
A operação da Hyundai Motor Brasil (HMB) é uma das mais eficientes entre as montadoras no país. Tanto que a fabricante sul-coreana precisa recorrer a importados e se valer da planta da Caoa em Goiás para ampliar seu portfólio.
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O problema é que, ao mesmo tempo em que pretende aumentar o índice de localização em sua fábrica de Piracicaba (SP), a Hyundai não tem para onde correr. Atualmente, a unidade paulista opera em sua capacidade limite, que é de 210 mil unidades por ano.
Inaugurada em 2012, a fábrica de Piracicaba produz 42 carros por hora em três turnos. De lá saem o SUV Creta, que acaba de ser renovado, e a linha HB20 nas variantes hatchback e sedã.
Sem ter para onde crescer por lá – a unidade inicialmente tinha capacidade para 120 mil carros/ano e hoje não consegue ampliar a área construída -, a Hyundai busca uma maior localização.
Atualmente o HB20 tem 70% de índice de nacionalização. Já o Creta chega a 60%. “Queremos chegar a 80% de localização na planta”, diz Airton Cousseau, CEO da Hyundai para Américas do Sul e Central.
Hyundai recorre à Caoa e começa pelo Tucson

Sendo assim, resta à Hyundai se valer de velhos parceiros para atingir o objetivo. Após a reformulação do acordo com o Grupo Caoa, quando a HMB assumiu totalmente as operações da marca no país, é a vez de aproveitar a capacidade ociosa de Anápolis (GO).
Lá a Caoa produz os SUVs da linha Caoa Chery (Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8), e pelo novo formato da parceria voltou a montar o caminhão leve Hyundai HR para ser distribuído pela rede HMB.
A ideia é ampliar a produção de modelos em Anápolis e desenvolver um parque de fornecedores local. A unidade (que tem capacidade para 90 mil/ano), inclusive, retomou a produção do New Tucson (na verdade, a velha geração do SUV médio), cujas primeiras entregas nas concessionárias HMB começam até o fim de outubro.
A produção do Tucson será tímida – na realidade mais estrategica para marcar território, e não para fazer volume. Serão de 250 a 300 unidades por mês. “Vamos fabricar para manter o nome no mercado porque é muito forte”, explica Cousseau.
A decisão de manter o nome Tucson em evidência é fundamental. Isso porque o plano para os dois próximos anos é aumentar a produção de modelos da Hyundai na fábrica da Caoa. Assim, os mais cotados são justamente o atual Tucson vendido lá fora e a aguardada picape médio-compacta Santa Cruz, que usa a mesma plataforma do SUV.
Picape e elétrico entre os lançamentos da Hyundai em 2025

Antes, porém, tanto a Santa Cruz como o (realmente) novo Tucson devem chegar importados. Provavelmente serão dois dos seis lançamentos prometidos pela Hyundai para 2025.
Entre as estreias para o ano que vem, um nome certo é o do novo Santa Fe. Outros cotados para seguir com a eletrificação da marca são o Ioniq 3 e o Kona.
Vale lembrar que a Hyundai Motor Brasil passou a importar neste ano o SUV de 8 lugares Palisade e o crossover movido a baterias Ioniq 5. Ambos servem como vitrines para clientes da marca no país que, acima do Creta, não tinham para onde ir.
“O Palisade e o Ioniq trabalham a imagem de marca. E o Ioniq começa a mostrar o que a Hyundai tem”, conclui o CEO da Hyundai.
