acionamento do freio de estacionamento
por botão. Um novo passo é o revolucionário sistema
de dois discos e três pastilhas (a pastilha central de dupla superfície
de atrito), que traria simplificações em outros componentes.
Tecnologia brasileira também teve vez no seminário,
basicamente em relação aos motores flex álcool/gasolina.
Emissões ainda mais limpas, tempo de partida a frio 25% inferiores
e até sem auxílio de gasolina foram previstos. Combustíveis
alternativos, gás natural inclusive, são importantes em
tempos de petróleo a US$ 40,00 o barril. Pela primeira vez, o preço
da gasolina nos EUA e no Brasil estão igualados, quando historicamente
aqui era o dobro. Por enquanto, a Petrobrás queima um pouco do
lucro fabuloso (e justo) do ano passado. Até quando, não
se sabe.
A busca por economia se aprofunda. Óleos lubrificantes
de maior durabilidade e em especial os de baixa viscosidade podem diminuir
em até 3% o consumo de combustível, objetivo que demandaria
investimentos muito mais pesados em outras partes e componentes de um
automóvel. Também nessa área, ajudado pela reciclagem,
o seminário destacou matérias primas brasileiras como fibras
de coco e de curauá (parente do abacaxi) em bancos e revestimentos.
Em tempos de demanda dos consumidores evoluindo mais rápido
que as soluções, conforme lembrou Márcio Alfonso,
da Ford, chegamos à era da tensão criativa. Todos em busca
de desenvolvimentos que representem melhorias de forma contínua
e de baixo custo (Fernando Calmon, Alta Roda, 17 de maio).
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