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#ABX26 – Produção, preço e peças: confira a participação das marcas chinesas no evento

Executivos de Omoda Jaecoo, Baic e GAC discutem os desafios para consolidar montadoras chinesas no Brasil, da produção local ao pós-venda

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Karen Sousa

08 out 2026

5 minutos de leitura

A expansão das montadoras chinesas no Brasil já vai além da oferta de veículos eletrificados e de preços competitivos. Para consolidar espaço no mercado, as marcas precisam avançar em produção local, pós-vendas, rede de atendimento e adaptação dos produtos ao consumidor brasileiro. Esses desafios estiveram entre os temas discutidos no Automotive Business Experience | #ABX26, realizado na quinta-feira, 1º.

Para os executivos de Omoda & Jaecoo, Baic e GAC que participaram da discussão, a velocidade de reação é uma das principais vantagens das marcas chinesas, mas precisa estar acompanhada de uma estratégia de longo prazo para o mercado brasileiro.

“Velocidade é a palavra que a gente mais traz dentro do nosso cenário de todos os dias. Mas essa velocidade precisa ser implantada de uma forma sustentável. Quando se fala em velocidade dentro do cenário automotivo, se toma decisões rápidas, traz produtos diferenciados, se tem plataformas diferenciadas, mas tudo isso precisa ter sempre a mentalidade de chegar e se instalar de uma forma correta”, afirmou Roger Corassa, vice-presidente executivo da Omoda & Jaecoo.

Produção local ganha espaço

A manufatura no Brasil aparece como um dos próximos passos da expansão das marcas chinesas. Com o crescimento das vendas, a produção local tende a ganhar relevância tanto para ampliar a presença das empresas quanto para tornar suas operações mais competitivas.

Gustavo Schmidt, diretor comercial da GAC no Brasil, avalia que o país tem condições para receber projetos de manufatura de fabricantes chineses e cita as movimentações recentes de empresas que buscam parcerias locais e até a aquisição de fábricas.

“Há condições para a gente ter manufatura de carros chineses no Brasil. A gente tem a prova viva disso que foi acontecendo e foi se ajustando. O mercado brasileiro é muito dinâmico e sabe encontrar soluções criativas muito rápidas”, disse.

Na avaliação do executivo, portanto, o desafio não está necessariamente na capacidade produtiva instalada no país, mas na definição dos modelos que podem ser competitivos quando produzidos localmente. Para isso, Schmidt também defende um ambiente regulatório mais previsível, capaz de estimular investimentos de longo prazo.

A localização da produção também se relaciona com a adaptação dos produtos. Para Corassa, as parcerias desenvolvidas pela Omoda & Jaecoo consideram a combinação entre o portfólio disponível, as necessidades dos consumidores e os segmentos de atuação da marca. A estratégia também leva em conta as diferenças entre as regiões brasileiras.

Preço não é suficiente

A entrada das chinesas no Brasil ocorreu em um ambiente no qual eletrificação, tecnologia e preços competitivos ajudaram a abrir espaço para novas marcas. Mas, para os executivos, esses atributos não são suficientes para garantir a permanência no mercado.

Oswaldo Ramos, chefe de operações da Baic no Brasil, destaca que a adaptação ao consumidor brasileiro precisa ir além da relação entre preço e produto. A construção da marca passa também por serviços, pós-venda, rede de atendimento e uma oferta adequada às características do mercado.

“Tem que ter pós-vendas, tem que ter serviço, tem que criar marca, tem que ter personalidade, tem que ter rede. Mas o ponto de partida diferencial é: a marca que está chegando tem produtos com a cara do Brasil? É nisso que a gente está se esforçando”, afirmou.

A avaliação também ajuda a explicar por que a estratégia das chinesas não se resume a trazer veículos desenvolvidos para outros mercados. A combinação entre produto, tecnologia, preço e estrutura de atendimento passa a ser determinante para conquistar espaço de forma mais permanente.

Pós-venda e peças entram na conta

A expansão da rede e do pós-venda ganha importância à medida que as marcas aumentam suas vendas e ampliam a frota circulante. Para os executivos, construir uma operação capaz de atender o consumidor brasileiro é parte essencial do processo de consolidação.

Nesse cenário, serviços, rede e disponibilidade de atendimento passam a ter peso semelhante ao produto oferecido no momento da compra. A capacidade de sustentar a operação depois da venda será, portanto, um dos elementos para transformar o avanço inicial das chinesas em participação de mercado de longo prazo.

A preocupação com a adaptação também aparece na estratégia de conteúdo nacional. Além da manufatura, a aproximação com fornecedores e parceiros locais pode contribuir para estruturar uma operação mais integrada ao mercado brasileiro.

Onde as tradicionais erraram

O avanço das chinesas também levou os executivos a fazer uma avaliação sobre os erros cometidos pelas montadoras tradicionais no Brasil. Na visão de Schmidt, parte das fabricantes deixou de acompanhar a mudança no comportamento do consumidor e sua disposição para buscar novas alternativas de compra.

“A gente tem que estar sempre procurando entender o que o consumidor quer e acho que talvez foi aqui onde algumas marcas podem ter negligenciado a capacidade do consumidor de buscar as melhores alternativas de compra sem necessariamente passar por tradição de marca”, afirmou.

Ramos vai além e aponta uma diferença na percepção sobre o poder de compra do brasileiro. Segundo ele, algumas montadoras tradicionais deixaram de trazer tecnologias disponíveis em outros mercados por considerar que o consumidor brasileiro não teria condições de pagar por elas.

“Não se trouxe essas tecnologias que estavam disponíveis lá fora, então o ambiente que as chinesas chegaram aqui foi hilário, com defasagem tecnológica gigante. Isso acabou dando espaço de se criar novas marcas com essa tecnologia que já tinha lá fora e que não se acreditou que podia ser oferecida aqui no Brasil”, disse.

O próximo desafio é criar vínculo

Apesar do avanço das marcas chinesas, Corassa avalia que ainda existe uma barreira importante a ser superada: a conexão emocional com o consumidor.

Para ele, tecnologia, preço, produção local e estrutura de pós-venda ajudam a construir a operação, mas não substituem a necessidade de criar uma relação mais forte entre consumidor, produto e marca.

“O brasileiro compra carro de forma emocional, nós precisamos nos conectar com a marca e com o produto”, concluiu.