
Um trator a etanol com a mesma robustez e eficiência do diesel. Esse é o principal desafio dos testes que a John Deere faz há mais de 18 meses com tratores com protótipos de propulsores movidos pelo combustível vegetal.
Segundo a montadora, os resultados dos testes do trator a etanol já têm sido positivos. Porém, a fabricante está longe de cravar uma data para lançamento da tecnologia, que, com certeza, não será em 2026.
“Estamos testando em fazendas de cana e de grãos. Mas não podemos oficializar uma data, pois falamos de motores e ainda estamos finalizando testes. Podemos dizer que será em um futuro breve”, afirmou Cristiano Correia, vice-presidente de sistemas de produção para AL e VP global de cana-de-açúcar da John Deere.
Manutenção e autonomia no caminho do trator a etanol
No evento Casa John Deere, a montadora expôs um dos tratores com o protótipo de motor a etanol que estão em testes. A empresa diz que diferentes modelos de powertrains estão sendo avaliados com o combustível vegetal.
De acordo com a John Deere, já são dezenas de milhares de quilômetros de rodagem e operação, e as avaliações mais recentes se concentram no cerrado brasileiro.
A cautela da empresa em revelar a data, porém, se justifica pelas peculiaridades do etanol. Com menos poder calorífico, a engenharia da fabricante precisa que o motor a álcool entregue a mesma potência e torque dos veículos diesel.
Há ainda a questão da manutenção e pós-venda, muito sensível quando se fala de máquinas agrícolas. Além da autonomia, tradicionalmente menor quando se fala de etanol. Ou seja, a John Deere precisa ter na frieza da planilha números que viabilizem o trator a etanol para o mercado.
De qualquer forma, a John Deere já enxerga potencial da tecnologia, assim como os testes que são feitos também com outros combustíveis mais sustentáveis, como o biodiesel B100.
“São soluções que podem ser replicadas no mundo todo. O Brasil não apenas aplica tecnologia de ponta, o Brasil está criando tecnologias de ponta. E as inovações aqui têm impactos além fronteiras”, completa Cristiano Correia.
