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Indústria | 11/09/2012 | 23h57

VW: regime automotivo seria dispensável

Opinião é de Alexander Seitz, vice-presidente de compras da montadora

PAULO RICARDO BRAGA, AB

Alexander Seitz, vice-presidente de compras da Volkswagen para a América do Sul, não esconde a insatisfação com os rumos do regime automotivo, que deve ganhar um novo arremate nos próximos dias. ''De nada valerá o esforço. Teria sido melhor deixar as empresas correrem atrás de competitividade e buscarem melhor qualidade'', afirmou na terça-feira, 11, pouco antes da entrega, em São Paulo, do VW Supply Award aos melhores fornecedores da montadora.

''O índice que será exigido dos fabricantes de veículos não nos afeta. O índice médio de localização de nossos produtos está acima de 80%'', assegurou. No caso da Kombi o valor chega aos 88,9%; já para a Amarok, mais recente, o índice é de 66,1%. Para novos projetos a expectativa é atingir 80%, como pode ser o caso do Up!, que deverá ser produzido na planta de Taubaté (SP), informação não confirmada pela montadora.

Há otimismo na Volkswagen quanto à evolução do mercado brasileiro, seja medida pelo prisma da Anfavea ou da Fenabrave, que arriscam previsões de avanços entre 2,7% e 6,3%. Seitz aposta no efeito positivo dos seus novos produtos e tecnologias da marca, na chegada de plataformas globais em substituição às atuais (com índice expressivo de tecnologias locais), novas plantas (como a de Taubaté, ao lado da atual) e maior nível de produtividade, tudo isso para alavancar o crescimento da empresa. Schmall faz coro com ele. Os dois ficaram bastante satisfeitos com as negociações concluídas na área sindical, fechando acordo de três anos com os trabalhadores. ''Foi uma vitória importante, que trará estabilidade à operação'', disse Seitz.

O executivo, responsável por R$ 16 bilhões em compras junto a 700 fornecedores para abastecer a produção da Volkswagen no Brasil e Argentina em 2011, enfatiza a necessidade de automatizar a produção, como passo indispensável para racionalizar custos. ''A mão de obra é cara'', admite. E também as matérias-primas, como já demonstrou estudo da PricewaterhouseCoopers, demonstrando fragilidade competitiva do País ante China, México e Índia.

Seitz admite que está ''um pouco mais satisfeito'' com os fornecedores do que nos dois anos anteriores, à véspera de entregar o VW Award. Ele entende que houve avanços. Mas lembra que há novos candidatos chegando à praça. Seriam os mesmos que vão trabalhar com os newcomers chineses, coreanos ou a Toyota, como a Mobis, Hysco, MS Autotech e Toyota Boshoku, embora ele não faça referências específicas.

O vice-presidente exortou os fornecedores interessados em expansão a analisarem incentivos oferecidos pelo governo na área fiscal e também avaliarem diferenças salariais regionais. ''É importante repensar onde produzir, avaliar acordos sindicais''. Ele acredita que essas iniciativas podem trazer economias expressivas nos resultados finais.

OTIMISMO

Seitz está otimista com o nível de reservas estrangeiras acumulado no País, com o atual patamar dos juros básicos, com a relativa facilidade de crédito e com a chegada da Copa do Mundo e das Olimpíadas, que trarão investimentos em infraestrutura. ''O mercado automotivo vai crescer e estamos confiantes. Vamos reduzir bastante as emissões pelos novos veículos com a introdução de novos motores, mais econômicos. Haverá itens importantes de segurança, como ABS e airbags, como manda a legislação, e de conforto. Não descuidamos do design e novas tecnologias'', justifica.

Schmall lembrou, durante a apresentação aos fornecedores, que a padronização de plataformas em nível global chegará ao Brasil e será um importante instrumento para que a marca se torne líder mundial de vendas até 2018. Em especial, a seção que compreende o powertrain dos veículos será comum em muitas plataformas, trazendo economias. Ele comentou que o IPI salvou as vendas no mercado interno, que iam mal e agora estão em alta. ''Estamos atentos à produção, já que pode haver escassez de alguns componentes com a demanda elevada', explicou. 'O fim do ano pode ser meio complicado com essa corrida à produção'.



Tags: Volkswagen, VW Supply Award, Kombi, Amarok, Up!, PwC.

Comentários

  • Marcel Enzo Berloni

    Inacreditável: "Teria sido melhor deixar as empresas correrem atrás de competitividade e buscarem melhor qualidade" . A VW está no Brasil há mais de 50 anos e poucas vezes mostrou estar relamente fazendo isso. Iria fazer justo agora?????? Onde está a competitividade da VW Brasil, com seus produtos nacionais extremamente defasados, pelados e caros? Uma vergonha citar indice de localização da Kombi!! O que é isso? Brincadeira com os leitores????

  • Jorge Ferreira

    Achei muito infeliz a citação do Sr. Alexander Seitz: ''De nada valerá o esforço. Teria sido melhor deixar as empresas correrem atrás de competitividade e buscarem melhor qualidade''. Acredito ser uma ótica muito exclusiva de um executivo apoiado em um forte "lob" de defesa de seus interesses e que só enxerga uma cadeia de fornecimento adjacente e composta por outras multinacionais. Até que ponto ele enxerga toda a cadeia de produção? até que ponto ele conhece as dificuldades das pequenas empresas nacionais, sujeitas praticamente as mesmas regras das gigantes multinacionais que sabidamente operam com fortes margens de lucro? Até que ponto ele pode afirmar que a margem média de nacionalização de seus fornecedores imediatos é de 80%. Acredito que se estas informações fossem corretas não se justificaria as informações do grande déficit das autopeças que aliás continua crescente.

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