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Mercado

Com novo motor, Scania quer devolver ao Brasil o posto de maior mercado de ônibus

Volume de vendas realizadas no México em 2025 superou o registrado pela empresa no país

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Bruno de Oliveira

30 jul 2026

3 minutos de leitura

Plataforma Super, que pode ser a última da Scania movida a diesel, já equipa caminhões da empresa (Foto: Divulgação)

O mercado brasileiro sempre foi o que mais proporcionou volumes de vendas de ônibus para a Scania. No ano passado isso mudou, com o México assumindo a posição após forte movimento de compras de veículos urbanos. Com o novo motor Super de 13 litros, o mais avançado da fabricante em termos de emissões e consumo, a operação local da empresa pretende inverter os papéis.

Na quarta-feira, 29, a fabricante anunciou uma nova plataforma para ônibus rodoviários equipada com esse motor, que já vinha sendo aplicado em alguns modelos de caminhões da sua oferta. A partir de agosto, a Scania passará a vender com o motor Super os chassis K 350, K 390 e o K 430, com a versão 11 litros, e os chassis K 460 e K 500 com a de 13 litros.

Novo motor Super promete redução de 8% no consumo

De acordo com Eronildo Barros, diretor-geral das operações comerciais da montadora, a aplicação do motor na linha de chassis de ônibus tem a ver com a demanda dos frotistas por menor consumo de combustível em contexto de forte de redução de custos operacionais que essas empresas estão imprimindo no Brasil.

A plataforma do motor Super, que surgiu na Europa como possível último motor diesel desenvolvido pela Scania, tem como principal apelo a redução de, no mínimo, 8% do consumo do combustível na comparação com a geração atual de motores que equipam a linha de ônibus da fabricante.

Componentes eletrônicos que aumentaram a pressão no sistema de injeção viabilizaram esse consumo menor, que também demandou um novo cabeçote e aplicação de alumínio em partes que, antes, eram de ferro. A engenharia da empresa também promoveu mudanças na lubrificação do powertrain, que agora pulveriza óleos menos viscosos em eixos e engrenagens. O esquema gera menos atrito do que o antigo conjunto submerso em óleo.

Investimentos de R$ 120 milhões

A montadora teve de investir na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) para produzir a nova plataforma de motor. Foram R$ 120 milhões na compra de novos equipamentos de manipulação de peças e de usinagem além da expansão predial da unidade de motores dentro do complexo do ABC Paulista. O recurso integra o pacote de R$ 2 bilhões que a montadora anunciou para o ciclo 2025-2028.

Redução do consumo do novo motor de ônibus por ser igual ou maior do que 8% (Foto: Divulgação)

A Scania vende ônibus em 90 países, nos quais, no ano passado, vendeu 6,5 mil unidades, Desse total, 48% foram absorvidos por mercados na América Latina. Para o México, no período, foram vendidos 837 chassis. Para o Brasil, 760.

“Queremos inverter essa lógica neste ano”, disse Eronildo Barros. “O chassi com motor Super vai desempenhar um papel fundamental nesse processo porque ele entrega a redução de custos que o operador local, pressionado pelo aumento do preço do diesel, dentre outros custos, precisa no momento.”

A Scania seguirá vendendo os chassis equipados com o motor mais antigo ao longo de 2027. Eles serão substituídos gradualmente pelos equipados com o novo motor, disse o executivo. “Ambos vão conviver no mercado até pra gente poder ver como a demanda reage o novo produto”, finalizou Barros.