
A exportação de veículos acumula queda de 22,9% no ano, novamente puxada pelos embarques para a Argentina. As informações são do balanço mensal da Anfavea, divulgado nesta terça-feira, 8.
Entre janeiro e agosto deste ano, foram 294.100 unidades exportadas, queda de 22,9% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações tiveram retração em todos os principais mercados, exceto a Colômbia.
A Argentina, principal destino dos veículos brasileiros no exterior, registrou a maior queda, com 143.300 unidades embarcadas, queda de 36,6% na comparação com o mesmo período de 2025. O encolhimento do mercado automotivo argentino e o aumento da concorrência chinesa preocupam a Anfavea.
Exportação de veículos para a Argentina concentra queda e preocupa Anfavea
Para o presidente da associação, Igor Calvet, o país se tornou muito dependente da relação comercial com o país vizinho.
“O resultado ruim das exportações está diretamente ligado ao mercado argentino, que responde hoje por 95% da queda dos nossos embarques”, disse Calvet.
“No ano passado, eu já fazia a observação que tínhamos uma grande dependência do mercado, (que representava 65% dos nossos embarques), e qualquer respiro nos atingiria profundamente e é o que acontece este ano, com o mercado argentino retraído e maior competição. Isso é bastante preocupante.”
Colômbia é exceção entre os principais mercados
Nos demais mercados, o Brasil também teve baixa nos embarques, com exceção da Colômbia. Para lá foram exportadas 34.300 unidades, leve alta de 5,5%.
Todos os outros mercados anotaram quedas nas exportações. O Panamá registrou recuo de 31,2% (com 13 mil unidades), enquanto o Uruguai caiu 28,8% (16.000 unidades). O México teve leve queda de 2,1% (48.800 embarques).
“O único país que crescemos foi para a Colômbia, mas tivemos muitos problemas com os acordos firmados, então a gente só consegue ter algo positivo no mercado colombiano”, afirmou Calvet.
“Fora a Argentina, acredito que tivemos uma estabilidade de 2,8% dos embarques para os outros países, talvez por incluir algum contexto de sazonalidade.”
Embarques caem no recorte de agosto
Em agosto, foram embarcadas 39.800 unidades, queda de 31,7% em relação ao mesmo mês de 2025.
Em relação a julho, houve uma alta de 2,2%.
Caminhões e ônibus também sofrem com queda nas exportações
O segmento de caminhões e ônibus também vive um sufoco.
No acumulado do ano, os caminhões tiveram queda de 21% nos embarques (15.000 unidades).
Em agosto, foram 2.200 unidades, cerca de 20% menos em relação a agosto de 2025. No entanto, no comparativo entre julho e agosto de 2026, o embarque de caminhões teve um leve crescimento de 3,9%.
Já os ônibus enfrentam queda de 30,3% nas exportações em 2026, em relação ao ano anterior.
Em agosto, foram 494 unidades embarcadas, diminuição de 28,9% contra agosto do ano anterior. Mas houve alta de 12,5% no comparativo de julho a agosto de 2026.