Combustíveis e motores flexíveis: mais ação e menos confusão

No arrazoado da Anfavea, nem todos os associados dominam a tecnologia e a mudança não ampliaria o mercado. Ora, os motores flex são uma realidade disponível para o fabricante que quiser. Carga fiscal menor representa vantagem para o consumidor, em especial quando se torna definitiva, como a entidade defende. Afinal, dentro de três anos os flex responderão por mais de 70% das vendas totais (hoje, 13%). Incentivo a combustível alternativo é regra no mundo. Aqui ainda há resistências. O programa de renovação da frota de táxis não contempla o flex e nenhum Estado o enquadrou como carro a álcool em termos de Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A associação pouco fez nesse sentido.

A discussão sobre alíquotas do imposto federal (IPI) deveria ser mais racional. Sempre existiu uma diferença de 5 pontos percentuais a favor do combustível vegetal. Para manter a proporcionalidade, o flex entre 1.000 e 2.000 cm³ deveria pagar 12% (e não 13%) e na faixa mais representativa, a dos motores até 1.000 cm³, o correto seria 7% em vez de 9% atuais, que significam zero de incentivo. Sem sentido, portanto, achar que o mercado ficaria igual, se adotadas as alíquotas corretas.

Em meio ao tiroteio também há boas notícias. Uma, o governo federal, finalmente, decidiu investir para recuperar 12.000 km de estradas no prazo de um ano. Outra, a missão à China, em maio, tentará ampliar as exportações de veículos. E também o acordo com a União Européia pode ser assinado até outubro, levando à paulatina redução do nosso severo imposto de importação. E a Ford vai abrir o terceiro turno na nova fábrica de Camaçari, BA a partir de agosto para ampliar a produção e lançar em seguida o Fiesta sedã. São 2.100 empregos em torno do complexo industrial, volume antes previsto para 2007.

Ocupação da capacidade instalada é a prioridade número um da indústria. Ociosidade elevada significa quebra de escala de produção, custos maiores, pressão de oferta maior que a demanda. A última fábrica a trabalhar em três turnos foi a do Gol em Taubaté, SP até dezembro último. A da Peugeot-Citroën, em Rezende, RJ pode esgotar a capacidade em dois turnos já no final de 2005. Apesar da lenta recuperação do mercado interno, as exportações podem garantir este ano uma produção de 2 milhões de unidades quase igual ao recorde de 1997.

Por isso qualquer economia importa no estímulo ao consumidor. Seja no imposto ou no preço do quilômetro rodado que, no caso do flex, pode chegar a uma vantagem de R$ 1.000,00 por ano em um modelo médio, refletindo-se na prestação do financiamento e na capacidade de endividamento do comprador. O importante é mais ação e menos confusão.

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