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Exportações: Anfavea com medo de China, Índia e… Indonésia

Vendas externas seguem em queda e montadoras se mostram preocupadas com invasão de veículos asiáticos na América do Sul
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Fernando Miragaya

05 set 2023

3 minutos de leitura

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Se a China já incomodava as montadoras brasileiras de veículos nas exportações, agora o sinal de alerta foi expandido para outros países concorrentes. A Anfavea, entidade que representa as fabricantes instaladas no país, classificou como “perigosa” a presença de produtos asiáticos nos mercados sul-americanos.


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Além da China, Índia e Indonésia despontaram como mais duas fortes concorrentes para as exportações das fabricantes daqui. Em entrevista coletiva nesta terça, 5, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, afirmou que esses países elevaram suas produções com foco na exportação. O que ajuda a explicar o aumento da participação de veículos produzidos nesses países no mercado latino-americano e, também, a queda nas exportações brasileiras.

“A primeira explicação está na queda dos mercados na Colômbia e no Chile. Depois, temos a que nos preocupa mais: a invasão de asiáticos, principalmente chineses. É uma tendência perigosa, que impacta não apenas o Brasil, mas os países para onde exportamos”, disse o executivo.


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Em agosto, segundo dados da Anfavea, foram 34,5 mil veículos embarcados para fora do país. O número representa alta de 13,8% em relação a julho, mas queda de 26% na comparação com agosto de 2022.

O acumulado de 2023 também aponta recuo nas exportações brasileiras de veículos. De janeiro a agosto, 292,1 mil unidades foram vendidas para fora, quase 13% a menos que o anotado no mesmo período do ano passado. 

Brasil é siri em produção e exportação

Para Márcio, enquanto outros países avançam nas produções e nas exportações, o Brasil segue estagnado. “Continuamos andando de lado e perdendo espaço no mercado global. Na medida que outros países crescem e nós nos mantemos estáveis, estamos perdendo competitividade”.

Tal estagnação do Brasil afetaria também as exportações e favoreceria a influência de outros países na América do Sul. O presidente da Anfavea fez questão de mostrar exemplos de como a presença de concorrentes asiáticos aumentou na região nos últimos anos.

Segundo ele, a China, que tinha participação de 4,3% no continente em 2013, fechou 2022 com mais de 21%. Já os veículos do Brasil, no mesmo período, reduziram sua presença nos mercados vizinhos, de 22,5% para 19,4%.

“Outro exemplo é o da Indonésia, do qual não tínhamos notícia, e hoje já tem 1,2% de participação no nosso mercado de exportação. Esse cenário é muito preocupante, estamos deixando o nosso mercado tradicional e os asiáticos estão entrando com preços baixos e ganhando mercado”, alertou Marcio de Lima Leite.

Ainda segundo o presidente da Anfavea, a tendência é que a ofensiva asiática ganhe ainda mais corpo na América Latina, com os veículos produzidos na Ásia conquistando mais fatia de mercado nos próximos anos. Márcio argumenta que o poderio produtivo dos asiáticos, em termos de escala e redução de custo, proporciona condições para um cenário de preços mais atrativos.