
A indústria automotiva ainda sofre com a falta de mão de obra qualificada para atuar em áreas como tecnologia. O cenário, apresentado por interlocutores no Congresso SAE, realizado em São Paulo (SP) na quinta-feira, 8, eleva o grau de dificuldade das fábricas para acompanhar a inovação vista na manufatura em outros lugares do mundo.
Para Tiago Longhi, diretor de digitalização e engenharia industrial da WEG, os processos industriais do Brasil seguem no mesmo nível em termos de tecnologia dentro da fábrica de outros lugares. Porém, sem profissionais capacitados para acompanhar as tendências, o desafio de inovar fica maior.
André Gasparotti, gerente sênior de programas e projetos da Embraer, afirmou no evento que a reindustrialização do país, a transição digital e a economia verde têm uma dor em comum que impede seu desenvolvimento pleno. “Esses três pilares têm a mesma restrição: ter gente qualificada”, comentou.
Educação básica e STEM na mira
O executivo afirmou que a chave para melhorar a formação de profissionais está muito antes do ensino técnico e superior e argumenta que a educação básica precisa ser mais estratégica, assim como a formação de professores no país.
Iniciativas como o sistema de aprendizado STEM (que aborda ciência, tecnologia, engenharia e matemática no ensino de base), ajudariam o Brasil a avançar na formação de profissionais qualificados.
“O Brasil nunca teve uma política assim. Pensar em uma estratégia é algo que precisa acontecer, é urgente”, disse. Por outro lado, as empresas também precisam fortalecer os laços com escolas, estágios e programa de aprendizado profissional, completou o executivo.
Minerais críticos também sofrem com apagão de talentos
André Nunis, superintendente técnico da unidade de materiais avançados do IPT, cita como exemplo o segmento de minerais críticos, essenciais para a transição energética global por sua aplicação em imãs de motores elétricos, também há falta de mão de obra de qualidade.
Segundo ele, o Brasil segue dependendo de países como a China para o desenvolvimento tecnológico nessa área.
“É importante fortalecer esse conhecimento, esse know-how que vai ser transferido para as empresas. Dificilmente a gente consegue encontrar especialistas, a gente tem que formar as pessoas que vem da academia”, finalizou.
