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Mercado e Negócios | 27/01/2012 | 16h08

Ford apura lucro recorde distorcido de US$ 20,2 bi em 2011

Companhia registra 10 trimestres seguidos no azul

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB

A Ford apurou lucro líquido recorde de US$ 20,2 bilhões em 2011, o que representou alta de 208% sobre o ganho de 2010, segundo comunicado da companhia divulgado na sexta-feira, 27. O resultado, contudo, foi distorcido para cima por uma baixa contábil extraordinária no balanço, que não envolveu dinheiro vivo, no valor de US$ 12,4 bilhões, relativos provisões sobre créditos de isenções fiscais que a empresa deixou de receber a partir de 2006, quando registrava prejuízo e, portanto, não podia contabilizar incentivos tributários sobre impostos que não pagava. Com a volta dos números ao azul, no último trimestre de 2011 a Ford teve de recolocar o valor desses créditos na coluna de ganhos, o que fez o lucro líquido subir artificialmente – da mesma forma que, no passado, a operação fez o prejuízo crescer abruptamente.

Excluindo-se esse fator extraordinário, que não se repetirá nos próximos meses, o lucro líquido ajustado da Ford em 2012 cai para US$ 7,8 bilhões, ainda assim 19% maior que o obtido em 2010. Em comunicado, a companhia considerou o resultado positivo, em linha com as metas traçadas para esta década. O lucro operacional antes de impostos de US$ 8,8 bilhões no ano passado, 6% acima do exercício anterior, comprova que a atividade-fim da empresa (fabricar e vender veículos) voltou a ser rentável após vários balanços no vermelho.

Com lucro operacional antes de impostos de US$ 1,1 bilhão contabilizado nos últimos três meses de 2011, a Ford registra 10 trimestres consecutivos de operações rentáveis, desde meados de 2009, quando conseguiu estancar os prejuízos que foram sendo acumulados a partir de 2006. Em todo o mundo a Ford vendeu quase 5,7 milhões de veículos durante 2011, aumento de 7,3% sobre 2010. O faturamento global atingiu de US$ 136,3 bilhões, 12,7% superior ao do exercício anterior.

Após acumular sucessivos resultados positivos, as dívidas da Ford também entraram em regressão. Em 31 de dezembro passado as operações automotivas tinham dívida total de US$ 13,1 bilhões, US$ 6 bilhões a menos do que um ano antes. A Ford terminou 2011 com liquidez de US$ 32,4 bilhões e US$ 22,9 bilhões em caixa, ou US$ 9,8 bilhões além do necessário para saudar a dívida total – em 2010 o saldo positivo era de US$ 1,4 bilhão.

“Em 2011 aumentamos o caixa das operações automotivas, reduzimos a dívida e melhoramos a liquidez, limpando o caminho para retomar o pagamento trimestral de dividendos (aos acionistas)”, comemorou Lewis Booth, vice-presidente executivo de finanças.

GANHOS NAS AMÉRICAS E NAS FINANÇAS

“Apesar das contínuas incertezas do ambiente externo, a força de nossas operações na América do Norte e da Ford Credit (braço financeiro do grupo) permitiu que continuássemos a investir no crescimento futuro, com o desenvolvimento de produtos líderes de seus segmentos em qualidade, economia de combustível, segurança, design inteligente e valor”, disse em comunicado Alan Mulally, presidente mundial da Ford.

Nas operações industriais e comerciais, em 2011 a Ford obteve lucros somente nas Américas, principalmente na divisão norte-americana (que inclui Estados Unidos, Canadá e México), que foi responsável por 70% do resultado mundial da companhia. Na América do Norte o lucro operacional anual antes de impostos somou US$ 6,2 bilhões, 14,8% maior do que em 2010. A Ford credita o desempenho ao maior volume de vendas na região e recuperação de preços, que foram parcialmente prejudicados por elevação de custos de matérias-primas, fretes e garantia.

Na América do Sul, onde o Brasil representa 80% dos negócios, o balanço regional continuou no azul, mas os ganhos perderam ritmo. Foi apurado na divisão lucro operacional antes de impostos de US$ 861 milhões, baixa de 14% sobre o US$ 1 bilhão de 2010. O recuo é explicado pela Ford pelo aumento de preço de commodities industriais e pela queda de 18 mil unidades nas vendas, para 124 mil veículos.

Na Europa e Ásia/Pacífico os prejuízos recuaram em 2011, mas os balanços regionais continuaram no vermelho. Na divisão europeia, com vendas menores e queda de rentabilidade das diversas subsidiárias, a perda operacional foi de US$ 27 milhões, contra US$ 182 milhões em 2010. Na Ásia/Pacífico o resultado negativo foi de US$ 92 milhões, ante US$ 189 milhões um ano antes. As enchentes na Tailândia prejudicaram o desempenho, com perda de produção da Ford no país estimada em 34 mil unidades.

O braço financeiro da companhia, a Ford Credit, ajudou no desempenho positivo de 2011, com lucro operacional antes de impostos de US$ 2,4 bilhões, ainda que 22,6% menor do que o obtido em 2010.



Tags: Ford, balanço, lucro, prejuízo, resultado.

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