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Balanço | 24/01/2013 | 19h5

Montadoras remetem US$ 2,44 bi em lucros

Em 2012 o setor continuou entre os que mais enviaram recursos às matrizes no exterior

PEDRO KUTNEY, AB

Apesar de expressiva redução nos valores, no ano passado os fabricantes de veículos instalados no Brasil continuaram no grupo das empresas multinacionais que mais remeteram lucros e dividendos às matrizes no exterior, obtidos sobre suas operações brasileiras. Segundo dados divulgados pelo Banco Central esta semana, o total enviado somou US$ 2,44 bilhões em 2012, o que representa 11,3% de todos os dividendos pagos no período, colocando as montadoras em segundo lugar entre todos os setores pesquisados pelo BC, perdendo por pouco para o setor de bebidas, que mandou US$ 2,49 bilhões, 11,5% do total.

O total remetido em 2012 registra substancial queda de 56% sobre 2011, quando o setor atingiu o recorde histórico de US$ 5,6 bilhões remetidos e foi o que mais mandou lucros para fora. Com isso, as montadoras tiveram recuo maior do que a média de todos os setores, que foi 25,7% no ano passado. Na verdade, os fabricantes de veículos ficaram mais próximos dos valores remetidos usualmente por empresas de outras atividades, mas ainda assim continuam no topo da lista dos que mais mandam dinheiro ao exterior.

A queda na remessa de lucros observada no ano passado poderia ter sido bem menor se não fossem dois fatores combinados: a desvalorização de mais de 20% do real diante do dólar e recuo nos ganhos.

A taxa de câmbio em 2012 sozinha comeu boa parte dos ganhos, tornou-se desfavorável aos pagamentos externos, pois as empresas conseguiram comprar menos dólares com os reais que faturaram aqui. O outro vetor de baixa foi a necessidade de ficar com mais recursos no Brasil para investimentos em ampliações de fábricas e lançamento de novos produtos. Ao mesmo tempo, a economia brasileira reduziu seu ritmo de crescimento e o mercado de veículos andou retraído em 2012, o que obrigou as montadoras a oferecer descontos e lucrar menos.

Os fabricantes de caminhões, em especial, tiveram grandes dificuldades em enviar lucros às matrizes, pois o mercado foi duramente afetado pela mudança de legislação de emissões, agravada pelo ritmo lento da economia.

Em um ano difícil para o setor, os US$ 2,44 bilhões remetidos comprovam a competência das montadoras em continuar lucrando no País.

Tags: Lucros, dividendos, remessas, exterior, Banco Central, setor externo.


Comentários

  • Ronaldo Gomes Ribas

    Tendo em vista os empréstimos milionários do BNDES às montadoras aqui instaladas, a redução do IPI e a manutenção do nível de mão de obra, é inadmissível qualquer remessa de lucros, mesmo porque as montadoras só alegam prejuízos ano após ano! ...Além do mais as multinacionais aqui instaladas vêm sistematicamente demitindo, reduzindo salários e importando executivos para os altos cargos...!!!

  • Paulo Rando

    Enquanto o Brasil perde com na arrecadação, as multinacionais mandam dinheiro para os acionistas, não sou favorável as atuais taxas, mas vemos claramente que ainda as montadoras ganham muito com as margens estabelecidas.

  • Francisco Leme Galvão

    2.44 bi de reais são apenas os lucros remetidos contabilizados em noeda. Seria interessante se calcular os lucros adicionais remetidos embutidos em exportações a valor abaixo do custo real e em importações acima do custo, graças a nossa política governamental de incentivos e isenções. O BraZil é delas. Abraços Galvão

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