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À espera de IPI Verde, GWM quer duplicar vendas e manter rentabilidade

Fabricante confirma mais lançamentos para este ano e produção de SUV no Brasil no segundo semestre
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Fernando Miragaya

20 fev 2024

4 minutos de leitura

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A GWM vai passar a segunda marcha e, quiçá, a terceira, em 2024. Com o primeiro ano cheio de vendas da linha híbrida Haval e do elétrico Ora, a fabricante chinesa quer engordar vendas e receitas, aumentar o portfólio e manter o trabalho de construção da marca.

O planejamento passa pelo estabelecimento da logística que envolve os dois modelos da montadora até então. Será o primeiro ano cheio de vendas do Haval H6 e do Ora 03 e a meta é dobrar as vendas – em 2023 foram mais de 12 mil unidades.


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Nem mesmo a nova guerra de preços na parte de baixo do mercado de elétricos parece afetar a serenidade com que a GWM tenta demonstrar nos negócios. Até pela faixa de preço na qual a fabricante atua no Brasil.

“A questão do custo está internacionalizada no planejamento do ano e dentro do plano de construção da marca. Já temos uma linha com tíquete médio mais alto, que ajuda a absorver as variações que fazem parte da volatilidade normal que acontece no Brasil”, explica Andre Leite, diretor das linhas Haval e Ora, durante o evento GWM Exprience Drive Days, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP).

Vendas maiores da GWM passam por lançamentos

O executivo defende que a GWM está competitiva dentro de dois recortes de faixas de preço no mercado. A de modelos “gerais” entre R$ 150 mil e R$ 230 mil – com as versões de entrada do Ora 03 e do H6 – e os eletrificados acima dos R$ 270 mil – H6 plug-ins e Ora GT -, onde ele vê a marca melhor posicionada.

Tal leitura de mercado vai, inclusive, balizar os próximos lançamentos e vendas da GWM. Leite confirmou a promessa das 10 estreias no Brasil, mas não detalhou quais modelos chegam este ano.

“Temos produto bem posicionado, com alto valor agregado e o público está vendo este valor. Vamos estabelecer onde a gente vai criar algumas coisas, sem ser ganancioso para não perder mercado. A ideia é continuar com as duas versões acima dos R$ 270 mil e preencher melhor a faixa abaixo. Compondo o portfólio com produto local e importado”, detalha o diretor da GWM.

Mesmo sem dar detalhes, para o segundo semestre está certo o lançamento do primeiro modelo produzido em Iracemápolis. Será um SUV da linha Haval, e muito provavelmente o H6 que hoje é importado – conforme Automotive Business antecipou, a empresa mudou a estratégia e deixou a produção da picape Poer para 2025.

IPI Verde pode definir portfólio

Andre Leite conta que representantes da filial brasileira da GWM estiveram na China no último trimestre de 2023 e estudaram várias possibilidades de carros da fabricante que podem vir para cá.

O plano de lançamentos, porém, depende das definições do Mobilidade Verde e Inovação (Mover). Detalhes do programa setorial quanto a algumas regras e a questão do IPI Verde vão definir os futuros produtos que serão vendidos aqui em 2024 e 2025. 

Mesmo assim, Leite não se mostra preocupado com estas pendências regulatórias devido à flexibilidade de manufatura da matriz.

“A marca quer estar na cabeça dos brasileiros, mas também precisa ter rentabilidade. A gente fica menos preocupado porque a velocidade da matriz é muito grande e nos ajuda a ter essa flexibilidade”, garante.

GWM adere às vendas diretas, mas com cautela

A estratégia da GWM de aumentar as vendas passa por um incremento da rede. Porém, o plano é investir mais em showrooms. Hoje são 42 concessionárias e 28 pontos de exibição de veículos em shoppings. 

Novamente sem citar números, a ideia é aumentar a base. E expandir para novas regiões com a diversificação do mix – que incluirá a picape média Poer. Além de aumentar o relacionamento com clientes e potenciais consumidores, como no evento GWM Experience, que acontece nesta penúltima semana de fevereiro. 

A expectativa, nos quatro dias de evento, é promover 1.500 test drives na pista de Interlagos. Entre os convidados, porém, vários representantes de três locadoras chamavam a atenção nos boxes do Autódromo de Interlagos.

Segundo Andre Leite, a ideia é explorar o negócio de vendas diretas de forma comedida. Em outras palavras, foco mais em carros para executivos de empresas com frotas terceirizadas, justamente por se tratar de volumes menores e, por conseguinte, descontos menores. Até para não ter reflexos em desvalorização acentuada desta frota no mercado de usados futuramente.

“Temos a política de não fazer ‘venda balcão’ e trabalhamos mais terceirização da frota. Temos muito cuidado com o desconto e tem a questão do varejo ser o nosso principal cliente. Então, volume menor, com desconto menor. Mas é um importante canal de vendas”, reconhece Leite.