
A retenção de bons motoristas permanece como grande problema para as transportadoras.
A questão foi exposta no painel “Os desafios que tiram o sono dos grandes frotistas do Brasil”, realizado na quarta-feira, 17, durante o Automotive Business Experience – #ABX25.
“Hoje, os filhos de motoristas não acompanham mais os pais. Eles vão para a universidade, querem ter suas carreiras, por isso os bons condutores estão cada vez mais escassos”, afirma o diretor de operações da Transjordano, Jorge Miguel.
“Atualmente, contamos com uma forte parceria do Sest Senat, mas também realizamos nossa própria capacitação. É uma forma de moldar o motorista, sem vícios”, completa.
Segundo o executivo, a transportadora tem uma escolinha própria, com formato semelhante ao utilizado pelo Set Senat, e capaz de formar entre três e cinco motoristas a cada dois meses.
“São até quatro semanas de ensinamentos teóricos, mais quatro de aulas práticas com a ajuda de um ‘motorista padrinho’ ou instrutor. Mas ainda faltam muitos, estamos sempre correndo atrás”, informa o executivo.
Para o senior manager da Tim, Bruno Ghiotto, a manutenção das pessoas na frota também é fator-chave: “Além de capacitar, é preciso oferecer benefícios, tecnologias e serviços. Mais do que trabalho, há muito risco envolvido”, recorda.
Gestão de risco na planilha
Nesse ponto, a mediadora do painel, Aline Feltrin, editora executiva da OTM, questionou sobre o que fazer para gerenciar os riscos durante a operação, inclusive o roubo de cargas.
“O motorista é o pilar dessa gestão. O diálogo com ele para entender a extensão desses riscos é fundamental”, afirma o especialista de transportes e sustentabilidade da rede Raia Drogasil, Alex Alves.
“A gestão de risco também nos preocupa porque a infraestrutura existente em parte das estradas ainda é precária. E a tecnologia é a grande aliada nessa gestão. Ter uma torre de controle é fundamental, pois lidamos com rotas que duram até sete dias e precisam ser monitoradas como forma de mitigar ao máximo esses riscos”, afirma Alves, recordando que a cobertura de sinal precisa melhorar nas rodovias.
Miguel Jorge, da Transjordano, garante que a resposta da empresa também vem com a tecnologia.
“Nossos veículos têm entre 9 e 13 câmeras cada, que também fazem o monitoramento de fadiga dos motoristas.” Ghiotto, da Tim, recorda que a disponibilidade de dados em tempo real é fundamental na estrada e afirma que a empresa tem trabalhado nesse sentido com órgãos como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
Transporte e sustentabilidade
Os convidados também foram indagados sobre como lidar com o fator sustentabilidade no transporte de cargas. O diretor da Transjordano aponta como um dos caminhos a menor idade média da frota.
“Nossa frota é jovem, com idade média de um ano e três meses, Euro 6, o que também nos ajuda a reduzir custos operacionais. São cerca de 800 veículos, poucos deles elétricos ou a gás. Penso que nos falta incentivo maior do governo para isso.”
Alex Dias, da Raia Drogasil, afirma que a empresa tem 60 veículos elétricos e cinco a gás incluídos na frota. Ele garante que a sustentabilidade virou meta e informa que esse objetivo não tirou o foco da eficiência financeira da operação.
Aline Feltrin também pergunta sobre os custos elevados do setor, entre eles o da renovação da frota por causa das taxas de juros atuais.
Alves recorda que a estratégia de gestão financeira da Raia Drogasil inclui locações e também um “TCO bem-montado”, referindo-se à necessidade de um controle cada vez mais refinado do custo total de propriedade dos veículos.
Ghiotto, da Tim, conclui: “É preciso trabalhar cada vez mais no aprimoramento da gestão da frota e assim depender menos de incentivos.”