
A Borgwarner vai encerrar o ano no país com um faturamento 25% maior do que o registrado no ano passado. A empresa não citou valores, mas considerando o mal momento do segmento de caminhões, que no passado representou fatia importante nos negócios da fabricante, o faturamento maior é algo a se comemorar.
De acordo com Melissa Mattedi, diretora geral da divisão de turbos e componentes para motores térmicos, que mantém produção em Itatiba (SP), as perdas de receita no segmento de caminhões e ônibus foi suplantada pela receita obtida com os negócios envolvendo veículos leves.
A executiva disse na quarta-feira, 29, que hoje os negócios no segmento de automóveis correspondem a 70% do faturamento da companhia no país, com os 30% restantes obtidos nos negócios envolvendo pesados.
Por outro lado, não faz muito tempo em que eram esses os negócios que representavam maior pedaço no total faturado pela companhia por aqui, disse Melissa.
O movimento é considerado natural, uma vez que a empresa passou a ganhar mais presença no mercado de leves depois que experimentou uma espécie de boom a partir do contrato firmado com a Volkswagen para fornecimento de turbocompressores para os modelos TSI da montadora.
Na sequência veio o contrato com a Stellantis, que elevou a presença da Borgwarner no segmento de leves. Ao passo que os negócios no mercado de pesados foi caindo na medida em que os volumes de vendas de caminhões foi caindo no mercado local, que hoje vive um tipo agudo de crise.
A participação no mercado de leves deverá ser ainda maior a partir de 2026. Isso porque a Borgwarner fechou um novo grande contrato de fornecimento de componentes no país. A montadora em questão será anunciada até o final do ano pela fabricante, disse a diretora geral.
Borgwarner está “arrumando a casa” para o futuro
A Borgwarner completa 50 anos de operações no país em 2025, um ano em que a empresa se encontra “arrumando a casa para o futuro”.
“Queremos estar prontos para as demandas que virão”, disse Melissa Mattedi em abril. A executiva, inclusive, está prestes a completar um ano à frente da divisão de turbos, sucedendo a Wilson Lentini.
A respeito das demandas maiores que virão, Melissa disse à época que há uma maior chance delas terem a ver mais o com aumento de capacidade de produção local do que com a eventual fabricação de um novo produto no país.
“Ainda existe muito espaço para crescer no mercado de turbocompressores. No Brasil o turbo tem uma participação de cerca de 51% na produção de veículos novos. Na Europa é de cerca de 70%”, contou.
Uma chance de aumentar a presença do componente no mercado, e por consequência gerar mais produção na Borgwarner de Itatiba, é a chegada de veículos leves híbridos de marcas asiáticas no país, afirmou a diretora.
*colaborou Bruno de Oliveira
