
Quando entrei no Circuito Panamericano, o campo de provas da Pirelli no interior paulista, confesso que olhei enviesado. Afinal, a tarefa era dirigir o recém-renovado Hyundai Creta em uma pista fechada. Logo um SUV que sempre critiquei pela dinâmica.
Só que meus olhos logo brilharam ao perceber que ia dirigir a versão topo de linha do Creta, justamenfe a que traz o novo conjunto mecânico da linha. Trata-se de um 1.6 turbo que promoveu o Hyundai ao posto de SUV compacto mais potente da categoria.
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São 193 cv que enchem os olhos de qualquer um que pisa mais forte no pedal do acelerador. Mesmo na saída “mais leve” dos boxes da pista da Pirelli, percebe-se que o coração, ali, bate forte e suave.
Um meio termo entre emoção e razão que será comprovado na pista. Ao pisar com mais firmeza no acelerador, a progressão de giros é rápida. Porém, todo esse impeto se apresenta de forma mais sutil.
Hyundai creta é forte no desempenho, sem ser bruto
O Creta esbanja toda essa potência sem ser bruto. Mesmo com o modo sport de condução ativado, não há aqueles socos bruscos que que te pressionam contra o encosto do banco.
Muito mérito da calibragem e do acerto entre motor e câmbio. A caixa automatizada de dupla embreagem e sete marchas faz as mudanças de forma ágil e sutil. Uma clara preocupação em manter a proposta de SUV familiar e com pegada confortável – algo que a Honda faz também com o HR-V.
Mas também há uma evidente atenção à dinâmica. Lembra que no início deste texto eu comentei o olhar desconfiado para dirigir o Hyundai Creta no Circuito Panamericano?
Primeiro,a explicação para tamanho pé atrás. O Hyundai Creta desde a primeira geração chama a atenção por rodar macio até demais em alguns pontos. Assim como uma direção, que carecia de assistência mais progressiva – aquela que deixa o volante mais firme conforme a velocidade aumenta.
Dinâmica aprimorada

Ao menos na remodelada versão Ultimate, a única que carrega o motor 1.6 na linha 2025, o carro está mais firme. Nas curvas fechadas da pista da Pirelli o SUV aponta bem e a direção se mostra levemente mais direta, assim como a carroceria, que oscila menos que no Creta anterior.
Fruto dos acertos que a Hyundai fez no carro para receber o novo motor. Segundo Alberto Hackerott, gerente sênior de produto da Hyundai Motor Brasil, foram colocados reforços na suspensão e na carroceria para adequar o SUV ao ganho significativo de desempenho.
Não que o Creta esteja firme e “duro” como um SUV de marca alemã. Muito menos que o anterior fosse um banheirão. Mas a engenharia encontrou um bom meio termo para o modelo. Claro que isso no melhor dos mundos: uma pista que parece um tapete.
“O carro foi dimensionado para o motor, a Hyundai aplicou reforços na suspensão e ambém reforços na carroceria para diminuir a torção. Mas o Creta preserva a concepção original da suspensão. Mesmo com essa motorização, ainda está compatível com a potência e torque do motor”, explica Hackerott.
Espaço interno segue como destaque no Hyundai Creta
Já o conforto continua sendo um dos atributos do Creta. A posição de dirigir agrada a maior parte do tempo e o banco traseiro é amigável para até três passageiros.
O quadro de instrumentos eletrônico em uma tela que lembra um tablet é funcional e sem exageros como deve ser. E harmoniza com a central multimídia blueNav, de operação bastante intuitiva.
O acabamento do painel ficou mais agradável em termos de estilo e aparência de qualidade, apesar do plástico. Só que o display do ar-condicionado destoa, com um visual bastante datado e que não combina em nada com o upgrade que o SUV recebeu. Essa contradição não escapa aos olhos de ninguém.
