
A cenário da capital do estado do Texas, Austin, está em transformação. Nas últimas semanas, carros autônomos passaram a rodar no município dos Estados Unidos, tornando o visual mais futurista. Trata-se de veículos com tecnologia Waymo (empresa da Alphabet, que controla o Google), que ficam disponíveis dentro da plataforma da Uber.
Adaptados com uma série de sensores e câmeras, unidades do elétrico Jaguar iPace rodam por Austin no serviço. As empresas não detalham o número de veículos, mas a impressão é de uma frota é considerável já que, ao andar pelo centro da cidade é fácil topar com a curiosa cena de um automóvel que carrega passageiro, mas não tem motorista.
A capital texana é uma cidade relativamente pacata, com um milhão de habitantes. Conhecida pela cultura efervescente de música ao vivo e por sediar um dos maiores festivais de inovação do mundo, o South by Southwest. Nos últimos anos, floresceu como um polo de inovação e empresas de tecnologia, tanto que passou a abrigar uma grande estrutura do Google e uma fábrica da Tesla.
A seguir, a reportagem separou seis fatos que esclarecem como funciona e quais são os impactos da operação de carros autônomos da Waymo com a Uber:
1- Como funciona?
O serviço funciona assim: o usuário solicita um carro da Uber e pode, aleatoriamente, ser atendido por um modelo autônomo da Waymo. Não há uma categoria específica para esses veículos e, por enquanto, ainda é difícil decifrar os critérios do algoritmo da plataforma e do veículo para oferecer uma viagem de automóvel autônomo – tanto que a reportagem tentou a sorte por diversas vezes e não conseguiu.
“O serviço só está começando em Austin. Nos próximos meses, com certeza todos os usuários da região terão a chance de ter uma viagem de carro robô”, prometeu Wendy Lee, diretora de gerenciamento de produto da Uber, durante bate-papo sobre o tema no SXSW.
Para os felizardos que já conseguiram pegar carona com a tecnologia, a descrição é de uma experiência bastante personalizada e intuitiva. O celular destrava a porta do carro, o veículo recebe o passageiro com o seu nome em uma tela. O sistema informa a hora de descer, além de sinalizar que vai procurar um lugar seguro para parar.
2- Promessa de experiência melhor
Segundo Wendy Lee, ainda que o serviço cause certo estranhamento inicial, a avaliação dos usuários sobre as viagens sem motorista tem sido positiva. “E isso acontece em todas as cidades em que temos o serviço. Tanto aqui, quanto em Atlanta, na Georgia, e em Phoenix, no Arizona. No fim, é uma experiência mágica”, diz.
A diretora de gerenciamento de produto da Waymo, Shweta Shrivastava, que participou da mesma discussão do SXSW, disse que a boa experiência relatada pelos usuários é resultados do esforço das duas empresas para garantir que a tecnologia gere confiança. “O sistema não pode ser assustador. Precisa parecer natural”, defende.
3- Desconfiança da comunidade sobre carro autônomo
Ainda que as empresas prometam tecnologia amigável e quem usa o serviço faça boas avaliações, nem todos estão felizes com carros autônomos nas ruas de Austin. Conforme apurou a newsletter Axios da cidade, parte da comunidade não está confortável com robôs em circulação nas ruas sem a supervisão de humanos.
Os carros rodam de forma, digamos, conservadora: baixas velocidades e sempre dão a preferência a pedestres e outros veículos. Ainda assim, estamos falando de robôs de mais de duas toneladas cujos algoritmos tomam milhares de decisões por segundo.
Questionadas sobre o tema, as empresas asseguram que a solução só tem a contribuir para a qualidade de vida de Austin. “Estamos fazendo a diferença onde estamos em operação, com contribuição para reduzir o número de acidentes nas vias”, diz Shrivastava.
Na capital do Texas, por enquanto, a solução só roda no centro. O plano, no entanto, é expandir as viagens para rodovias do entorno, com corridas, por exemplo, de ida e volta para o aeroporto da cidade.
4- Parceria entre Uber e Waymo pelo carro autônomo
Dentro da parceria entre Uber e Waymo, as corridas são oferecidas na plataforma de viagens compartilhadas e a solução de condução autônoma é da subsidiária da Alphabet.
A primeira fica responsável por cuidar da frota, garantir que os carros estejam limpos e carregados. A segunda garante a operação, de olho para que nada dê errado com a tecnologia e que os carros sempre funcionem bem, dentro das rotas esperadas pelos clientes, com a manutenção em dia.
5- É o fim do motorista?
Na conversa no SXSW, as executivas pareceram divergir um pouco sobre o tema. Wendy Lee, da Uber, garantiu que o motorista sempre estará presente, ainda que o carro autônomo ganhe espaço. “Acreditamos que futuro é misto”, diz. Segundo ela, robôs serão mais indicados para algumas corridas, enquanto outras precisarão de condutores humanos. “Sempre teremos de tudo.”
Já Shweta Shrivastava, da Waymo, diz que a empresa tem o desafio de “chegar no coração e mente das pessoas” para mostrar que um carro da empresa é mais seguro do que um motorista humano. Assim, talvez a meta seja fazer com que, em um futuro distante, as pessoas prefiram um carro autoguiado.
6- Uber e Waymo trarão carro autônomo para o Brasil?
A resposta objetiva a essa pergunta é: não agora, mas não está fora de cogitação. A executiva da Waymo não revela sequer quais carros da empresa estão hoje em circulação, apenas que já foram mais de 20 mil viagens nos Estados Unidos. Agora, o serviço vai estrear em Tóquio, no Japão, e o plano é expandir globalmente a partir disso.
“Estamos em um ponto de inflexão da tecnologia para que ela ganhe muita escala – sempre com foco em segurança”, diz. Shweta conta que agora o caminho será expandir para muitas cidades mundo afora.
Questionada sobre o Brasil, ela diz que não pode detalhar. Pelas condições mais complexas de trânsito das cidades nacionais, talvez a chegada dos carros autônomos nas ruas do país fique para uma segunda chamada, quando a tecnologia tiver um pouco mais de gingado para lidar com o imprevisível.
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