
A Hyundai cresceu o olho com as boas vendas do HB20. Com o carro de passeio mais negociado do país no acumulado do ano, a marca sul-coreana remodela o hatch de olho em incomodar mais rivais dentro do segmento que ainda representa o maior volume de emplacamentos do mercado brasileiro, o de compactos.
Na apresentação da renovada linha 2023 do HB20, a Hyundai deixou claro suas pretensões. Com preços entre R$ 76.690 e R$ 114.390, as versões de entrada com motor 1.0 aspirado vão brigar na categoria B, de hatches de entrada, especialmente com Chevrolet Onix e Fiat Argo.
HB20 até no topo dos compactos
Já as opções turbinadas miram preferencialmente em Toyota Yaris e Honda New City, considerados mais marqueteiramente como “compactos premium”, no segmento C. Para tal, o HB20 se vale, além de um design bastante mudado e menos controverso, de lista de equipamentos compatível e até surpreendente em alguns pontos.
“É uma faixa de preço extensa, mas uma boa subida de gama versão a versão e um passo de preço competitivo, com as versões topo de linha com bastante itens de segurança ativa para fazer frente aos concorrentes. Acreditamos que há mercado para essa estratégia”, aposta Rodolfo Stopa, diretor de produto da Hyundai Motor Brasil.
O desenvolvimento desta reestilização do HB20 começou há cerca de três anos, antes mesmo do lançamento da segunda e atual geração do compacto (apresentada em setembro de 2019). Porém, a chegada do modelo renovado cai como uma luva, já que o hatch atualmente é o veículo leve de passeio mais vendido do país no primeiro semestre, segundo dados da Fenabrave.
“Por mais que seja o carro de passeio mais vendido, se não mexer perde-se a liderança de um dia para o outro, e temos exemplos disso no mercado. É preciso manter esse ciclo de mercado competitivo a cada três anos”, diz o executivo.
Defender a liderança

A meta principal, obviamente, é manter o HB20 no primeiro lugar. A Hyundai até acredita que um aumento nominal nas vendas do modelo seria possível, mas esbarra no “cobertor curto” da fábrica, como o próprio Stopa cita. Para aumentar as vendas do hatch, seria preciso tirar unidades do Creta e do HB20S da linha de montagem, e tanto o SUV como o sedã também vendem bem.
Isso porque a fábrica de Piracicaba (SP), onde são feitos os três modelos, opera atualmente em sua capacidade máxima. A marca projeta 210 mil unidades produzidas este ano, em três turnos.
Expansão da rede também está fora de cogitação. Com 220 pontos de venda no país, a montadora acredita que esse é o número ideal para manter as operações dos lojistas sustentáveis e não afetar o ticket médio de cada um.
Como anda o novo HB20

Mas manter a liderança talvez não seja tarefa tão difícil. O HB20 ficou mais competitivo. Agora toda a linha já sai de fábrica com seis airbags – como no Onix –, piloto automático e limitador de velocidade. A partir da Comfort com motor aspirado (R$ 79.990) já se tem a eficiente central blueMedia e a topo de linha Prestige Plus recebe os itens de condução semi-autônoma – veja os preços, versão por versão.
Mecanicamente, nada mudou, e isso não é mau. Tanto com motor 1.0 aspirado de 80/75 cv como com o turbo de 120 cv, o HB20 oferece um desempenho condizente. Não vai te deixar com as sobrancelhas eriçadas, porém, também não vai morcegar no trânsito urbano ou mesmo na estrada.
Automotive Business dirigiu o novo HB20 no Circuito Panamericano, da Pirelli, em Americana (SP). Em um ambiente controlado e com asfato perfeito, o HB20 em sua versão turbinada mais completa entrega um desempenho suficiente e confortável.
As arrancadas são boas, mas o motor só cresce mesmo a partir das médias rotações. Depois dos 50 km/h pega embalo com mais facilidade. O câmbio automático de seis machas faz as mudanças com certa suavidade, mas o carro ainda pede um isolamento acústico melhor em velocidades maiores.
Nas retomadas, um pequeno atraso nas respostas à investida no pedal do acelerador. O turbolag é evidente e também há uma leve imprecisão da caixa automática na hora de engatar a marcha mais apropriada – geralmente, entre a terceira e a quarta. Resolvido isso em no máximo dois segundos, o HB20 pega embalo novamente. Uma forma de minimizar esse delay é apelar para as aletas atrás do volante. Com as mudanças sequenciais, se tem mais interação com a transmissão, apesar de o turbolag permanecer.
No comportamento dinâmico, o HB continua naquele meio termo que ele sempre quis ser entre VW Gol e Fiat Palio. A suspensão prioriza um acerto mais suave e confortável. Já a carroceria inclina bastante nas curvas, nada a ponto de assustar, mas também nada que lembre a firmeza de um Volks, por exemplo.
Isso ficou evidente na vota rápida na pista da Pirelli, onde acompanhamos um piloto profissional e pudemos pisar mais fundo no acelerador e verificar melhor os limites do hatch. O HB20 aponta bem nos trechos sinuosos, há uma leve tendência de sair de frente, porém os controles de estabilidade minimizam qualquer abuso do motorista.
A posição de dirigir mais baixinha agrada e os ajustes de profundidade e altura do volante garantem uma boa vida a bordo ao motorista. Trata-se de um conjunto muito bem resolvido e condizente com o segmento, mas com o apelo de ser o mais atualizado (em termos de design) do momento e de ter um bom recheio de equipamentos. Argumentos mais que suficientes para se manter na liderança.
