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Impostos

IOF: locadoras e concessionárias de veículos temem impacto nos negócios

Aumento do tributo proposto pelo governo federal repercutiu também na indústria e no varejo de veículos
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Bruno de Oliveira

27 mai 2025

3 minutos de leitura

A sinalização feita pelo governo federal de elevar a alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras, o IOF, repercutiu na indústria e, claro, no setor automotivo.

Para alguns interlocutores, aumentar o tributo, como propôs em primeiro momento o decreto assinado pelo presidente da república, pode deixar financiamentos mais caros e, eventualmente, causar subida no valor dos veículos.

Locadoras de veículos podem reduzir compras

Uma das partes preocupadas com a medida é o segmento de locação de veículos. De acordo com Paulo Miguel Jr, vice-presidente da Abla, a associação que representa o segmento no país, o aumento do IOF poderá, inclusive, diminuir o apetite das empresas na renovação de suas frotas.

“A captação de financiamento já está com os juros elevados, dificultando o repasse nos aluguéis dos veículos e elevando o valor para o usuário”, disse o representante.

“Sabemos que o montante comprado pelas locadoras é, em média, entre 25% a 30% dos emplacamentos [realizados no país], e a elevação pode fazer com que as locadoras reduzam o ritmo de compras de veículos daqui para a frente”, completou.

Concessionárias: mais IOF, menos vendas de veículos

No varejo de veículos, o aumento do IOF também é visto como algo que poderá elevar preços dos carros. Para Milene Sipas, diretora comercial do Grupo HBW, representante das marcas Honda, Volkswagen e BYD, o imposto costuma ser diluído nas parcelas do financiamento pagas pelo cliente. Com o valor elevado, as revendas podem precisar de mais negociações para que as vendas sejam efetuadas.

“O IOF, na maioria dos casos, não é percebido diretamente pelo cliente, pois está diluído nas parcelas do financiamento. No entanto, em situações específicas, pode haver impacto na percepção de custo, o que nos leva a realizar negociações diferenciadas para preservar a competitividade e a conversão em vendas”, contou a executiva.

Pelo lado da montadora, a Anfavea, que é associação que as representa, ainda não se manifestou a respeito da medida do governo, que tem como meta aumentar a arrecadação fiscal.

Por outro lado, segundo apurou a reportagem de AB, o aumento do IOF causou desconforto entre as fabricantes de veículos, e o tema, inclusive, passou a ser destaque em conversas internas porque afeta transações internacionais.

Para CNI, aumentar o IOF gera imprevisibilidade

Na terça-feira, 27, a CNI, Confederação Nacional da Indústria, na qual as montadoras também têm representatividade, divulgou um comunicado que expressa certa preocupação acerca da medida do governo.

“A decisão gera imprevisibilidade e aumenta os custos para produzir no país. Com as medidas, os custos das empresas e dos negócios com operações de crédito, câmbio e seguros serão elevados em R$ 19,5 bilhões apenas no que resta do ano de 2025. Para 2026, o aumento chega a R$ 39 bilhões”, informou a entidade.

“A medida encarece o crédito para empreendimentos produtivos, aumentando a carga tributária do IOF sobre empréstimos para empresas em mais de 110% ao ano e, ao mesmo tempo, expõe assimetrias. A tributação no câmbio impacta a importação de insumos e bens de capital necessários para o investimento privado e a modernização do parque produtivo nacional”, seguiu, em nota.