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Catalisadores ganham novo status com o Proconve L8

Na segunda reportagem da série sobre as novas normas de emissões, especialistas contam como mudanças na peça foram fundamentais
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Fernando Miragaya

29 jan 2025

3 minutos de leitura

Catalisadores usam materiais nobres – Foto: Tuper/divulgação

Sabe aquele jogador de futebol que se mostra fundamental na base mas quando sobe para o profissional fica meio esquecido no banco de reservas? Os catalisadores dos automóveis, fundamentais para a redução de emissões, voltam a ser protagonistas com o Proconve L8.

Na segunda reportagem da série da Automotive Business sobre o impacto da nova legislação nas engenharias das montadoras (veja a primeira aqui), falaremos dessa peça obrigatória e vital. Mas que estava ali, quietinha, desempenhando seu papel de forma discreta. Agora, ela voltará a ter destaque.

“O Proconve L8 demanda que uma parte muito forte da indústria aumente o sistema de pós-tratamento, de catalisadores e gases de escape. Uma parte que já trabalhava bem vai ter de ir além, como refinar materiais do catalisador”, explica Eduardo Bennacchio, gerente de engenharia da Toyota.

Proconve L8 demanda novos desenhos dos catalisadores

Para situar o nobre leitor, lembraremos dos novos limites estabelecidos pelo Proconve L8 para emissões de hidrocarboneto (HC), monóxido de carbono (CO) e óxidos de nitrogênio (NOx), que entram no cálculo conhecido como NMOG (gases orgânicos não metano). Eles seguirão uma escala gradual até o fim da década (veja quadro abaixo).

Os catalisadores fazem parte do sistema de escapamento automotivo justamente com a função de transformar os gases poluentes gerados pelo motor em compostos não prejudiciais à saúde.

Por exemplo, o Proconve L8 obrigou catalisadores com novos desenhos para facilitar o uso de materiais nobres (platina, paládio e ródio) capazes de melhorar a função do equipamento.

“Isso permite aumentar a carga catalítica para filtrar mais os poluentes”, explica João Dias, gerente de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Horse.

Instalação da peça também mudou

Além de mudanças também no posicionamento da peça na parte inferior do carro. Os catalisadores começaram a ser instalados mais próximos do sistema de exaustão do motor.

Essa posição faz com que os gases cheguem na temperatura mais alta possível. O suficiente para aumentar a eficiência e rapidez da função do catalisador.

“Está em desuso colocar catalisador embaixo do carro. Quanto mais alta a temperatura com que os gases chegam, melhores as reações químicas para transformar esse poluente em algo aceitável. Catalisador já é uma parte do motor”, explica Dias.

Curiosamente, tais mexidas nos catalisadores só bastam para o começo do Proconve L8. Até o fim da década, o equipamento precisará de mais ajustes para atender aos limites de emissões.

“Possivelmente tudo isso não deve ser suficiente para a fase final do Proconve L8, quando serão necessários sistemas externos de pré-aquecimento do catalisador”, adianta Eduardo Bennacchio, da Toyota.

Na próxima série de reportagens sobre o Proconve L8 você vai saber como os sistemas de injeção e de comandos de válvulas serão quase mandatórios nesta fase do programa.