
A Renault adotou oficialmente como seu nome no país a sigla RGdB, que significa Renault Geely do Brasil. A mudança, realizada após a costura da sociedade com a marca chinesa, é mais profunda do que a nova nomenclatura. Em 33 dias, a fábrica de São José dos Pinhais (PR) se converteu em uma nova estrutura produtiva para receber a montagem do EX5.
Foi em janeiro que uma grande equipe de profissionais brasileiros, chineses e franceses esteve na unidade para iniciar a transformação. O SUV da Geely é construído sobre a plataforma GEA, que é mais larga e pesada do que as demais que dão vida aos modelos Renault produzidos na fábrica — no caso, a CFA (Kwid), B0 (Renault Duster) e a RGMP (Kardian e Boreal).
A montadora também produz a picape Oroch e o utilitário Master na unidade.
Dessa forma, foi preciso alargar a linha de produção para que a plataforma do EX5 pudesse passar livremente, o que demandou equipamentos novos e maiores. O sistema de transporte das carrocerias também precisou ser modificado. Afinal, o SUV da Geely é mais pesado do que os demais modelos produzidos ali.
Além das mudanças estruturais, a montadora teve de agregar novas áreas para a produção do EX5, muitas delas em função de componentes que não são compartilhados com os demais veículos montados na planta, além das exigências do powertrain eletrificado. A presença de baterias elétricas na linha demanda um manuseio distinto.
Com isso, a RGdB já tem sua nova linha praticamente funcional, como afirmou o CEO da fabricante na América do Sul, Ariel Montenegro. Já passam por ali, em fase de testes, carrocerias do EX5, o primeiro de uma dupla de veículos Geely que será produzida no Paraná. O momento, ao que tudo indica, é de ajustes finos para o início efetivo da produção, programado para o segundo semestre.
O segundo modelo que será produzido na unidade ainda segue sob sigilo, mas o compacto EX2 é um dos candidatos, confirmou o executivo na quarta-feira, 6.
Conta a favor desse veículo o fato de ter sido bem assimilado pelo consumidor brasileiro. No quadrimestre, o EX2 foi o segundo modelo da RGdB mais vendido no país, atrás apenas do Kwid. Foram emplacadas cerca de 6 mil unidades até abril, segundo dados do Renavam divulgados pela Fenabrave.
Navio desembarcou mais de 3 mil veículos Geely em março

A julgar pelo novo carregamento de unidades do EX2 que chegou ao Brasil, o modelo segue com boa demanda. No fim de março, um navio vindo da China desembarcou 3.370 unidades no porto de Paranaguá. Para Montenegro, o volume representa menos de um mês de vendas de veículos Geely no país.
A fábrica de São José dos Pinhais passará por novos ajustes em julho. Está programada uma pausa na produção, que deve durar até uma semana, para a realização dos acertos finais. Hoje, o complexo industrial opera em dois turnos e deverá seguir assim até o fim do ano. A demanda do mercado interno ainda não justifica a abertura de um terceiro turno.
O complexo também se consolidou como um polo produtivo Renault Geely. Não há mais traços de operações da Nissan, sua antiga parceira em aliança com a Mitsubishi, na fábrica desde o ano passado. As coisas mudaram, e a fila andou.
