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Anfavea usa estoque recorde de eletrificados para voltar a defender imposto total

Entidade diz que volumes de carros elétricos e híbridos importados podem gerar desequilíbrio no mercado interno
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Fernando Miragaya

05 set 2024

3 minutos de leitura

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A Anfavea segue o seu rito (na verdade, lobby) de pedir a volta imediata do imposto cheio de importação para veículos eletrificados – elétricos e híbridos. E na apresentação do balanço de agosto, aproveitou a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e lançou mão de números para reforçar seu pleito.

Segundo os dados da associação que representa as fabricantes instaladas no país, o estoque de carros eletrificados importados chegou a um número expressivo: 81,7 mil unidades, depois de bater 86,2 mil em junho. Em dezembro de 2023, esse volume era de 13,2 mil.


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– Na China, carros eletrificados já respondem por mais da metade das vendas


Fruto de uma antecipação de estoque por parte das empresas para se livrarem do aumento do imposto de importação (II), que sofreu novo reajuste em julho. Para efeito de comparação, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, ressaltou que as vendas de veículos eletrificados em junho ficaram em 7,8 mil unidades e, em julho, não passaram de 10 mil.

“É o maior volume de estoque da nossa história. Esse é um dado importante que certamente vai impactar o mercado, mas não sabemos como. Nunca havíamos convivido com essa situação”, afirmou o executivo.

O dado foi a senha para o mandatário reivindicar novamente a volta imediata da alíquota total do II, de 35% – hoje oscila entre 18% e 22%. Márcio de Lima Leite afirmou, inclusive, que o pedido já foi feito a diferentes esferas do governo federal e que a entidade vai encaminhar um pleito neste sentido à Câmara de Comércio Exterior (Camex) esta semana.

“O crescimento gradual não tem se mostrado eficaz. Defendemos a recomposição imediata da tarifa. Esse volume de importação começa a ser muito danoso para a indústria. Não sabemos em quais condições será colocado esse estoque no mercado”, reclamou Márcio. 

Alckmin deixa no ar volta do imposto total de eletrificados

Presente na apresentação dos dados da Anfavea, o vice-presidente e ministro da indústria Geraldo Alckmin citou a questão do II. Mas deixou no ar se o pedido será acatado.

“Teria mais um ajuste no ano que vem e no último chegaríamos a 35%, que é o que estabelece a OMC, embora em alguns países isso é 40%, 50%, nos Estados Unidos, 100%. Todo mundo procurando proteger seu emprego e a sua indústria”, afirmou Alckmin. 


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O vice-presidente, inclusive, citou as cotas isentas de tributos para quem já está com planos de produção no Brasil.

“Quem está investindo no Brasil e vinha importando teria cota com imposto zero. Os impostos de importação sobem e a cota cai, de tal maneira que você tem previsibilidade. Porque nós queremos investimento no Brasil, indústria no Brasil e conteúdo nacional”, defendeu. 

Veículos eletrificados voltam a puxar importações

Em agosto, as vendas de veículos eletrificados somaram 14,6 mil unidades, 36% a mais que no mesmo mês de 2023. No acumulado do ano, já são 109,2 mil unidades, volume que já é 14% superior ao total negociado em todo o ano de 2023.

Nestes oito meses de 2024, são 41 mil elétricos, 34,5 mil híbridos e 33,7 mil híbridos plug-in. Mais uma vez, em especial os plug-ins alavancaram as importações, principalmente da China.

No acumulado do ano o país asiático mandou para cá mais de 72 mil veículos, aumento de impressionantes 339% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, a China já representa 26% de todos os carros importados pelo Brasil, atrás apenas da Argentina, com 46%.