
A BYD aumentou a vigilância dos funcionários e da construção de sua fábrica em Camaçari (BA). O movimento acontece logo após o flagra de trabalhadores em condições similares à escravidão na da unidade.
Os profissionais tinham vínculo com a construtora chinesa Jinjiang, com quem a montadora encerrou contrato. Mas, ainda assim, os maus tratos aconteceram dentro dos portões da fabricante de veículos.
BYD implementa câmeras e rastreamento de arquivos na fábrica baiana
A informação sobre o aumento da vigilância é da Agência Pública, veículo focado em jornalismo investigativo que, em novembro de 2024, foi responsável por revelar os maus tratos às pessoas envolvidas na construção da fábrica da BYD.
Segundo a reportagem, a empresa teria instalado ao menos 135 câmeras nas áreas administrativas e galpões de obras, além de fixar cartazes para proibir fotografias.
Outra medida foi instalar um programa nos computadores que coloca uma marca digital em cada arquivo e, com isso, permite o rastreamento dos documentos para mapear de qual máquina saíram, em caso de vazamentos.
As medidas foram comunicadas por e-mail aos colaboradores em 18 de dezembro. A mensagem informa que o departamento de tecnologia da informação da China foi responsável pela instalação.
O clima seria de “caça às bruxas”, informou uma fonte à agência. A empresa estaria empenhada em descobrir quem foram os responsáveis por vazar informações sobre a situação dos trabalhadores. Isso sem qualquer confirmação de que as condições análogas à escravidão foram reveladas por pessoas diretamente envolvidas na obra.
BYD aponta que objetivo é proteção intelectual
A BYD nega que o aumento da vigilância dos funcionários seja consequência da descoberta de trabalho análogo à escravidão nas obras da fábrica. É, inegável, no entanto, que a medida aconteceu logo após essa crise vir à tona.
Comunicado da empresa à Agência Pública aponta que “medidas relacionadas à proteção de segredos industriais são comuns e essenciais e indústrias de ponta”.
Procurada por Automotive Business, a assessoria de imprensa da BYD apontou que a companhia já tem práticas como a marca d’água digital no escritório de São Paulo e na fábrica de painéis fotovoltaicos em Campinas (SP). A implementação dessas ferramentas de proteção da propriedade intelectual seria apenas mais uma etapa do amadurecimento da estrutura da fábrica da companhia em Camaçari.
Segundo a assessoria, globalmente, a BYD gera de 40 a 50 patentes a cada dia útil como fruto do trabalho de uma equipe de mais de 100 mil engenheiros e pesquisadores. O contexto, portanto, demanda medidas para evitar vazamentos ou roubo de propriedade intelectual.
O que aconteceu na fábrica brasileira da BYD
No fim do ano, após reportagem da agência Pública, o MTE flagrou alimentos armazenados em condições insalubres, além de alojamentos que desrespeitavam a dignidade humana, com camas sem colchões e higiene inadequada.
A apuração também descobriu que as pessoas eram submetidas a jornadas exaustivas de trabalho, tinham parte dos salários retidos e viviam em situação de privação de liberdade.