
Se tem uma empresa no aftermarket otimista e com metas ousadas, essa é a Continental. Quer dizer, a Aumovio, o novo nome da divisão automotiva da fabricante alemã, que acaba de ser revelado no Salão de Xangai, na China.
Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, ou seja, aqui no Brasil, a empresa aproveitou a Automec para lançar novos produtos e falar sobre a estratégia para crescer forte no aftermarket. Por forte, entenda-se uma meta agressiva de 300% em três anos.
Dieta severa no portfólio do aftermarket da Continental
Segundo Ricardo Rodrigues, diretor de veículos comerciais e aftermarket da Continental, esse objetivo é totalmente alcançável dentro da estratégia da empresa.
“De 2019 para 2023 dobramos o negócio do aftermarket porque olhamos para o mercado, para a realidade do Brasil, e vimos no nosso portfólio o que se encaixava na nossa proposta”, afirma o executivo.
Esta estratégia passou por uma otimização severa da linha de produto. No aftermarket, além da marca própria, a Continental atua com as divisões Ate (sistemas de freio) e VDO (tacógrafos para pesados).
O portfólio de 5 mil part numbers foi reduzido para 818 SKOs – a maioria produzida aqui. De acordo com a empresa, esta gama “sobrevivente” representava 95% das vendas.
“Criamos portfólio saudável com ajuda de ciência de dados e estudo de mercado”, garante Ricardo.
Novos negócios para a rede
Ao mesmo tempo, a Continental leva para a Automec alguns lançamentos. Entre eles, corpo de borboletas, fluido de freio, cilindro mestre, sensor de nível de combustível, cilindro de roda e bomba de combustível.
Para o segmento de pesados, módulos de calibragem de tacógrafo e também uma linha de óleo de motor.
“Estamos criando novos modelos de negócios com a rede autorizada com foco no segmento de pesados. O óleo é uma forma de ampliar e gerar outras possibilidades de serviços e negócios”, aposta o diretor da Continental.
Outra possibilidade é a oferta, nas lojas, de baterias que a empresa vende lá fora. A empresa reconhece que esse segmento tem players fortes por aqui, e que a oportunidade de negócio mais viável seria a comercialização via rede.
Enquanto isso, a Continental mapeia o setor de aftermarket. Na área de leves, por exemplo, retomou a produção de sensores de nível de combustível.
“Fazemos investimento em engenharia e produção. O Brasil foi relevante nos últimos quatro anos, tivemos rentabilidade e entregamos o prometido. Com isso, atraímos investimentos”, explicar Ricardo Rodrigues.
Enquanto isso, na China…

Como dito, lá fora a empresa revelou seu novo nome: Aumovio. A previsão é que a companhia seja listada na Bolsa de Valores de Frankfurt em setembro deste ano.
“Como empresa independente, ganhamos muito mais agilidade e poder criativo. Nosso objetivo é ampliar ainda mais nossa atuação em áreas de mobilidade emergente e mercados em crescimento”, explicou Philipp von Hirschheydt, CEO da divisão automotiva da Continental.
