
A General Motors celebra 100 anos de presença no Brasil em 2025. A empresa começou suas atividades em 26 de janeiro de 1925 montando picapes e furgões em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo (SP).
Hoje, a montadora mantém cinco fábricas no Brasil, que ficam nas cidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes, todas em São Paulo; Joinville, em Santa Catarina; e Gravataí, no Rio Grande do Sul.
Muita coisa aconteceu e, principalmente, vários modelos foram fabricados. Separamos abaixo 10 carros que fizeram história em 100 anos da GM no Brasil.
3100

A GM produzia veículos no regime CKD desde a década de 1920, mas precisou de quase quatro décadas para fabricar seu primeiro modelo no Brasil.
A família 3100 estreou em 1958 com um design que mesclava os modelos Advanced Design e Task Force com elementos próprios. Além disso, a picape ostentava um logotipo exclusivo com o mapa do Brasil, que lhe rendeu o apelido de Chevrolet Brasil.
Nos anos seguintes, a linha cresceu com a perua 3116 (ou Amazona), que tinha oito lugares, e a picape cabine dupla 3114, também conhecida como Alvorada.
A reestilização apresentada no fim de 1962 trouxe faróis duplos, nova grade, teto redesenhado e vidros traseiros mais envolventes. A linha 3100 foi produzida até meados de 1964, quando foram substituídas pela família C-14.
Veraneio

O Veraneio foi um grande sucesso da GM no Brasil – e também um dos primeiros carros que mereceram o rótulo de SUV quando o termo sequer existia no país.
O modelo estreou em 1964 como Chevrolet C-1416 para ser uma station wagon tamanho família com espaço para até nove pessoas. O nome Veraneio só foi adotado em 1969 e as virtudes do carro foram reconhecidas pelos órgãos públicos. Tanto é que virou até música (“Veraneio Vascaína”) da banda Capital Inicial.
O Veraneio teve mudanças visuais e ganhou a necessária carroceria de quatro portas nos anos 1970. O motor 2.5 do Opala surgiu na mesma época, mas o famoso 4.1 de seis cilindros só chegou ao modelo em meados da década seguinte.
A segunda geração estreou em 1989 com linhas mais retas inspiradas na então linha de picapes A, C e D20. O novo design também alinhou o Veraneio com o “primo” Bonanza, que era mais curto. O modelo permaneceu à venda até 1994 e só teria um sucessor espiritual com a chegada do Grand Blazer em 2001.
Opala

O Opala foi o primeiro automóvel de passeio fabricado pela General Motors no Brasil. Só isso já seria suficiente para colocá-lo nesta lista, mas o modelo foi tão emblemático que se tornou um dos carros mais importantes em 100 anos de GM.
Ele estreou em 1968 com carroceria de quatro portas, tração traseira e câmbio manual de três marchas. Curiosamente, combinava o estilo europeu (era inspirado no Opel Rekord C) com mecânica norte-americana. No caso, um 2.5 quatro cilindros de 81 cv e o 3.6 de seis cilindros que entregava 126 cv.
O ar de sofisticação foi combinado à esportividade em meados da década de 1970. O Opala SS trouxe um visual bastante icônico e o motor 4.1 de seis cilindros que se tornaria cultuado pelos fãs.
A primeira reestilização surgiu em 1975 com inspiração no Chevrolet Chevelle vendido nos Estados Unidos. Faróis, grade frontal e para-choques foram alterados, com direito às clássicas lanternas redondas.
Várias atualizações de design e mecânica foram feitas nas décadas seguintes, tanto no próprio Opala quanto na perua Caravan.
A dupla resistiu até meados dos anos 1990, quando o Opala já havia perdido apelo diante dos sedãs importados, que eram muito mais sofisticados, modernos e seguros. O mítico modelo saiu de cena em 1992 após mais de 1 milhão de unidades fabricadas.
Chevette

O Chevette foi o primeiro compacto produzido pela Chevrolet no Brasil. Essa, porém, não é a única razão que o coloca nesta seleta lista de carros emblemáticos nos 100 anos da GM, já que o Chevette foi um dos primeiros modelos globais feitos no país.
Curiosamente, o projeto foi baseado na terceira geração do Kadett (ele mesmo) europeu, mas estreou no Brasil em 1973. Ou seja, meses antes da apresentação do próprio Kadett na Europa.
O Chevette debutou no mercado brasileiro apenas na carroceria de sedã de duas portas. Porém, nos anos seguintes, deu origem a uma família composta por hatchback, station wagon (Marajó) e picape (Chevy 500).
Foi reestilizado em 1983 para ficar com a cara do Monza. Nela, trocou as linhas inspiradas nos carros norte-americanos pelos traços mais retangulares.
O Chevette teve até uma despojada versão 1.0 chamada Junior antes de sair de linha em 1993.
Monza

Pouco se falava no termo “carro global” quando a GM lançou o Monza no Brasil. Ele nasceu a partir de um projeto que deu origem a vários automóveis, como o Opel Ascona e o Chevrolet Cavalier.
O Monza rapidamente virou símbolo de luxo por aqui. Aliás, a versão Classic virou sonho de consumo nacional e vinha com itens raros até em sua categoria, como ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico.
Quem também fez sucesso foi o Monza Hatch, sobretudo na versão esportiva S/R. Com duas portas, ela tinha visual exclusivo, rodas de liga leve e pneus de perfil baixo. Tudo isso com um motor de carburação dupla e câmbio com relações encurtadas.
O Monza ganhou o motor 2.0 em 1987 e, três anos depois, foi o primeiro carro nacional a sair de fábrica com injeção eletrônica de combustível.
Essa primazia, porém, foi na série limitada E.F 500, uma homenagem ao bicampeão de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi. É por isso que o Volkswagen Gol GTi foi o primeiro carro nacional produzido em série a vir com injeção eletrônica.
A Chevrolet promoveu uma profunda reestilização no Monza em 1991. As linhas arredondadas renderam ao sedã o apelido de “Tubarão”, que o acompanhou até sua despedida, em 1996.
No total, o modelo teve mais de 850 mil unidades vendidas. Assim, o Monza foi um dos carros mais populares dos 100 anos de GM no Brasil.
Kadett

O Kadett foi um dos carros mais cultuados da história da Chevrolet e tem uma ligação exótica com o nosso Chevette. Tudo porque o modelo lançado no Brasil em 1989 era a quinta geração do Kadett europeu, ou seja, duas gerações à frente do projeto que inspirou o Chevette.
Logo de cara, o Kadett veio em três versões e duas opções de motorização: duas com o 1.8 e a esportiva GS, movida pelo motor 2.0. Apesar de moderno para a época, os melhores equipamentos eram opcionais, como ar-condicionado, direção hidráulica, rodas de liga leve e rádio toca-fitas.
A linha também tinha a perua Ipanema, que, ao contrário do Kadett, chegou a ter carroceria de quatro portas.
Em 1991, o Kadett se tornou o primeiro carro nacional movido a etanol com injeção eletrônica de fábrica. A tecnologia foi estendida à motorização 2.0 e deu origem ao cultuado GSi. Além do visual mais esportivo, o modelo teve até uma bela versão conversível, cuja carroceria era enviada à Europa apenas para ser convertida antes de voltar ao Brasil.
O Kadett resistiu ao tempo e até conviveu com o Astra belga de 1994 a 1995. Saiu de linha em 1998 com quase 600 mil unidades comercializadas para a chegada do novo Astra, desta vez fabricado no Brasil.
Vectra

O Monza já dava sinais de cansaço quando a Chevrolet lançou o Vectra em 1993. O carro tinha o conhecido motor 2.0 de 116 cv do seu antecessor, mas um projeto bem mais moderno. Havia até uma divertida versão GSi de 150 cv.
No entanto, foi a segunda geração que colocou o Vectra na história da Chevrolet no Brasil. Lançada em 1996, ela elevou o sedã a outro patamar de tecnologia e sofisticação.
Era vendido em três versões (GL, GLS e CD) com o motor 2.0 de 8V (110 cv) e 16V (141 cv). O design chamava bastante atenção pelas linhas modernas que tinham até os espelhos retrovisores externos integrados ao capô.
Logo o Vectra foi alçado ao status de carro mais caro e luxuoso da Chevrolet em 1998, quando o Omega deixou de ser produzido no país.
Todo esse legado, no entanto, foi desprezado na terceira geração do Vectra. O modelo até emulava as linhas dos modelos europeus da Opel, mas era feito sobre a plataforma do Astra vendido na época. Ou seja, mesmo sendo maior, não era um projeto tão refinado como o do seu antecessor.
Corsa

O Corsa é um dos carros mais importantes da história de 100 anos da GM no Brasil. Motivos para tanto não faltam: o hatch ostenta o posto de um dos modelos mais vendidos em sua trajetória centenária e é um dos mais avançados também.
O hatchback chegou ao Brasil menos de um ano após sua estreia na Europa – algo raro de acontecer até nos dias atuais. Era feito sobre uma plataforma moderna e tinha injeção eletrônica em tempos nos quais a concorrência era formada por versões depenadas de projetos antigos.
Assim, não demorou para o Corsa se tornar um sucesso de vendas. A procura foi tamanha que o modelo teve até ágio no começo das vendas. Quem quisesse esperar mesmo assim tinha uma fila de até três meses.
No começo, o Corsa foi lançado com motor 1.0 de 50 cv e depois ganhou um 1.4 de 60 cv. A versão de entrada Wind era bastante simplória e dispensava itens como conta-giros, calotas, desembaçador traseiro e para-choques na cor da carroceria.
Mesmo sendo um carro popular, o Corsa também teve uma versão esportiva. A GSI usava motor 1.6 16V de 106 cv importado da Hungria e vinha com um kit aerodinâmico e rodas de liga leve exclusivas. Era o rival direto do Volkswagen Gol GTI.
O Corsa deu origem a uma família de modelos, com picape, station wagon e sedã. Este último, aliás, resistiu até o fim dos anos 2000 como Classic. Antes disso, o Corsa ganhou uma nova geração em 2002, que era bem mais refinada e cara do que o antigo modelo.
Celta

A Chevrolet sabia que o novo Corsa não atenderia ao mesmo consumidor na segunda geração. Foi por isso que a marca usou a base do primeiro Corsa e lançou o Celta.
O modelo apresentado em 2001 era ainda mais simples do que o primeiro Corsa Wind. Os painéis internos das enormes portas eram feitos inteiramente em plástico, material predominante na cabine.
Os encostos de cabeça dianteiros eram integrados aos bancos e não podiam ser regulados. Além disso, o tampão do porta-malas não era acarpetado.
Havia também soluções incomuns, como a buzina na alavanca de seta em vez de estar no volante. Todos os detalhes foram pensados para que o Celta fosse o carro popular mais barato do Brasil. Isso, porém, nunca aconteceu.
Com isso, o Celta foi ficando (um pouco) mais refinado nos anos seguintes. Além da carroceria de quatro portas, ele trouxe melhorias no acabamento e mais itens de série.
O Celta foi reestilizado em duas ocasiões e, apesar de até ter sido vendido brevemente com um motor 1.4, ele fez sucesso com o valente 1.0 que ganhou evoluções.
Onix

O Onix não é revolucionário como outros modelos dessa lista. Só que o único representante da linha atual de modelos merece um lugar cativo na história da Chevrolet por um motivo simples.
Ele foi o primeiro modelo da marca a se tornar o mais vendido do Brasil desde o Monza, que liderou o ranking de emplacamentos por três anos seguidos, entre 1984 e 1986.
Para ter uma ideia do feito, o Onix foi apenas o segundo carro a ser líder geral de vendas em 100 anos de GM no Brasil.
A liderança foi ocupada por quatro anos consecutivos até o Onix ser desbancado pela Fiat Strada, que domina o ranking de emplacamentos nacionais desde 2021.
Além de ter levado a Chevrolet de volta ao topo depois de quase três décadas, o Onix também foi importante para o mercado brasileiro por outro motivo. O hatch estabeleceu um novo patamar de conteúdo e sobretudo conectividade no segmento de carros de entrada.
Isso aconteceu pela oferta da central multimídia (a MyLink), item que também foi difundido na categoria pelo arquirrival Hyundai HB20.
