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Os 10 carros mais marcantes dos 100 anos da GM no Brasil

Lista de modelos tem veículos da Opel e projetos desenvolvidos apenas para o país
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Vitor Matsubara

24 jan 2025

12 minutos de leitura

Chevrolet Opala
Opala é um dos carros mais emblemáticos nos 100 anos da GM no país

A General Motors celebra 100 anos de presença no Brasil em 2025. A empresa começou suas atividades em 26 de janeiro de 1925 montando picapes e furgões em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo (SP).

Hoje, a montadora mantém cinco fábricas no Brasil, que ficam nas cidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes, todas em São Paulo; Joinville, em Santa Catarina; e Gravataí, no Rio Grande do Sul.

Muita coisa aconteceu e, principalmente, vários modelos foram fabricados. Separamos abaixo 10 carros que fizeram história em 100 anos da GM no Brasil.

3100

Chevrolet 3100 Brasil
3100 ganhou o nome “Brasil” após começo de produção nacional

A GM produzia veículos no regime CKD desde a década de 1920, mas precisou de quase quatro décadas para fabricar seu primeiro modelo no Brasil.

A família 3100 estreou em 1958 com um design que mesclava os modelos Advanced Design e Task Force com elementos próprios. Além disso, a picape ostentava um logotipo exclusivo com o mapa do Brasil, que lhe rendeu o apelido de Chevrolet Brasil.

Nos anos seguintes, a linha cresceu com a perua 3116 (ou Amazona), que tinha oito lugares, e a picape cabine dupla 3114, também conhecida como Alvorada.

A reestilização apresentada no fim de 1962 trouxe faróis duplos, nova grade, teto redesenhado e vidros traseiros mais envolventes. A linha 3100 foi produzida até meados de 1964, quando foram substituídas pela família C-14.

Veraneio

Chevrolet Veraneio
Veraneio foi um SUV quando o termo sequer existia no Brasil

O Veraneio foi um grande sucesso da GM no Brasil – e também um dos primeiros carros que mereceram o rótulo de SUV quando o termo sequer existia no país.

O modelo estreou em 1964 como Chevrolet C-1416 para ser uma station wagon tamanho família com espaço para até nove pessoas. O nome Veraneio só foi adotado em 1969 e as virtudes do carro foram reconhecidas pelos órgãos públicos. Tanto é que virou até música (“Veraneio Vascaína”) da banda Capital Inicial.

O Veraneio teve mudanças visuais e ganhou a necessária carroceria de quatro portas nos anos 1970. O motor 2.5 do Opala surgiu na mesma época, mas o famoso 4.1 de seis cilindros só chegou ao modelo em meados da década seguinte.

A segunda geração estreou em 1989 com linhas mais retas inspiradas na então linha de picapes A, C e D20. O novo design também alinhou o Veraneio com o “primo” Bonanza, que era mais curto. O modelo permaneceu à venda até 1994 e só teria um sucessor espiritual com a chegada do Grand Blazer em 2001.

Opala

Chevrolet Opala SS
Opala foi vendido por quatro décadas no país

O Opala foi o primeiro automóvel de passeio fabricado pela General Motors no Brasil. Só isso já seria suficiente para colocá-lo nesta lista, mas o modelo foi tão emblemático que se tornou um dos carros mais importantes em 100 anos de GM.

Ele estreou em 1968 com carroceria de quatro portas, tração traseira e câmbio manual de três marchas. Curiosamente, combinava o estilo europeu (era inspirado no Opel Rekord C) com mecânica norte-americana. No caso, um 2.5 quatro cilindros de 81 cv e o 3.6 de seis cilindros que entregava 126 cv.

O ar de sofisticação foi combinado à esportividade em meados da década de 1970. O Opala SS trouxe um visual bastante icônico e o motor 4.1 de seis cilindros que se tornaria cultuado pelos fãs.

A primeira reestilização surgiu em 1975 com inspiração no Chevrolet Chevelle vendido nos Estados Unidos. Faróis, grade frontal e para-choques foram alterados, com direito às clássicas lanternas redondas.

Várias atualizações de design e mecânica foram feitas nas décadas seguintes, tanto no próprio Opala quanto na perua Caravan.

A dupla resistiu até meados dos anos 1990, quando o Opala já havia perdido apelo diante dos sedãs importados, que eram muito mais sofisticados, modernos e seguros. O mítico modelo saiu de cena em 1992 após mais de 1 milhão de unidades fabricadas.

Chevette

Chevrolet Chevette
Chevette tinha estilo moderno e tração traseira

O Chevette foi o primeiro compacto produzido pela Chevrolet no Brasil. Essa, porém, não é a única razão que o coloca nesta seleta lista de carros emblemáticos nos 100 anos da GM, já que o Chevette foi um dos primeiros modelos globais feitos no país.

Curiosamente, o projeto foi baseado na terceira geração do Kadett (ele mesmo) europeu, mas estreou no Brasil em 1973. Ou seja, meses antes da apresentação do próprio Kadett na Europa.

O Chevette debutou no mercado brasileiro apenas na carroceria de sedã de duas portas. Porém, nos anos seguintes, deu origem a uma família composta por hatchback, station wagon (Marajó) e picape (Chevy 500).

Foi reestilizado em 1983 para ficar com a cara do Monza. Nela, trocou as linhas inspiradas nos carros norte-americanos pelos traços mais retangulares.

O Chevette teve até uma despojada versão 1.0 chamada Junior antes de sair de linha em 1993.

Monza

Chevrolet Monza
Monza foi o carro mais vendido do Brasil por três anos

Pouco se falava no termo “carro global” quando a GM lançou o Monza no Brasil. Ele nasceu a partir de um projeto que deu origem a vários automóveis, como o Opel Ascona e o Chevrolet Cavalier.

O Monza rapidamente virou símbolo de luxo por aqui. Aliás, a versão Classic virou sonho de consumo nacional e vinha com itens raros até em sua categoria, como ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico.

Quem também fez sucesso foi o Monza Hatch, sobretudo na versão esportiva S/R. Com duas portas, ela tinha visual exclusivo, rodas de liga leve e pneus de perfil baixo. Tudo isso com um motor de carburação dupla e câmbio com relações encurtadas.

O Monza ganhou o motor 2.0 em 1987 e, três anos depois, foi o primeiro carro nacional a sair de fábrica com injeção eletrônica de combustível.

Essa primazia, porém, foi na série limitada E.F 500, uma homenagem ao bicampeão de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi. É por isso que o Volkswagen Gol GTi foi o primeiro carro nacional produzido em série a vir com injeção eletrônica.

A Chevrolet promoveu uma profunda reestilização no Monza em 1991. As linhas arredondadas renderam ao sedã o apelido de “Tubarão”, que o acompanhou até sua despedida, em 1996.

No total, o modelo teve mais de 850 mil unidades vendidas. Assim, o Monza foi um dos carros mais populares dos 100 anos de GM no Brasil.

Kadett

Chevrolet Kadett
Kadett fez bastante sucesso em nove anos de vida

O Kadett foi um dos carros mais cultuados da história da Chevrolet e tem uma ligação exótica com o nosso Chevette. Tudo porque o modelo lançado no Brasil em 1989 era a quinta geração do Kadett europeu, ou seja, duas gerações à frente do projeto que inspirou o Chevette.

Logo de cara, o Kadett veio em três versões e duas opções de motorização: duas com o 1.8 e a esportiva GS, movida pelo motor 2.0. Apesar de moderno para a época, os melhores equipamentos eram opcionais, como ar-condicionado, direção hidráulica, rodas de liga leve e rádio toca-fitas.

A linha também tinha a perua Ipanema, que, ao contrário do Kadett, chegou a ter carroceria de quatro portas.

Em 1991, o Kadett se tornou o primeiro carro nacional movido a etanol com injeção eletrônica de fábrica. A tecnologia foi estendida à motorização 2.0 e deu origem ao cultuado GSi. Além do visual mais esportivo, o modelo teve até uma bela versão conversível, cuja carroceria era enviada à Europa apenas para ser convertida antes de voltar ao Brasil.

O Kadett resistiu ao tempo e até conviveu com o Astra belga de 1994 a 1995. Saiu de linha em 1998 com quase 600 mil unidades comercializadas para a chegada do novo Astra, desta vez fabricado no Brasil.

Vectra

Chevrolet Vectra
Vectra ganhou milhares de fãs pelo luxo e design

O Monza já dava sinais de cansaço quando a Chevrolet lançou o Vectra em 1993. O carro tinha o conhecido motor 2.0 de 116 cv do seu antecessor, mas um projeto bem mais moderno. Havia até uma divertida versão GSi de 150 cv.

No entanto, foi a segunda geração que colocou o Vectra na história da Chevrolet no Brasil. Lançada em 1996, ela elevou o sedã a outro patamar de tecnologia e sofisticação.

Era vendido em três versões (GL, GLS e CD) com o motor 2.0 de 8V (110 cv) e 16V (141 cv). O design chamava bastante atenção pelas linhas modernas que tinham até os espelhos retrovisores externos integrados ao capô.

Logo o Vectra foi alçado ao status de carro mais caro e luxuoso da Chevrolet em 1998, quando o Omega deixou de ser produzido no país.

Todo esse legado, no entanto, foi desprezado na terceira geração do Vectra. O modelo até emulava as linhas dos modelos europeus da Opel, mas era feito sobre a plataforma do Astra vendido na época. Ou seja, mesmo sendo maior, não era um projeto tão refinado como o do seu antecessor.

Corsa

Chevrolet Corsa Wind 4p
Corsa fez tanto sucesso que teve até ágio e fila de espera

O Corsa é um dos carros mais importantes da história de 100 anos da GM no Brasil. Motivos para tanto não faltam: o hatch ostenta o posto de um dos modelos mais vendidos em sua trajetória centenária e é um dos mais avançados também.

O hatchback chegou ao Brasil menos de um ano após sua estreia na Europa – algo raro de acontecer até nos dias atuais. Era feito sobre uma plataforma moderna e tinha injeção eletrônica em tempos nos quais a concorrência era formada por versões depenadas de projetos antigos.

Assim, não demorou para o Corsa se tornar um sucesso de vendas. A procura foi tamanha que o modelo teve até ágio no começo das vendas. Quem quisesse esperar mesmo assim tinha uma fila de até três meses.

No começo, o Corsa foi lançado com motor 1.0 de 50 cv e depois ganhou um 1.4 de 60 cv. A versão de entrada Wind era bastante simplória e dispensava itens como conta-giros, calotas, desembaçador traseiro e para-choques na cor da carroceria.

Mesmo sendo um carro popular, o Corsa também teve uma versão esportiva. A GSI usava motor 1.6 16V de 106 cv importado da Hungria e vinha com um kit aerodinâmico e rodas de liga leve exclusivas. Era o rival direto do Volkswagen Gol GTI.

O Corsa deu origem a uma família de modelos, com picape, station wagon e sedã. Este último, aliás, resistiu até o fim dos anos 2000 como Classic. Antes disso, o Corsa ganhou uma nova geração em 2002, que era bem mais refinada e cara do que o antigo modelo.

Celta

Chevrolet Celta
Celta era baseado no Corsa e nasceu para ser popular

A Chevrolet sabia que o novo Corsa não atenderia ao mesmo consumidor na segunda geração. Foi por isso que a marca usou a base do primeiro Corsa e lançou o Celta.

O modelo apresentado em 2001 era ainda mais simples do que o primeiro Corsa Wind. Os painéis internos das enormes portas eram feitos inteiramente em plástico, material predominante na cabine.

Os encostos de cabeça dianteiros eram integrados aos bancos e não podiam ser regulados. Além disso, o tampão do porta-malas não era acarpetado.

Havia também soluções incomuns, como a buzina na alavanca de seta em vez de estar no volante. Todos os detalhes foram pensados para que o Celta fosse o carro popular mais barato do Brasil. Isso, porém, nunca aconteceu.

Com isso, o Celta foi ficando (um pouco) mais refinado nos anos seguintes. Além da carroceria de quatro portas, ele trouxe melhorias no acabamento e mais itens de série.

O Celta foi reestilizado em duas ocasiões e, apesar de até ter sido vendido brevemente com um motor 1.4, ele fez sucesso com o valente 1.0 que ganhou evoluções.

Onix

Chevrolet Onix
Onix levou à Chevrolet de volta ao topo das vendas

O Onix não é revolucionário como outros modelos dessa lista. Só que o único representante da linha atual de modelos merece um lugar cativo na história da Chevrolet por um motivo simples.

Ele foi o primeiro modelo da marca a se tornar o mais vendido do Brasil desde o Monza, que liderou o ranking de emplacamentos por três anos seguidos, entre 1984 e 1986.

Para ter uma ideia do feito, o Onix foi apenas o segundo carro a ser líder geral de vendas em 100 anos de GM no Brasil.

A liderança foi ocupada por quatro anos consecutivos até o Onix ser desbancado pela Fiat Strada, que domina o ranking de emplacamentos nacionais desde 2021.

Além de ter levado a Chevrolet de volta ao topo depois de quase três décadas, o Onix também foi importante para o mercado brasileiro por outro motivo. O hatch estabeleceu um novo patamar de conteúdo e sobretudo conectividade no segmento de carros de entrada.

Isso aconteceu pela oferta da central multimídia (a MyLink), item que também foi difundido na categoria pelo arquirrival Hyundai HB20.