
O Nissan Kicks teve uma das evoluções mais expressivas entre gerações. Ficou maior, mais moderno e mais equipado. Além disso, ganhou novo conjunto de motor/transmissão.
O problema é que tudo isso veio acompanhado de um aumento substancial nos preços frente ao antigo Kicks – que, de certa forma, segue em linha na forma do Kait. O SUV é vendido em quatro versões: Sense, Advance, Exclusive e Platinum. Dependendo da escolha, a conta fica em R$ 199 mil.
Automotive Business avaliou o Kicks Advance 220T e pode dizer que, apesar do preço igualmente elevado, esta é a opção mais interessante para quem quer o modelo da Nissan.
Beleza é subjetiva, mas Nissan Kicks Advance parece unanimidade

O Nissan Kicks Advance é uma versão intermediária e fica acima apenas da Sense.
Quem não conhece o novo Kicks dificilmente vai achar que é um Kicks. Eu, particularmente, já gostava bastante do antigo e acho que ele soube envelhecer com dignidade. Tanto é que serviu de base para o Kait, essencialmente uma variação (profundamente) reestilizada do modelo que se chamava Kicks Play.
Mesmo assim, não há como negar que o novo Kicks ficou bonito. O SUV mudou radicalmente em relação ao seu antecessor.
Ficou mais moderno e incorpora a nova identidade visual da Nissan, marcada por elementos como as barras horizontais no conjunto óptico (vistas também na Frontier híbrida projetada na China) e as linhas mais futuristas.
As lanternas em formato incomum fogem da mesmice do segmento anestesiado pelas mesmas soluções de design, que na traseira normalmente se limitam ao conjunto óptico interligado por uma barra de LEDs.
O Kicks Advance tem rodas de 17 polegadas que são bonitas, mas não tão vistosas como as rodas aro 19 presentes a partir da versão Exclusive.
Interior bonito e bem acabado enche os olhos

Abro a porta e me impressiono positivamente com o interior. O visual é atraente e o acabamento é uma evolução e tanto sobre o padrão já satisfatório do antigo Kicks.
Plásticos de qualidade razoável estão lá, mas felizmente são ofuscados pelas superfícies emborrachadas e montagem bem executada. Há espaço até para algum requinte com os detalhes de tecido cinza, que remetem a modelos de categoria superior.
O quadro de instrumentos de 7″ é digital. Contrasta o vistoso mostrador que pode ser configurado para exibir várias informações (inclusive o conta-giros) com um velocímetro digital na cor branca de visual espartano.
Felizmente, a central multimídia com tela de 12,3″ é a mesma das versões mais caras. É uma rara exceção entre os modelos das marcas japonesas, já que tem uma interface bastante atraente e vários recursos.
A Nissan veio com uma solução diferente para dar mais personalidade ao Kicks. O câmbio automatizado de dupla embreagem é comandado por teclas no console central. Esta ideia, inclusive, deixa o visual bastante minimalista, a ponto de sobrar espaço no console. Existe apenas um pequeno seletor dos modos de condução, mas a impressão é que poderia ter mais elementos lá.
A cabine é ampla e confortável. Os bancos dianteiros preservam o conceito que a Nissan chama de Zero Gravity. São extremamente aconchegantes e muito confortáveis, mesmo depois de horas a fio.
Quem viaja atrás tem bom espaço para as pernas e cabeça. O amplo porta-malas de 470 litros é um dos maiores entre os SUVs compactos. Consegue ser ainda maior do que o compartimento de bagagens do antigo Kicks, que já era bom com 432 litros.
Pacote de equipamentos é satisfatório

O Nissan Kicks Advance sai de fábrica com itens como chave presencial, destravamento das portas sem chave, carregador de celular por indução, câmera com visão em 360 graus, faróis full LED, lanternas de LED.
O pacote de assistências à condução é bastante satisfatório para uma versão considerada intermediária. Inclui alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres, assistente de permanência em faixa de rolamento com alerta de saída, farol alto automático, sensor de fadiga e piloto automático adaptativo.
Alguns detalhes nos lembram que não estamos na versão mais completa. Os comandos do ar-condicionado (analógico) são um dos poucos elementos vindos do antigo Kicks.
Motor turbo é competente, mas não tem pressa

O novo Kicks usa o motor 1.0 turbo de três cilindros de 125 cv e 22,4 kgfm projetado pela Horse e fabricado pela Nissan em Resende (RJ), associado a um câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas.
Esse conjunto é o mesmo encontrado no Renault Kardian, com quem o Kicks compartilha a plataforma modular. O acerto, porém, é exclusivo do modelo da Nissan.
Essa calibragem é perceptível depois de algum tempo dirigindo o SUV. O motor turbinado impulsiona o Kicks sem sustos em retomadas e ultrapassagens, mesmo sem ser um expoente de agilidade. E está tudo bem, afinal o Kicks nunca foi pensado para quem procura desempenho de sobra.
A troca do câmbio CVT pela caixa de dupla embreagem (que é bem escalonada, diga-se) melhorou consideravelmente o nível de ruído na cabine. Agora as acelerações são muito mais silenciosas, algo impossível no Kicks anterior.
As médias de consumo são de 8,3 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, vão para 11,7 km/l e 14,3 km/l. Não dá para chamar de supereconômico, mas não bebe excessivamente. Além disso, o tanque de combustível de 48 litros é maior do que o reservatório de 41 litros do antigo Kicks, que fazia dele o melhor amigo do frentista do posto.
Vale a pena comprar o Nissan Kicks Advance?
Sim. É verdade que o preço de R$ 179.990 assusta, sobretudo com tantos modelos chineses maiores e mais completos – alguns deles, inclusive, híbridos.
Entretanto, quem leva o novo Kicks para casa não vai se decepcionar. O SUV é bonito, espaçoso e seguro. Fora tudo isso, o motor 1.0 turbo também cumpre bem seu papel.
