
A Volkswagen preparou bem a transição na base do mercado. Em 2021 já havia avisado que teríamos um tal de Polo Track na região para ser o modelo mais básico da marca. De meados do ano passado para cá, ainda martelou que o substituto do Gol estava próximo.
A VW revelou até preço do carro com dois meses de antecedência, Tudo para garantir um rito de passagem digno do Gol para o “novo” modelo. E não deixar muitos emplacamentos se esvaírem por uma transição conturbada, além da perda natural de vendas que uma novidade sempre acarreta
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Enfim, chegou a hora de conhecer de perto e dirigir o Polo Track. Automotive Business teve o primeiro contato com o compacto mais básico e barato da Volks para analisar se essa transição pode ser tranquila – ou dramática.
Em um percurso de quase 400 km entre Guarulhos e a Pedra do Baú, na região de São Bento do Sapucaí (próximo a Campos do Jordão), tivemos a oportunidade de ver como o Polo Track vai fazer as honras do Gol.
Como o Polo Track pode ocupar o lugar deixado pelo Gol
Robustez
Nos últimos dias a Volkswagen disparou vídeos dos testes de engenharia do Polo Track. Nas imagens, o compacto aparece sendo judiado e submetido aos mais extremos tipos de terreno. O recado que a marca alemã quer deixar é claro: o hatch tem a mesma robustez do antecessor.
Essa estratégia foi replicada no test drive de lançamento para a imprensa. O trajeto entre Guarulhos e a Pedra do Baú teve de tudo: desde o tapete da Rodovia Carvalho Pinto até trechos de serra, passando por vias muito esburacadas, de paralelepípedos e lombadas de todos os tamanhos.
O modelo comprovou a mesma construção sólida do restante da linha Polo – e que o Gol também tinha, vamos combinar. Encarou bem os buracos sem raspar partes no asfalto ou dar fim de curso na suspensão.
E o que é melhor, sem parecer uma gelatina ao passar pelas irregularidades como muitos de seus concorrentes. Importante ressaltar que a VW mudou os amortecedores neste Polo Track em relação ao restante da linha justamente pelo fato dele ser 25 kg mais leve.
Dinâmica

Aqui, o modelo se sobressai ao Gol. A plataforma MQB é conhecida por sua versatilidade e é bem mais moderna que a PQ24 que servia ao veterano hatch. Não que o velho carro fosse ruim, mas o sucessor tem uma dinâmica muito mais apurada.
A começar pela direção com assistência elétrica, mais direta e precisa. O Polo Track aponta bem nas curvas como o restante da linha. A carroceria torce o mínimo e o hatch fica firme no asfalto.
Nas retas a 120 km/h permitidos na Rodovia Carvalho Pinto, o Volkswagen mais barato do país também não decepciona. Não há sinais assustadores de flutuação nem necessidade de correções emergenciais do volante.
Desempenho
O Polo Track, “novo” modelo de entrada da VW, usa o mesmo motor do Gol – e do Polo MPI. O 1.0 12V tricilíndrico da família EA211 gera 84 cv com etanol e 75 cv, com gasolina. É o suficiente para o Track se movimentar pela cidade.
Porém, como todo motor 1.0 aspirado, pede arrego quando exigido em baixos giros. Na mais inocente subida, o motorista já vai precisar chamar o motor na redução de marchas. Conforme a serra fica mais íngreme, a musculação é certa nas trocas constantes do câmbio.
Ainda bem que temos a transmissão MQ200. Com curso curto e engates justos, o câmbio de cinco marchas da Volks é um dos melhores já feitos pela indústria, além de facilitar muito as constantes trocas.
Consumo

Segundo as medições dentro do padrão do Inmetro, o Polo Track consome um pouco mais de combustível que a versão MPI do hatch. Com etanol, são 9,3 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada (contra respectivos 9,6 km/l e 10,9 km/l do Polo MPI). Com gasolina, 13,5 km/l e 15,0 km/l ante 14,0 km/l e 15,4 km/l.
Durante o test drive, o computador de bordo do modelo avaliado pela reportagem marcou 13,6 km/l – depois de trechos de serra onde o carro trabalhou em altos giros e marchas reduzidas.
De qualquer forma, pela medição oficial da VW, com o tanque cheio de gasolina o “novo” modelo de entrada da montadora alemã promete um alcance de 780 km no ciclo rodoviário.
Conforto
Mais um upgrade para quem vai sair do Gol para o Track. A começar pela posição de dirigir, que no Gol era meio torta e nada ergonômica – quem já fez viagens longas com o veterano compacto sabe como um shiatsu era necessário ao fim da jornada.
Os bancos inteiriços do “novo” modelo de entrada da VW também acomodam melhor o corpo. O espaço interno não é nenhum latifúndio, contudo, também é melhor aproveitado.
Mas o Polo também dá suas escorregadas. O acabamento interno é ruim como em boa parte dos Volkswagens, mas aparenta ainda mais simplicidade – nada muito diferente do Gol.
A propósito, o quadro de instrumentos do Track é garantia para órfãos do veterano hatch matarem as saudades. Não tem o que tirar nem pôr.
Além disso, o isolamento acústico é sofrível. Passou das 3.000 rpm e o motor três-cilindros, além de vibrar demais, emite seu zumbido dentro da cabine sem pedir licença. Nas subidas de serra e na estrada os ruídos de pneus e vento também incomodam.
Equipamentos

Lembre-se que a missão do novato não é só a de substituir o Gol, como tentar manter as vendas diretas que respondiam por mais de dois terços dos emplacamentos do velho hatch. Por isso, o Polo Track é bem aliviado em acabamento e também em equipamentos na comparação com o restante da linha.
Felizmente, herdou os itens de segurança básicos, como os quatro airbags, o bloqueio eletrônico do diferencial e os controles eletrônicos de estabilidade, tração e subidas – esses três últimos que o Gol jamais conheceu. No mais, espere só o trivial de um carro pensado para frotistas.
Estão lá o ar-condicionado e a direção com assistência elétrica. Mas vidros elétricos só na frente, além das travas – como era no Gol. Tem computador de bordo e chave tipo canivete, mas nada de ajustes do volante. Ah, o cinto de segurança só tem regulagem de altura para o motorista – nem para o carona oferece.
O mais incrédulo é o som. O Polo Track será vendido sem equipamento de áudio, ok, já que é um carro que mira locadoras e grandes frotas. O som simples (com Bluetooth e USB) que equipa as primeiras unidades à venda será uma espécie de “bônus” para os compradores iniciais.
Depois, o Polo Track será comercializado pelo mesmo preço R$ 79.090, mas sem o aparelho. Este será oferecido como opcional Media Plus II, que inclui o equipamento, quatro alto-falantes, entrada USB do tipo C e comandos no volante. Custa R$ 900 adicionais – preços coletados no dia 15/2/2023.
Só que quem for pessoa física e quiser o modelo mais básico com multimídia, desista. Terá de ir para o MPI. Isso porque o novato não oferecerá qualquer central mais moderna da linha VW nem como opcional, tampouco como acessório de concessionária – sequer tem o chicote elétrico para tal.
Uma lógica que tem razão de ser não só no público-alvo do modelo. Quanto mais itens tecnológicos, mais chips automotivos são necessários em um carro. E no horizonte ainda nebulosos do fornecimento de semicondutores – e de chicotes -, será uma preocupação a menos para a VW.
Custo/benefício
O Track tem tudo para ocupar o lugar deixado pelo Gol. O carro é só R$ 4 mil mais caro do que custava o velho compacto na tabela oficial e oferece mais segurança e um projeto mais moderno. Além de consumo mais baixo de combustível.
Podem ser argumentos bons para fazer o Polo Track, nesse começo, começar a fazer a cabeça dos frotistas. Não custa lembrar que, das mais de 72 mil unidades emplacadas do Gol em 2022, 76% foram no modelo de venda direta.
A marca alemã não fala em projeções de vendas. Internamente, um volume de 40 mil a 50 mil unidades será celebrado com Champagne. Até para justificar a produção em Taubaté (SP), que tem capacidade superior a 150 mil unidades – e que vai receber o restante a produção de toda a linha Polo em breve.
A missão agora cabe à Volkswagen de mostrar os atributos do novo modelo ao mercado, e convencer os frotistas. Argumentos a favor, ele tem de sobra.
