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Como é dirigir o Ami, o Citroën que nem precisa de carteira de motorista

O pequenino (não) carro elétrico é funcional dentro de sua proposta de ser uma opção de mobilidade nos grandes centros
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Fernando Miragaya

19 ago 2024

4 minutos de leitura

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É divertido como um carrinho de criança, só que pode ser tão funcional para a mobilidade como um patinete elétrico. Assim é o Citroën Ami, o simpático “veículo” da marca francesa que Automotive Business teve a oportunidade de dirigir no Rio de Janeiro (RJ).

As aspas têm explicação. Nem mesmo a fabricante o define como um carro. Tanto que na Europa, pode-se dirigir o Citroën Ami com 16 anos. Na França, nem isso: ele é enquadrado como quadriciclo e pode ser guiado por adolescentes de 14 anos.


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O que reforça a proposta de ser um modal de apoio para deslocamentos dentro dos grandes centros urbanos. O Ami, inclusive, já faz parte da frota de algumas empresas de compartilhamento de carros em mercados europeus. E, sim, ele é se encaixa perfeitamente nesta lógica pela praticidade.

Praticidade que de cara se percebe ao entrar no Citroën Ami. No Rio Innovation Week, evento de mobilidade que ocorreu na Cidade Maravilhosa na segunda semana de agosto, dirigimos o carrinho em uma pista improvisada no Pier Mauá, na zona portuária carioca, e antes mesmo de virar a chave – sim, é na chave -, vale aquela conferida.

A versão exposta no Rio era a Buggy, uma espécie de opção recreativa. No lugar das portas, barras circulares, sem janelas, que são abertas por um botão na lateral próximo à coluna dianteira. 


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Esta configuração praiana segue a mesma lógica do Citroën Ami convencional: as “portas” do motorista e carona são idênticas, abrem-se apenas em sentido contrário, em nome da redução de custos. Dentro, a abertura das mesmas se dá por meio de tiras de tecido – não há maçanetas.

A cabine é simplória ao extremo. O quadro de instrumentos fica em um pequeno display acima do volante que traz no miolo uma pochete que faz as vezes de porta-luvas. Pequenas teclas ao centro do painel servem de seletor do câmbio: drive, neutral e rear, nada mais.

O espaço é apenas para duas pessoas. São 2,41 metros de comprimento, 1,39 m de largura e 1,52 m de altura, mas motorista e carona não ficam com sensação de aperto na cabibe. Claro, que não há porta-malas e não dá para levar nada além de mochilas e bolsas.

A brisa do mar ao dirigir o Citroën Ami

Acelero e o Citroën Ami responde de forma gradual. Confesso que pensei que ele teria um comportamento de carrinho de golfe, com pedal do acelerador sensível demais e respostas mais bruscas. Nada disso.

Lá vai o Ami à beira do Porto, não com seu único velho vestido, cada dia mais curto, mas sim com poucas peças, justamente para ter apenas 450 kg. Desta forma, os 8 cv de potência do motor elétrico são mais que suficientes para locomover o simpático modelo.

Se precisar acelerar, ele responde bem, mas ainda preserva aquela linearidade no desempenho. A velocidade máxima é de 45 km/h, segundo a Citroën. Está mais que bom.

O vento do mar da Baía Guanabara que entra no buggy elétrico sem janelas enquanto eu dirijo só aumenta a diversão e uma sensação de carro low profile. O volante é direto e não exige qualquer esforço nas manobras – beneficiado pelos pneuzinhos e pelo baixo peso.

Cabe em qualquer lugar e até uma criança consegue estacioná-lo na mais apertadas das vagas. Inclusive, nessa hora, chama a atenção da minha carona a coluna da direção visível, girando para lá e para cá, sem qualquer acabamento. 

Carregamento rápido em tomada comum

Não precisa. O lance é ser mesmo espartano e prático. Até na hora de carregar. São necessárias apenas 3 horas para completar a bateria de 5,5 kWh, só que nem precisa se preocupar com Wallbox ou preparação da rede elétrica.

O Citroën Ami tem sua bateria carregada em uma tomada comum de 220V. Isso mesmo, uma tomada de três pinos de 20A (bitola larga) e… voilá: tudo certo para abastecer e voltar a dirigir o Citroën Ami.

A Stellantis, dona da Citroën, quer e vai vender o Ami aqui, mas ainda esbarra na legislação. Não há uma categoria que regulamente esse tipo de veículo para que sua funcionalidade seja viável comercialmente.

O filão para a montadora pode ser as frotas corporativas para uso interno por grandes empresas. O que dispensaria o emplacamento e a necessidade de licenciamento, já que os veículos circulariam em ambientes controlados e privados, para o transporte de funcionários.

Uma coisa é certa. O funcionário que for agraciado pela função vai se divertir.