
A descarbonização no setor automotivo tem um preço. Só que as montadoras não querem pagar a conta toda nesta transição energética inevitável e os custos se apresentam como mais um desafio para a indústria.
Essa foi uma das tônicas do painel “Impulsionando a transição para um transporte mais ecológico” durante o Energy Summit. O evento, que acontece no Rio de Janeiro (RJ) até quinta, 26, se propõe a trazer inovações e soluções para o setor de energia e sustentabilidade.
Cadeia automotiva engajada na transição energética
No debate mediado pelo jornalista Fabio Trindade, diretor do “Motor 1 Brasil”, João Irineu Medeiros, vice-presidente de assuntos regulatórios da Stellanis para a América do Sul, comentou que a transição energética no Brasil precisa ser feita de forma gradual e que envolva toda a cadeia.
O executivo ressaltou o fato que um automóvel tem cerca de 4 mil componentes e que ao menos 8% deles são desenvolvidos por fornecedores. Por isso, defende que o custo da implementação da tecnologia em prol da descarbonização tem de ser compartilhada com toda a cadeia.
“Precisamos de qualificação em toda a cadeia. Precisamos de engenheiros capacitados, desde na academia, em fornecedores e montadoras”, justificou Irineu.
Já Felipe Souza, head de desenvolvimento de rede da Omoda Jaecoo Brasil destacou uma vantagem competitiva que a empresa, novata no Brasil, tem em termos globais.
Parte do Grupo Chery, as marcas se valem de arquiteturas eletrificadas globais da montadora que permitem flexibilidade de aplicações conforme a região.
“A Chery focou primeiramente nos mercados internacionais e estabeleceu centros de pesquisa e desenvolvimento nos cinco continentes. Com isso, consegue combinar e entregar uma plataforma adaptável para atender a necessidade e regulação de qualquer país”, garante o executivo.
Matriz energética pede diversificação de soluções
Também participante do painel, Gilberto Martins, diretor de assuntos regulatórios e tecnologia da informação da Anfavea chamou a atenção que não basta só ter P&D, Mas entender a matriz energética brasileira.
“Os fabricantes precisam utilizar pesquisa e desenvolvimento, mas entender a matriz energética brasileira, com 50% de energia renovável. E uma infraestrutura de biocombustíveis presente em 40 mil postos espalhados pelo Brasil”, afirmou o executivo da entidade que reúne as montadoras.
Por isso, mais uma vez houve um consenso de que não há consenso. OU seja: o Brasil deve considerar várias rotas para seu processo de descarbonização justamente devido à matriz energética.
“O Brasil é diversificado em soluções energéticas. A força da eletrificação do carrro também se apresenta diversificada e ainda diz respeito ao poder aquisitivo. Precisa olhar para esse espectro da realidade local e continuar investindo em localização”, acredita João Irineu, da Stellantis.
“A meta é que a gente precisa descarbonizar. A forma como a gente vai descarbonizar não consegue entrar nesse consenso. A gente costuma pintar a realidade de outro país, mas quando se fala em biocombustíveis temos de levar isso em consideração”, completa Felipe Souza, da Omoda Jaecoo.
