
Em breve o carro híbrido flex produzido no Brasil deverá tirar passaporte e aterrissar em outros mercados, inclusive cruzando oceanos. Foi o que afirmaram especialistas reunidos no Automotive Business Experience – #ABX25, realizado em 17 de setembro no São Paulo Expo, em São Paulo (SP).
Durante o painel “Do Brasil para o mundo? O desafio global do híbrido flex”, Everton Lopes, vice-presidente da AEA, Roberto Braun, diretor de comunicação da Toyota, e Roger Guilherme, gerente de engenharia da Volkswagen, falaram sobre o potencial que este tipo de motorização tem no mercado externo.
A Toyota, não custa lembrar, tem autoridade no assunto: os carros disponíveis no Brasil com essa tecnologia, descontando os chamados “micro híbridos” da Stellantis, carregam o emblema da montadora japonesa.
Toyota exporta 25% da produção local de híbridos
Roberto Braun lembrou na oportunidade que já são três os modelos híbridos flex oferecidos aqui (Corolla, Corolla Cross e Yaris Cross, este a partir de outubro), sendo que ainda um quarto modelo nacional com essa tecnologia chegará no ano que vem.
Ele ressaltou que 25% do que é produzido no país pela Toyota já são modelos híbridos. O que significa 50 mil unidades ao ano, sendo 20 mil para o mercado interno e 30 mil para exportação.
“Não tenho dúvidas de que o híbrido flex será uma tendência de mercado no Brasil, e que outras montadoras vão lançar modelos com essa motorização”, afirmou o diretor de comunicação.
Essas 30 mil unidades exportadas, entretanto, não são exatamente todas híbridas flex, ao contrário das que são vendidas aqui no mercado interno. Para o exterior seguem versões equipadas com motor de combustão configurado para ter a gasolina apenas como combustível.
Guilherme, da Volkswagen, confirmou que marca também prepara lançamentos de modelos híbridos flex.
“O que buscamos é a combinação da eficiência energética do híbrido com a utilização de um combustível de baixo carbono, como o etanol. A redução na emissão de CO2 chega a ser de 40% a 50% na comparação com um veículo similar movido apenas a gasolina.”
Para Lopes, a tecnologia é muito promissora, “chegando a competir com o veículo elétrico puro e até com o hidrogênio [em termos de redução de CO2]. É uma das boas propostas para descarbonização”.
Brasil como provedor global da tecnologia flex
O dirigente da AEA pontuou que o carro híbrido flex tem grande possibilidade de uso em outros países, a exemplo da Índia.
“A exportação não precisa ser só do produto, pode ser da tecnologia, ou do combustível. Para mim, o ponto mais crítico é o reconhecimento do etanol como redutor de CO2, pois há preconceito quanto a isso no exterior”, destacou.
“Na Europa, por exemplo, querem falar do fertilizante [usado no plantio da cana]. Precisamos de acordos internacionais para promover o etanol”, opinou.
Braun complementou e considerou como vantagem do etanol sua aplicação prática e imediata para fins de descarbonização.
“O Sul Global tem condições climáticas semelhantes às nossas para produção do etanol. Na Índia, nos últimos dez anos, a mistura na gasolina passou de 1% para 20%, e já existem 400 postos que comercializam etanol puro por lá”, comentou o diretor de comunicação da Toyota.
Segundo o executivo, Argentina, Colômbia e México também são mercados com aderência ao híbrido flex.
“O Brasil tem experiência de 50 anos no etanol, tem políticas públicas de diferenciação tributária, créditos de eficiência etc. Os países que quiserem seguir esse caminho terão que olhar para o Brasil, porque somos a referência”, completou.
Guilherme destacou outro ponto importante: “Vale lembrar que o desenvolvimento do motor de combustão ainda não foi aposentado. Há espaço para melhorar, principalmente na combinação com a eletrificação, em busca de maior eficiência.”