
A General Motors (GM) acaba de completar 100 anos de história no Brasil. A montadora iniciou suas atividades no dia 26 de janeiro de 1925, quando ainda se chamava Companhia Geral de Motores S.A.
Desde então, a GM construiu seis fábricas no Brasil e lançou carros que entraram para a história da indústria automotiva local.
Automotive Business relembra a seguir os fatos mais importantes da centenária história da GM no Brasil. Veja agora os principais acertos e erros da empresa que faz parte da vida de milhares de brasileiros.
GM começa no Ipiranga e abre primeira fábrica em 1928
1925: a General Motors inicia suas atividades no dia 26 de janeiro daquele ano, ainda como Companhia Geral de Motores S.A.
A sede era em um galpão localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo (SP). Logo a razão social da companhia seria mudada para General Motors of Brazil S.A.
Lá foram montados picapes, furgões e caminhões. A linha funcionava no regime CKD, ou seja, as peças eram trazidas de fora e a montagem era realizada aqui.
1928: iniciada a montagem de veículos em São Caetano do Sul (SP).
1930: inauguração oficial da unidade de São Caetano em agosto.
De 1942 a 1945: a General Motors do Brasil colaborou na produção de veículos militares e material bélico durante a Segunda Guerra Mundial. Foram produzidos mais de 2 mil veículos a gasogênio.
1948: montagem da primeira carroceria inteiramente metálica feita com 100% de matéria-prima nacional.
1951: produção da milésima carroceria de ônibus inteiramente de aço e início da produção de geladeiras (!) Frigidaire.
1ª picape e modelos que marcaram os 100 anos da GM no Brasil
1958: lançamento da Chevrolet 3100, a primeira picape fabricada no Brasil.
1959: inauguração da segunda fábrica da General Motors do Brasil, em São José dos Campos. Na época, ela produzia somente motores e peças para os caminhões Chevrolet Brasil, picapes e caminhonetes Chevrolet Amazonas.
1964: estreia da Chevrolet C-1416, que mais tarde se chamaria Veraneio.
1968: lançamento do Chevrolet Opala, o primeiro automóvel de passeio fabricado na história da GM no Brasil. O modelo se tornaria o maior sucesso de sua história centenária.
Chevette, Monza e Corsa: projetos globais chegam ao Brasil
1973: estreia do Chevette, um dos primeiros projetos globais lançados pela Chevrolet no país.
1984: o projeto global “J” dá origem ao Monza, que se tornaria o carro mais vendido do Brasil por três anos consecutivos – de 1984 a 1986.
1992: pouco tempo após a explosão dos carros populares, a GM não tinha um modelo para enfrentar o Fiat Uno Mille. A empresa resolveu depenar o Chevette e modificou seu motor 1.4 para se enquadrar nas regras de veículos com motor 1.0. Só que o desempenho anêmico não cativou muita gente e o modelo fracassou. Pelo menos a GM compensou o vacilo dois anos depois com a estreia do Corsa.
1994: o Corsa causa alvoroço ao estrear no Brasil poucos meses após surgir na Europa. O projeto tecnológico e o design moderno causaram uma corrida às concessionárias, resultando em ágio e fila de espera de meses.
1996: a segunda geração do Vectra coloca o sedã de vez na lista de carros mais emblemáticos da história da GM no Brasil.
1999: o sucesso do Corsa foi abalado por um grande recall causado por um problema no cinto de segurança. O suporte do fecho do item poderia se soltar em impacto severo, podendo causar ferimentos graves e até fatais. Mais de um 1 milhão de unidades dos modelos Corsa e Tigra foram chamados.
Fábrica no Rio Grande do Sul é a primeira fora de SP
2000: inauguração da fábrica da GM em Gravataí, no estado do Rio Grande do Sul. A primeira planta da empresa fora do estado de São Paulo foi construída para a produção de seu novo popular, o Celta.
2001: lançamento da Zafira, única minivan da categoria vendida no país com sete lugares. O carro tinha um projeto moderno originalmente feito pela Opel, como acontecia com as linhas Astra e Vectra.
2009: lançamento do Agile. Fruto do Projeto Viva, o compacto era feito sobre a velha plataforma do Corsa apresentado em 1994 e pegava carona no conceito de hatch alto e espaçoso difundido no país pelo Volkswagen Fox. O modelo, porém, não fez sucesso, tanto pelo design controverso quanto pelo desempenho apático.
Tanto é que o plano da GM previa mais três configurações de carroceria a partir do Agile: uma picape, um sedã e um monovolume. Mas parou na Montana, cuja segunda geração foi baseada no controverso hatch, o que não deixou de ser um retrocesso para a picape compacta, que trocou a plataforma mais recente e moderna do Corsa 2 pela arquitetura do primeiro Corsa.
2012: lançamento do Onix. O sucessor do Agile era bem mais moderno e aproveitava a plataforma GSM, que também serviria de base para outros modelos.
O hatch apostou em conectividade, sobretudo por meio da oferta de central multimídia em todas as versões, seja como item de série ou opcional. Deu certo: a partir de 2015, o Onix se tornaria o carro mais vendido do Brasil por seis anos consecutivos.
2013: inauguração da fábrica de motores em Joinville (SC).
Problemas com Onix Plus e ameaça de sair do Brasil
2019: a estreia do novo Onix Plus foi manchada por um problema grave. Após casos de unidades que pegaram fogo espontaneamente, a GM identificou um defeito na calibração do módulo de controle do motor. Com isso, 19 mil unidades foram convocadas para um recall que consistia na atualização do software de gerenciamento do conjunto.
2019: a liderança de vendas no varejo e a soberania do Onix não foram suficientes para melhorar o panorama após três anos de resultados ruins e pouco lucro. Assim, a GM disse que não ia “continuar investindo para perder dinheiro” e ameaçou deixar o país. Isso, evidentemente, não se concretizou. Até hoje não se sabe se foi um blefe ou não.
2020: a pandemia provocou o isolamento social e causou uma escassez global no fornecimento de chips. A crise dos semicondutores afetou todas as montadoras, mas nenhuma delas sentiu tanto o baque como a GM.
A empresa sofreu para encontrar alternativas e precisou interromper a produção de carros em Gravataí (RS) por quatro meses seguidos. Essa pausa foi um dos motivos para a perda da liderança de vendas do Onix, que é produzido por lá e foi o carro mais vendido do Brasil por quatro anos consecutivos.
A promessa de vender só carros elétricos que durou pouco
2021: a filial brasileira da GM segue o discurso da matriz e diz que venderá apenas carros elétricos no país a partir de 2035. Só que a promessa não dura muito, já que a queda na demanda por veículos movidos a eletricidade (e a consequente ascensão dos híbridos) fez a montadora voltar atrás em todo o mundo.
2024: a GM confirma investimento de R$ 5,5 bilhões para o lançamento de produtos e desenvolvimento de novas tecnologias. Isso inclui a estreia de carros híbridos flex em 2025.
