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Exportações: montadoras de veículos miram novos mercados em 2027

Associação das montadoras revisa projeção para pior para 2026 e no ano que vem quer reverter o cenário de queda das exportações brasileiras e reduzir a dependência da Argentina

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Natália Scarabotto

07 out 2026

3 minutos de leitura

As montadoras de veículos parecem ter encontrado um caminho para combater a queda das exportações que se acentuou nos últimos meses de forma quase que crônica, derrubando os volumes de unidades Made in Brazil nos navios e, também, nas linhas de produção.

Na quarta-feira, 7, a Anfavea, que é a associação que representa o setor, afirmou que no ano que vem vai imprimir ritmo em uma espécie de agenda setorial que trata da busca por novos mercados para o veículo nacional. A ideia será obter apoio junto ao futuro governo federal para a costura de acordos comerciais.

“Temos uma grande dependência da Argentina e tudo que estamos vendo na queda e na nova projeção podem ser explicadas pela queda do mercado argentino”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea. “Sem dúvidas, em 2027, um dos trabalhos que a Anfavea vai ter que fazer é ir atrás de novos mercados, trazer acordos de volta, como uma agenda estratégica para garantir nossa competitividade na região.”

Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras caíram 23% em relação ao mesmo período de 2025, com resultados negativos em praticamente todos os mercados. A retração foi mais acentuada na Argentina, após a abertura do mercado local a veículos importados reduzir o espaço dos modelos produzidos no Brasil.

O quadro, inclusive, levou a Anfavea a revisar para baixo suas projeções para o ano. O prognóstico mais recente era de uma queda de 12,8% nas exportações este ano ante 2025. O novo cenário traçado aumentou o pessimismo: queda de 17,7%.

No acumulado do ano, os embarques brasileiros caíram para todos os destinos, exceto a Colômbia, informou a Anfavea. As exportações para a Argentina, principal destino dos embarques dos veículos brasileiros, caíram 37,7% no acumulado do ano até setembro, somando 158.500 unidades.

“O mercado argentino caiu 13%, mas nossas exportações caíram 37,7%, cerca de três vezes mais. Assim como no México, o mercado local cresceu 5%. Mas nossas exportações caíram”, explicou Calvet. “Mesmo para a Colômbia, onde crescemos 3,9%, o mercado colombiano cresceu 40%.”

As exportações de veículos realizadas no Brasil no acumulado do ano até setembro somaram 334 mil unidades, resultado que representou queda de 23% ante aquele registrado pelo setor no mesmo período em 2025. Apenas em setembro, os embarques somaram 40 mil unidades, queda de 24% ante setembro do ano passado.

Em comparação com agosto deste ano, a variação foi positiva, de 5,6%.

Exportação de automóveis cai 24%

No acumulado do ano, a exportação de automóveis caiu 24,5%, com 251.600 unidades embarcadas, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Apenas em setembro, foram 30.800 embarques, recuo de 26,4% em relação ao mesmo mês de 2025. No entanto, no comparativo com agosto deste ano, o resultado teve leve alta de 5,6%.

Já a exportação de comerciais leves recuou 16,4%, com 61.800 embarques. Apenas em setembro, foram 6.700 unidades, queda de 10,2% em relação a setembro do ano passado. Em comparação com agosto, a retração foi de 16,4%.

Caminhões e ônibus também enfrentam desafio nas exportações

No setor de caminhões e ônibus os resultados também continuam desanimadores. No acumulado do ano, foram exportados 17 mil caminhões, queda de 21,3% em relação a 2025.

Apenas em setembro foram 2.100 veículos embarcados, queda de 22,9% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Em comparação com agosto deste ano, a variação negativa é de 6,3%.

Os ônibus também tiveram retração de 32,6% nas exportações de janeiro a setembro de 2026 em comparação com o período de 2025.

Apenas em setembro, foram 354 embarques, queda de 47,7% sobre o mesmo mês do ano passado. No comparativo com agosto deste ano, a queda foi de 28,3%, com 494 unidades exportadas.