
Um olho no Brasil, outro na Índia e o radar ligado na eletrificação. Assim a Iochpe-Maxion encara o setor automotivo global no curto e médio prazos, ao mesmo tempo em que prepara a expansão da produção de rodas agrícolas nas fábricas nacionais e foca em mercados estratégicos
Em coletiva on-line nesta segunda, 24, o presidente e CEO da fabricante de rodas e componentes estruturais, Marcos Oliveira, fez um balanço das operações da empresa no Brasil. Ele também traçou paralelo das estratégias da companhia em um mundo pautado pela eletrificação.
“Temos robustez para atender a demanda, capacidade interna sólida para lançamentos e expansão contínua, mas também flexibilidade. Nossa presença global, mas com conteúdo local, nos permite atenuar situações negativas e pontuais em regiões diferentes”, afirma Marcos Oliveira.
Expansão pontual da Iochpe-Maxion no Brasil
A empresa celebra a receita líquida de R$ 16 bilhões registrada em 2022 e o crescimento no lucro de 13,5% de 2015 para cá. Nesse bolo, a América do Sul, em especial o Brasil, respondem por 30% da receita global.
Diante de um setor automotivo ainda retraído no Brasil, a Iochpe-Maxion voltou suas atenções para o campo. A empresa vai aumentar a capacidade da fábrica de Cruzeiro (SP) em 25% no segundo semestre, para entregar 450 mil unidades de rodas para máquinas e implementos agrícolas e equipamentos de construção por ano.
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A estratégia passa pelas projeções ainda tímidas do mercado de veículos no país. As expectativas da consultoria IHS apontam para 4% de evolução no segmento de leves e de 6% no de pesados.
A projeção positiva para os pesados se dá mesmo depois de uma queda de 16% na demanda por caminhões e ônibus anotada no primeiro trimestre – em razão da antecipação de compras no ano passado por causa da mudança de motores Euro 5 para Euro 6.
“Nossa visão é de crescimento baixo nesses segmentos, mas de um segundo semestre melhor de uma forma geral na indústria automotiva”, acredita o CEO da Iochpe-Maxion.
Crédito fraco freia negócios no Brasil enquanto Europa cresce
Diante do enfraquecimento do mercado, o executivo defendeu um maior acesso ao crédito para alavancar um crescimento do setor.
“A questão da oferta de crédito e taxa de juros tem um impacto. A indústria estaria crescendo mais, mas está limitada por esses fatores. Por isso, acredito que o segundo semestre e a transição para 2024 será de expansão”.
Panorama bem diferente do encontrado atualmente na Europa. Após um primeiro trimestre de expectativas baixas para o continente, a empresa observa crescimento no segmento de veículos comerciais por lá.
No fim de 2022, a Iochpe abriu sua terceira fábrica europeia para produção de rodas para veículos comerciais. E iniciou as obras de uma nova unidade de rodas de alumínio forjado, também para veículos comerciais, que estará concluída até o fim de 2024.
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“Somos os maiores produtores de rodas de aço na Europa, mas queremos aumentar ainda mais nossa capacidade. As novas unidades nos darão a possibilidade de expandir nosso portfólio”, explica Marcos Oliveira.
Desta forma, na Europa, a Iochpe-Maxion alcança uma capacidade produtiva de 5 milhões de rodas de aço por ano. Serão mais 350 mil unidades de alumínio/ano a partir de 2025.
Iochpe-Maxion mira em Índia, China e na eletrificação
Marcos Oliveira também falou das estratégias da empresa para outros mercados. Citou o potencial de crescimento na Ásia, que hoje responde por apenas 9% da receita líquida global.
A Iochpe-Maxion olha em especial para a Índia, onde a fabricante obteve crescimento de 20% só no primeiro trimestre de 2022.
“Índia e China são os mercados que mais devem crescer nos próximos anos. A Índia, que tem população parecida com a da China, produziu cinco milhões contra 22 milhões da China. Então há um potencial de muito importante”, defende Marcos.
A Iochpe também tem feito parcerias com empresas chinesas. Com a Dongfeng estabeleceu uma joint-venture para fornecer para a marca e para outras montadoras da China. Inclusive rodas de 20″ específicas para elétricos da Nio e Voyah.
A eletrificação, obviamente, está na pauta da empresa. De olho nas projeções que apontam que 45% dos veículos produzidos em 2029 serão elétricos ou híbridos plug-in, a Iochpe investe em novas linhas – como a Bionic na América do Norte – e aros de aço que prometem processos e vida útil mais sustentáveis.
Ao mesmo tempo, a Iochpe alinha seu acordo com a Forsee Power para montagem de baterias para veículos. A empresa desenvolve as células e os módulos que são integrados a chassis de ônibus e caminhões feitos pela Iochpe.
“Essa parceria aumentará ainda mais nossa exposição no segmento de EVs”, ressalta o executivo.
Em qualquer ritmo de eletrificação
A companhia também se vale de sua presença global e da flexibilidade nas operações locais para acompanhar ritmos de eletrificação diferentes em seus diversos mercados.
Ou seja, para a empresa não fará diferença se o Brasil adotar um caminho de híbrido flex, enquanto a Europa aposta no 100% elétrico, tipo de veículo que tem uma dinâmica, peso e centro de gravidade diferentes.
“A questão do EV traz algumas características ou requerimentos diferentes do veículo a combustão, que pede adaptação no design, mas não no processo produtivo”, explica Marcos Oliveira.
“Temos um processo de desenvolvimento integrado, com engenharia global. E capacidade para fazer em todas as nossas fábricas. Isso nos dá muita flexibilidade em atender uma demanda de uma região ou outra”, completa o executivo.
