
Pouco mais de um ano depois do início oficial da sua produção na fábrica de Taubaté (SP), em março do ano passado, o Volkswagen Tera já apresenta números relevantes no mercado regional. Encerrou o primeiro trimestre como o mais vendido na sua categoria, a dos SUVinhos. Também se tornou o modelo mais exportado pela montadora, superando em volume de embarques o compacto Polo.
Nada mal para um carro com tão pouco tempo de mercado, mas não foi por acaso. Afinal, a montadora depositou tempo e recursos para que ele pudesse chegar ao topo logo nos primeiros meses de vida. A combinação de muita publicidade e preço resultou em 18,3 mil unidades vendidas só no primeiro trimestre do ano, o quinto maior volume do mercado total no período. No segmento, foi líder.
Custo baixo e produção enxuta impulsionam o Tera
Que a Volkswagen quer tornar o Tera um best-seller está claro, até porque a escolha pela fábrica de Taubaté trata disso. Dentro do universo VW, ela é vista como uma das que mais proporcionam custo de produção baixo, considerando o tipo de equipamento de manufatura ali instalado e os acordos trabalhistas costurados com representantes dos funcionários no sindicato dos metalúrgicos local.
Com tamanha ascensão comercial, é natural que se espera da montadora o aumento da jornada de trabalho na fábrica para se produzir mais Tera. Entretanto, Taubaté seguirá operando em dois turnos ainda que a demanda pelo SUVinho siga crescendo nas taxas atuais. “Preferimos trabalhar dois turnos em full capacity do que abrir um terceiro turno e encerrá-lo em seguida”, disse Vilque Rojas, diretor da fábrica.

O executivo explicou que esse segundo turno cheio seria algo mais seguro para a montadora em termos produtivos, uma vez que proporciona tempo para manutenção e para, digamos, um olhar mais aguçado para os parâmetros de qualidade nas linhas de produção. O terceiro turno, segundo sua lógica, poderia saturar esse sistema e, eventualmente, levar a montadora a realizar contratações para uma demanda que pode ser sazonal.
No complexo da Volks em Taubaté, três turnos mesmo só nas áreas de armação de carrocerias e estamparia, ambas com alto nível de automação nos processos. Montagem final e pintura, portanto, operam em duas jornadas de trabalho de segunda-feira a sábado. O sexto dia de trabalho, segundo Vilques, serve no planejamento da VW justamente para dar conta do aumento da demanda pelo Tera.

Mais Tera do que Polo na linha de montagem
Tal demanda, inclusive, leva as linhas de Taubaté a produzirem mais Tera do que Polo. Pelos números da montadora, por dia são montadas 550 unidades do SUV e 270 unidades do compacto. A maioria é visível nos meandros da fábrica, sobretudo na montagem final, com os dois modelos compartilhando processos e componentes. Processos que, aliás, contaram com a mão de obra emprestada da reportagem de Automotive Business.

Durante visita à unidade, na quinta-feira, 16, jornalistas foram convidados a participar da montagem de alguns componentes na linha. Coube a AB realizar a montagem de peças na parte traseira do Tera e, vale ressaltar, a tarefa foi executada com certo sucesso após brevíssimo período de treinamento.
