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Em tempos de mudanças, invista em comunicação

É papel da liderança assegurar clareza e, assim, reduzir a resistência natural das pessoas ao que deve ser feito
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Valter Pieracciani

14 mar 2022

3 minutos de leitura

Em momentos de transformações e imprevisibilidade as pessoas procuram por mais e mais informação. É papel do líder assegurar comunicação abundante, clara e completa, e assim reduzir a resistência natural das pessoas ao que deve ser feito, protegendo a produtividade. 

Essa é a terceira, e última, das estratégias vencedoras para liderar processos de mudanças que reunimos recentemente em colunas para este portal. Recapitulando: a primeira consistia em avançar rápido para a próxima trincheira, ou seja, não se deixar paralisar pela força das mudanças. A segunda dizia respeito às decisões, exortando os líderes a atacar primeiro as tarefas críticas em um cenário de escassez de tempo. São estratégias experimentadas, de grande sucesso e que possibilitam aos líderes fazer as melhores escolhas para atingir resultados e produtividade mesmo em períodos de profunda metamorfose, como a inédita era que vivemos.


Este é o último de uma série de artigos dedicados a oferecer estratégias para lidar com transformações rápidas e assegurar resultados. Leia também:
– Você é vítima ou líder das mudanças do setor automotivo?
– Para enfrentar a crise, setor automotivo precisa avançar rápido para a próxima trincheira
– Para dar conta de 2022, lideranças automotivas devem focar nas tarefas críticas


Indo para a prática, essa estratégia se traduz em desobstruir os canais de comunicação existentes, ou, na dúvida sobre a eficácia deles, partir para a criação de novos. Tudo deve ser feito para a comunicação fluir, inclusive ir atrás das más notícias e esclarecê-las com sinceridade. Na turbulência as pessoas ficam naturalmente ansiosas, julgam antes de entender e as sentenças podem ser cruéis. Não porque essas pessoas sejam más, mas sim porque é o estado de espírito em que se encontram neste momento. 

Combate à desinformação

A liderança é culpada até que prove o contrário. Por mais seguro que o líder esteja, dirão que os dirigentes não sabem o que estão fazendo. O silêncio do líder será interpretado (provavelmente mal interpretado). Se ele não abastecer as equipes com informação abundante e de qualidade, “água limpa”, elas tentarão saciar sua sede com “água suja” em fontes não oficiais, muitas vezes mal-intencionadas. A famosa “rádio peão”, ou “rádio tamanco” como dizem no Rio de Janeiro, ou ainda, como apelidavam esse canal em um hospital onde trabalhamos, a “rádio bactéria”: você não a vê, mas ela está sempre no ar. 

Certa vez, trabalhamos com um CEO que, no auge de uma dramática fusão, criou um evento quinzenal no qual reunia todas as equipes e presenteava com um relógio – comprado com dinheiro do próprio bolso – quem fizesse a pergunta mais importante e inteligente. Outro escrevia uma mensagem por dia comentando de coração aberto os boatos que recebia dos funcionários de maneira anônima. É tempo de encarar as pessoas, se possível presencialmente, de desarmar os instintos de crueldade e condenação que nascem no coração e na mente dos colaboradores nessas horas. 

Líderes têm que se tornar psicoterapeutas empresariais. Ouvir mais, acatar mais, acolher mais. Uma frase mal colocada pode gerar uma onda de descrença e instabilidade e trazer prejuízos sérios ao clima e à produtividade. Não estamos dizendo que o líder precisa ter todas as respostas. Ninguém as tem. E as equipes sabem disso. Elas querem apenas saber se podem contar com ele. Querem saber se o líder está com elas. Quando não tiver resposta, melhor não improvisar: basta prometer mudanças. É a única certeza que temos neste momento de absoluta nova ordem mundial.


Valter Pieracciani é sócio-fundador da Pieracciani Consultoria. Empresário, pesquisador, consultor, e escritor, é especialista em modelos inovadores de gestão. Dirigiu mais de 800 projetos em companhias-líderes como Nestlé, Ambev, Tetrapak, Pirelli e Avon, dentre outras. Atua como gestor de startup e de recuperação de empresas.

*Este texto traz a opinião do autor e não reflete, necessariamente, o posicionamento editorial de Automotive Business