
O grupo português Mota-Engil venceu o leilão para a construção do primeiro túnel subaquático do Brasil, que vai ligar as cidades de Santos e Guarujá, em São Paulo.
O investimento total previsto é de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,14 bilhões divididos entre os governos federal e estadual e R$ 1,78 bilhão vindo do grupo, que irá fazer a operação e manutenção da estrutura por 30 anos.
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Além da Mota-Engil, apenas uma empresa apresentou proposta para participar do leilão para a construção do túnel: a espanhola Acciona. O edital prevê que a obra seja concluída até 2030.
Quando concretizado, o projeto será o primeiro túnel subaquático do Brasil — há também outro sendo discutido em Santa Catarina.
Como será o primeiro túnel subaquático do Brasil
O leilão foi realizado na última sexta-feira, 5, na Bolsa de Valores, com a participação do vice-presidente da república e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho e o governador do estado de São Paulo, Tarcisio Freitas.
O critério de julgamento do leilão foi o maior percentual de desconto sobre o valor máximo a ser pago pelo governo na PPP (parceria Público-Privada) do projeto, fixado em R$ 438,3 milhões ao ano. O grupo português ofereceu 0,5% de desconto, enquanto a proposta do grupo espanhol foi de 0%.
Com 1,5 km de extensão, sendo 870 metros imersos, o túnel terá três faixas de rolamento por sentido, inclusive uma exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de acessos dedicados para pedestres e ciclistas.
Atualmente, mais de 21 mil veículos passam diariamente pelas duas margens utilizando balsas e catraias (barcos de pequeno porte), além de 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres.
Túnel subaquático vai reduzir travessia Santos-Guarujá


A maior promessa para os motoristas é uma redução no tempo de deslocamento. Atualmente, leva-se entre 20 minutos e duas horas para realizar a travessia de balsa entre as duas cidades (ou pelo trajeto de 43 km pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni).
Com o túnel, o trajeto de carro irá durar cerca de dois minutos.
O projeto é discutido desde 1927, como mostram notícias de jornais da época. Diversos estudos foram lançados desde então, mas nenhum se concretizou.
O tema voltou a ganhar força neste século, especialmente a partir de 2014, quando foram feitos os primeiros estudos para definir o traçado do futuro túnel. Durante o atual governo Lula, o projeto entrou no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal.