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CEO da Uber: em 20 anos, robôs serão melhores motoristas que os humanos

E como fica para os motoristas da plataforma? Executivo diz que empresa procura diversificar os tipos de oportunidades de monetização
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Redação AB

30 jan 2025

3 minutos de leitura

CEO da Uber, à esquerda, em entrevista ao “Wall Street Journal”

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, deu uma entrevista ao “Wall Street Journal” em que falou sobre o crescimento das tecnologias de direção autônoma.

“Não é algo que vai acontecer tão cedo, a tecnologia ainda é limitada a regiões muito específicas de origem e destino, os custos de mapeamento são altos, as plataformas de hardware ainda não existem”, disse ele.

Mas o CEO fez previsões para o futuro. Ele disse acreditar que, pelos próximos 10 anos, haverá uma rede híbrida de humanos e máquinas.

“Mas daqui a 15, 20 anos, acredito que o motorista autônomo será um motorista melhor que o humano. Ele terá um treinamento com base em vidas inteiras de direção, algo que uma pessoa não pode ter, eles não vão se distrair… e quando a gente olha para o mundo inteiro, há mais de 1 milhão de mortes por ano no trânsito. Então, acredito que isso tornará as viagens mais seguras”, avaliou o executivo.

Khosrowshahi também elaborou sobre o que isso significa para o faturamento dos motoristas parceiros.

“Acredito que a mudança humana irá acontecer eventualmente e nós, como sociedade, precisamos pensar em como (…) diversificar os tipos de oportunidades de monetização que os proprietários têm. Então começamos com transporte, fomos pra delivery, agora temos serviço de compras”, afirmou.

“Estamos investindo em criar métodos alternativos de fazer dinheiro para nossa base de motoristas. Acredito que é um problema real, e um sério, que nós, como sociedade, precisamos lidar. Não tenho respostas fáceis”, disse ele.

Eletrificação desacelera

O CEO foi questionado sobre uma previsão que fez no passado a respeito da transição da frota da empresa para carros elétricos — ele previu que todos os carros a serviço da Uber nos EUA, Canadá e Europa seriam elétricos até 2030 e, em todo o mundo, até 2040.

“Francamente, no ritmo que estamos, vai ser muito difícil para atingir essas metas. Especialmente nos EUA, houve muita empolgação sobre os VEs, sobre investimentos, tecnologias de baterias etc. Mas, no Ocidente, e especialmente nos EUA, houve um recuo”, disse ele.

O executivo, contudo, garantiu que os motoristas do aplicativo aprovam os veículos elétricos.

“Nossos motoristas testam os VEs por meio de programas de aluguel, eles podem testar antes de comprar. E eles adoram os VEs, eles ganham mais. Nós nos comprometemos a investir US$ 800 bilhões em eletrificar nossa frota e o maior investimento nesse sentido é diminuir nossa taxa para motoristas que dirigem VEs, para que haja incentivo a fazê-lo, já que o custo dos VEs ainda é alto”, disse Khosrowshahi.

Ele também disse que as montadoras têm focado no mercado de luxo e precisam criar formas de baixar seus preços para tornar a tecnologia acessível.

Sobre as recentes medidas anunciadas por Donald Trump para retirar os incentivos aos consumidores para a compra de VEs nos EUA, Khosrowshahi lamentou, mas ressaltou que a Uber é uma empresa global e que não pode depender de subsídios para seu modelo de negócios. Ele acredita que o maior crescimento dos VEs será na Europa, onde já há melhores resultados.

Apesar de toda essa mudança no contexto da eletrificação, ele afirma que a Uber se mantém otimista em relação à diminuição de emissões.

“No que diz respeito às emissões, a quilometragem é o que conta. Os motoristas de Uber estão transicionando para os elétricos cinco vezes mais rápido que os motoristas comuns (…) e, em média, dirigem cinco vezes o número de quilômetros que um motorista comum”, disse.