
A indústria automotiva precisa ser mais flexível e atrativa para se tornar uma carreira mais desejada pelos jovens. Segundo uma nova pesquisa da Fundação Toyota, em parceria com a Teçá Impacto, apenas 12,7% dos estudantes ouvidos escolheram o ambiente de fábrica ou indústria como local de trabalho desejado.
O estudo “O Presente do Trabalho: desafios e caminhos para empregabilidade das juventudes na era da IA” descobriu que os jovens não rejeitam o emprego CLT. Eles ainda priorizam estabilidade, mas colocam acima dela o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, trabalhar com propósito e ter uma jornada flexível ou home office.
O que os jovens esperam do trabalho
Dos estudantes de ensino técnico e superior entrevistados, 62% afirmaram que o cenário profissional ideal para os próximos cinco anos seria trabalhar com carteira assinada em uma grande empresa. A modalidade freelancer foi citada por apenas 5,1%.
No entanto, o ambiente de fábrica/indústria foi escolhido por apenas 12,7% dos jovens, ficando atrás de empresas de tecnologia/startups (22,8%), ter o próprio negócio (18,4%) e do modelo remoto ou híbrido (55,7%).
Os jovens ainda valorizam estabilidade e segurança no emprego (44,9%), mas dão mais valor ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal (57%) e trabalhar com propósito (53,8%).
Segundo os entrevistados, as principais barreiras para conseguir um bom emprego são a falta de experiência prévia (47,5%), a ausência de uma rede de contatos (17,7%), a necessidade de conciliar trabalho e estudo (13,3%) e a formação técnica insuficiente (11,4%).
Inteligência artificial ameaça porta de entrada
O levantamento também analisou o impacto da IA na empregabilidade da nova geração e encontrou um descompasso estrutural: as barreiras de entrada no mercado de trabalho hoje vão além da qualificação técnica e estão sendo agravadas pela transformação tecnológica.
O estudo aponta que funções administrativas, mais básicas e repetitivas que tradicionalmente são executadas por jovens em cargos de entrada, possuem maior tendência a perder espaço para as ferramentas de IA.
Isso significa que a principal porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho está encolhendo, enquanto as ocupações que mais crescem permanecem pouco acessíveis.
Além disso, com a velocidade do surgimento de novas tecnologias, há uma redução significativa da vida útil das competências técnicas e maior necessidade de aprendizagem contínua para se manter ou crescer no trabalho.
A etapa quantitativa da pesquisa reuniu 158 respostas válidas de estudantes da UniFacens Sorocaba, do Senai Sorocaba e do Senai São Caetano do Sul. O estudo ressalta que a amostra não representa jovens em situação de alta vulnerabilidade.